CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS

CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS

21 de set de 2010

MOVIMENTOS E PARTIDOS POLÍTICOS CONSERVADORES CRESCEM NO MUNDO APÓS A ÚLTIMA RECENTE CRISE ECONÔMICA

Na Europa:

A entrada da ultradireita no Parlamento Sueco confirma o auge dos partidos populistas, xenófobos ou nacionalistas na Europa, que saíram reforçados da crise econômica, com um discurso que ataca sobretudo o multiculturalismo e o islã.
As eleições legislativas de domingo no país escandinavo abriram pela primeira vez a porta do Parlamento aos radicais Democratas da Suécia (DS), com 5,7% dos votos, um êxito eleitoral após os dos xenófobos na Holanda em junho e na Hungria em abril.
O líder da aliança dos movimentos de ultradireita europeia no Europarlamento, Bruno Gollnisch, celebrou o resultado.
"Espero que aconteça o mesmo em outros países, na Europa e inclusive fora da Europa", afirmou o francês.
No mapa europeu, a ultradireita também está presente no governo italiano de Silvio Berlusconi e nos Parlamentos da Áustria, Bulgária, Letônia e Eslováquia.
A crise econômica que afeta o velho continente explica parcialmente o avanço destes partidos.
"A ideologia da ultradireita está fundada na promoção de um nacionalismo que defende a primazia do marco nacional e a homogeneidade cultural", destaca Magali Balent, da Fundação Robert Schuman.
O multiculturalismo em geral e o islã em particular se transformaram com frequência em bodes expiatórios, especialmente após os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.
Os Democratas da Suécia conseguiram um excelente resultado eleitoral após uma campanha na qual utilizaram um polêmico anúncio de TV - que acabou censurado -, que mostrava um grupo de mulheres muçulmanas vestidas com a burca ultrapassando uma idosa de muletas em uma corrida simbólica para receber os subsídios do governo, diante das opções "imigração" ou "pensões".
Em outros países, alguns governos estão adotando políticas de ultradireita de olho nas urnas, conscientes da rentabilidade eleitoral do discurso xenófobo ou nacionalista em tempos de crise e temor pelo futuro, opinam os analistas.
"É a versão europeia do movimento Tea Party, uma resposta muito reacionária à crise", declara Fabrice Pothier, diretor do ''think-tank'' Carnegie Europe, em referência à ala ultraconservadora americana, que avança com força antes das eleições legislativas de novembro.
Neste contexto, a comunidade muçulmana tem sido objeto de várias decisões políticas na Europa como a proibição do uso da burca nos espaços públicos aprovada pelo governo conservador francês, uma legislação que a extrema-direita de Berlusconi pretende imitar na Itália.
Mas o discurso anti-imigração dos partidos de ultradireita e de alguns governos conservadores no poder na Europa esbarra com o paradoxo no momento de contrastar ideias com números.
O repúdio aos imigrantes é palpável, apesar de muitas vezes o número de estrangeiros ser relativamente pequeno. Na Finlândia, por exemplo, a ultradireita recebeu mais de 10% dos votos nas eleições de junho, apesar do país nórdico ter apenas 2,7% de população imigrante.
O número de imigrantes ilegais na Europa está em queda, com uma redução de 36% nos três primeiros meses do ano na comparação com o último trimestre de 2009, segundo a agência europeia Frontex.
As imagens de centenas de imigrantes desembarcando na Europa também perderam o impacto: 3.300 pessoas foram interceptadas nas costas do continente entre janeiro e março, contra 33.000 no primeiro trimestre de 2008.
"Os políticos afirmam que a Europa está sendo invadida, mas se você olhar para as estatísticas percebe que não é correto", explica Sergio Carrera, do Centro de Estudos de Política Europeia em Bruxelas.
Carrera cita como exemplo as controversas expulsões de ciganos na França, onde vivem apenas poucos milhares de pessoas desta comunidade em um país de 63 milhões de habitantes.

Nos E.U.A:

Um mês depois das eleições presidenciais brasileiras será a vez dos americanos irem às urnas. No dia 4 de novembro, a Casa dos Representantes e boa parte do Senado serão renovados, além dos legislativos estaduais e dos governos da maioria dos Estados da federação. E o resultado das primárias dos dois principais partidos, que terminaram há poucos dias, mostrou que é a hora do chá na política da maior economia do planeta.
Ninguém representou melhor o período pré-eleitoral do que uma certa Christine O'Donnell. Apoiada pelo movimento Tea Party - cujo nome é uma alusão aos colonos de Boston em revolta contra as taxas cobradas pela coroa inglesa sobre o produto, um dos estopins da Revolução de Independência Americana no fim do século XVIII - ela derrotou o veterano deputado Mike Castle, candidato da cúpula do partido na disputa por uma vaga no Senado em Delaware. A cadeira tem peso simbólico, já que foi ocupada nas últimas três décadas pelo vice-presidente Joe Biden.
Analistas de todos os espectros concordam que, por um lado, a emergência de O'Donnell reflete a ocupação do Partido Republicano por uma militância aguerrida e anti-Washington. Por outro, o radicalismo e a inexperiência de lideranças como a ex-governadora Sarah Palin (principal apoiadora em âmbito nacional da desconhecida O'Donnell), o apresentador de TV Glenn Beck e a deputada ultra-conservadora Michele Bachman, podem levar a uma repetição das eleições de 2008, com derrota na reta final, no momento em que a oposição teria tudo para dar o troco nos democratas, abalados pelo desemprego recorde, os riscos de uma nova recessão e um primeiro mandatário visto pela população como "pouco presidencial".
"Foi um desastre. Agora não vamos conseguir mais a maioria no Senado. Duvido que O'Donnel vença as eleições do dia 4". A declaração foi de ninguém menos do que Karl Rove, o oráculo da direita, estrategista das duas vitórias nacionais de George W. Bush, ainda na terça-feira, sob o impacto da vitória-surpresa da candidata do Tea Party. Pressionado por lideranças republicanas, Rove tentou emendar um dia depois, dizendo que "obviamente" irá apóia-la. Palin saiu em defesa da pupila dizendo que "o problema do establishment do Partido Republicano é que eles de fato não acreditam que a Christine possa vencer a eleição. Eles não estão entendendo o que está acontecendo", disse.
A emergência da direita radical
Mas, afinal, o que está acontecendo na política americana? Christine O'Donnel, 41 anos, cabelos negros, atraente, óculos de bibliotecária, não é uma nova Sarah Palin. Ela não tem experiência alguma na administração pública (Sarah era governadora de primeira viagem e prefeita de uma cidade nos grotões do Alasca; além disso, havia lidado com a direção regional do Partido Republicano durante quase uma década) e atribui, erroneamente e a seu bel-prazer, frases de efeito a personalidades escolhidas a dedo. Para celebrar a vitória de terça-feira ela saiu-se com um "tirania é quando o povo tem medo de seu governo", batendo no governo Obama, usando como autor ninguém menos do que Thomas Jefferson, de cuja mente as tais palavras, em tal ordem, jamais saíram.
"Nossa vitória é resultado de uma causa, mais do que de uma campanha eleitoral. E nossa causa é tomar de volta a América, que é nossa", continuou O'Donnell. Em sua declaração de vitória está o núcleo de um movimento que não surgiu da candidatura Palin e sim de seu rival à direita em 2008, o deputado texano Ron Paul, cujo filho, Rand, é o favorito para se tornar o novo senador de Kentucky, em outra candidatura-surpresa, contra o aparato Republicano.
O Tea Party é xenófobo, contrário a qualquer reforma da política de imigração, tem ojeriza à reforma da Saúde Pública introduzida pelo governo Obama e rejeita a interferência do governo em setores estratégicos como economia e educação. É uma evolução do libertarianismo de Ron Paul, acrescido dos conservadores sociais representados por nomes como Palin e o senador Jim DeMint, contrários ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, à Teoria da Evolução, à pesquisa com células-tronco e ao direito ao aborto. Rand Paul, que lidera as pesquisas no Kentucky com 54% das intenções de voto, contra 39% de seu adversário democrata, chegou a ponderar sobre os "exageros" dos Direitos Civis concedidos aos negros em 1964, no governo Lyndon Johnson.
O'Donnell é a dose de mel a ser acrescida na xícara de chá da direita populista. Antes dela os tea-parties conseguiram virar de cabeça para baixo as eleições para o Senado do Utah, da Flórida, do Alasca, de Nevada, do Colorado e do Kentucky, além do governo de Nova York. Seus candidatos lideram as pesquisas nos quatro Estados mais conservadores desta lista, mas os democratas viraram o jogo e estão à frente por larga margem no Delaware de O'Donnell e, por pouco, no Colorado e em Nevada. Daí o desespero de Rove. Os democratas contam com 49 cadeiras seguras na Câmara Alta, a mais importante do Legislativo, os republicanos com 45 e outras seis estão em jogo. Para os democratas, basta vencer em duas e seguirão com a maioria mínima que permitirá ao presidente Obama seguir governando sem um incômodo condomínio republicano. Os republicanos não podem se dar ao luxo de perder em Delaware.
A guerrilha barulhenta e o populismo de direita
"É uma situação muito difícil. O Partido Republicano, a instituição, está preocupada. É como lutar contra uma guerrilha", disse à Time o professor James Thurber, que comanda o Centro de Estudos Políticos da American University, de Washington. Não importa. O terremoto da direita é, para os analistas, o principal evento político nos EUA das últimas décadas. Michael Scherer ganhou a capa da Time desta semana - em uma imagem icônica, do elefante, símbolo dos Republicanos, com a tromba para fora, engolido por uma imensa xícara de chá - com uma reportagem em que afirma: "em um tempo de insegurança econômica, o Tea Party roubou o coração dos conservadores americanos e pode levar até sete senadores para o Congresso, presos a ideias como um governo mínimo, zero política social e mercados financeiros sem regulação".
Um dado importante da "revolução conservadora" é que as primárias atraem uma parcela diminuta do eleitorado. Apenas 3% dos eleitores de Delaware compareceram às urnas e escolheram O'Donnell candidata na terça-feira. Números semelhantes garantiram as vitórias de Joe Miller no Alasca e de Sharron Angle em Nevada. Angle é uma das vozes mais barulhentas do chamado movimento nativista, que não acredita na legalidade da presidência Obama, "pois ele não tem uma certidão que prove seu nascimento em solo americano".
Pouco interessa que Obama tenha nascido no Havaí... O que interessou, até agora, para os tea-parties, foi mobilizar uma direita ofendida pela "marcha ao socialismo" de Washington, vendida por gente como Beck e Palin 24 horas por dia na Fox. O'Donnel foi uma das fundadoras do grupo Savior's Alliance for Lifting the Truth (algo como Aliança Libertadora para a Ascenção da Verdade), voltado para a pureza sexual, que, além de condenar a masturbação, defende a verdade científica de que o mundo foi criado, pelo Deus de Moisés e Abraão, e apenas ele, em exatos seis dias.
Ela também não consegue provar de onde vem sua renda - já que não tem trabalho fixo -, deve ao Imposto de Renda americano e, assim como Palin na campanha à vice-presidência em 2008, é acusada de fazer uso pessoal de fundos de campanha. Sua resposta-padrão a estas questões é a de que, ao contrário do senador democrata John Kerry, o homem mais rico do Congresso, "ao menos eu não tenho de me preocupar em que Estado vou ancorar meu iate para pagar menos imposto". Mais: "este governo que aí está quer pagar para a sua filha fazer um aborto, mas taxa o refrigerante que ela bebe", em uma referência às políticas anti-obesidade do governo Obama. Para se ter uma idéia do quanto à direita o Partido Republicano se moveu, O'Donnell considera George W. Bush um falso conservador, que aumentou o tamanho do Estado e deu dinheiro público para os bancos.
Reação dos liberais
Karl Rove foi à TV chamar a colega de "maluquete". "Mas os eleitores que não se enganem. A única possibilidade de o Partido Republicano retomar o controle do Poder Legislativo, e na pratica encurtar o mandato de Obama em dois anos, é se os candidatos do Tea Party vencerem em novembro, com seu extremismo que vai se tornando perigosamente sinônimo de conservadorismo na política americana", atacou o New York Times, em duro editorial, lembrando que alguns dos candidatos ao Senado defendem a simples extinção de postos federais equivalentes, no Brasil, a ministérios como os da Educação, do Meio-Ambiente e de Minas e Energia. E ricos conservadores, em apenas três dias, já doaram US$1 milhão para a campanha de O'Donnel, contra apenas US$ 125 mil doados a seu rival democrata.
A força da nova direita apareceu esta semana quando o líder da oposição no Congresso, John Boehner, foi crucificado ao afirmar que poderia negociar a proposta de eliminação do abono ao pagamento de impostos pela parcela mais rica da população, herança do governo Bush. A direita o excomungou e ele teve de voltar atrás. Mais importante: dependendo dos resultados do dia 4 de novembro, figuras como O'Donnell poderão influenciar decisivamente a escolha do candidato da direita ungido para enfrentar Barack Obama em 2012. Não por acaso o ex-governador do Massachusetts, Mitt Romney, foi o primeiro presidenciável da direita a anunciar o apoio entusiasmado a O'Donnell.
Nesta sexta-feira os principais nomes da nova direita americana se reuniram no Values Voter Summitt, na capital federal. O'Donnell conclamou os eleitores a comparecerem em massa às urnas para apoiar a "revolução conservadora". "Eles podem nos chamar de lunáticos, mas nós nos denominamos o povo. Não subestimem a raiva e o desejo de mudança que tomou conta dos eleitores americanos. E nós não estamos querendo tomar de volta nosso país. Nós somos a América", disse, para delírio da audiência conservadora.
Mas quem sintetizou melhor o momento foi o presidente do grupo American Values, Gary Becker. No mesmo evento, ele comparou o esforço de ir às urnas no dia 4 - às eleições, nos EUA, não são obrigatórias - com a decisão dos passageiros do vôo 93 da United, que se atracaram contra os terroristas da Al-Quaeda e impediram uma tragédia ainda maior no dia 11 de Setembro. "Se você acordar gripado, doente, com medo da chuva, lembre-se dos americanos que decidiram lutar contra os terroristas e mudaram a história". É essa a direita que pretende tomar o Legislativo americano em 45 dias e a Casa Branca em dois anos. Não deve espantar ninguém, portanto, a decisão dos comediantes Jon Stewart e Stephen Colbert de promover uma marcha contra o Tea Party no próximo dia 30 de outubro em Washington. O título da manifestação política? Marcha pela Sanidade.
Fonte: Terra Notícias.

19 de set de 2010

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ACABAR COM A DESIGUALDADE NÃO É TUDO...

Por Rui Nogueira / BRASÍLIA, estadao.com.br, Atualizado: 19/9/2010 0:24

Acabar com a desigualdade não é tudo; os maus exemplos no comportamento político têm um viés de 'democracia popular'; os laços com o corporativismo são fortes, significam um retrocesso e 'não são um bom manto para a democracia'.
A síntese é acrescida da percepção de que 'há abuso de poder político' e foi feita pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Ele diz que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma 'assombrosa conversão ao passado'.
A seguir, os principais trechos da entrevista concedida no início da semana.
O Sr. não acha que os exageros retóricos do presidente Lula vão além da circunstância eleitoral e podem estar desligando da tomada os aparelhos da democracia?
Sinceramente, não acho que o presidente Lula tenha uma estratégia nessa direção. Acho que a democracia tem raízes fortes no País, a sociedade é muito diversificada, a sociedade civil é mais autônoma do que se pensa, as empresas são poderosas, a mídia é poderosa. Não acho que o Lula tenha um projeto para cercear a democracia. O que ele tem é uma prática que, às vezes, excede o limite. E, quando isso acontece, eu me manifesto. A democracia não é um fato dado, é uma constante luta. Se a gente começa a fechar os olhos às pequenas transgressões, se elas vão se acumulando, isso tudo distorce o sentido das coisas.
Há algum problema na origem da nossa cultura política?
Sim, a nossa cultura política não é democrática. Nós aceitamos a transgressão com mais facilidade, nós aceitamos a desigualdade perante a lei, para não falar das outras desigualdades aceitas com mais facilidade ainda. Você tem um arcabouço democrático, mas o espírito da democracia não está consolidado.
E de quem é a culpa?
Não é de ninguém. Mas a responsabilidade para não quebrar esse arcabouço e reforçar o espírito da democracia é de quem tem voz pública. O presidente da República é responsável porque a conduta dele, no bom e no mau sentido, é tomada como exemplar. Portanto, ninguém é culpado, mas há responsáveis.
De que maneira explícita pode então ser atribuída uma cota de responsabilidade nesse processo ao presidente Lula?
Uma das coisas que mais me surpreendeu na trajetória política do presidente Lula foi a absorção por ele do que há de pior na cultura do conservadorismo, do comportamento tradicional. Ele simplesmente não inovou na política.
Dê exemplos.
O Lula adotou o clientelismo. Veja o caso do Amapá, onde o presidente Lula pede voto no fulano e fulano porque é amigo. Depois se descobre que o fulano está envolvido em escândalos, mas aí desenrola-se uma mistificação dizendo que nunca se puniu tanto como no governo dele. Isso é um comportamento absolutamente tradicional. Desde quando passou a mão na cabeça dos aloprados, o critério é sempre esse. No fundo, o Lula regrediu ao Império, aplicando a regra do 'aos inimigos a lei, aos amigos a lei'. Ele não inovou do ponto de vista político, mas poderia ter inovado.
O Sr. esperava um presidente Lula mais democrático, mas está apontando traços caudilhescos no comportamento dele.
O PT quando foi criado se opunha ao corporativismo herdado do fascismo e de Getúlio Vargas. No poder, o que vemos é que ele ampliou esse corporativismo. O PT trata esse corporativismo como se fosse um movimento da sociedade, quando nós estamos diante da ligação de grupos corporativistas ao Estado e o controle desses grupos pelo Estado.
Responda 'sim' ou 'não' a esta pergunta: Lula tem alguma tentação a cultivar uma variante para a democracia popular?
Sim.
Explique a resposta.
Lula não tem esse propósito, mas a recorrência do linguajar político e a forma de agir levam à crença de que o que vale é ter maioria. E democracia popular é o quê? A democracia é mais do que ter maioria, o que é conquistado à força pelas ditas democracias populares. Democracia também é respeito à lei, respeito à Constituição, respeito às minorias e à diversidade. Tudo isso é obscurecido nas democracias populares, onde se entende que, se você tem a maioria, você tem tudo e pode tudo. Tem o direito de fazer o que bem entender. O presidente Lula não pensa em fazer isso, mas essas são as consequências do comportamento político que ele tem. Precisa ter limites.
Concretamente, que tipo de limite deveria ser imposto ao presidente Lula?
Não se pode, por exemplo, ver o presidente, todos os dias, jogar o seu peso político na campanha eleitoral. E vem agora uma senhora recém-empossada como ministra-chefe da Casa Civil (N.R.: Erenice Guerra, que caiu na quinta-feira, um dia depois da gravação desta entrevista) acusar o principal candidato da oposição, o José Serra, de 'aético'. Acusa por quê? Porque o candidato está protestando contra a violação do sigilo fiscal de sua família. Ela não tem expressão política alguma, mas baseia a acusação no quê? No princípio de que quem pode e quem não pode se sacode.
O Sr. foi surpreendido com o discurso do 'nunca antes neste País' do presidente Lula?
De alguma maneira, sim, mas nem tanto. O comportamento do Lula, mesmo no tempo de líder da oposição, sempre foi de uma pessoa loquaz, fácil de apreender as circunstâncias políticas, muito mais tático do que estratégico. Ele falou em 'metamorfose ambulante' e isso explica bem o seu estilo e caracteriza bem o seu traço de conservadorismo.
Qual foi, então, a sua grande surpresa com Lula?
Achei que ele fosse mais inovador, capaz de deixar uma herança política democrática, mostrando que o sentimento popular, a incorporação da massa à política e a incorporação social podem conviver com a democracia, não pensar que isso só pode ser feito por caudilhos como Perón, Chávez etc. Essa é, aliás, a imagem que o mundo tem do Lula, que ele está incorporando os excluídos - o que já vinha do meu governo, a partir da estabilização econômica, mas é verdade que ele acelerou. Mas Lula está a todo o instante desprezando o componente democrático para ficar na posição de caudilho.
O que está na origem dessa tentação?
Na Europa, já não é mais assim, mas em alguns lugares ainda se acha que acabar com a desigualdade é tudo, que vale tudo para acabar com a desigualdade. Valia até apoiar o regime stalinista, o que Lula nunca foi. O que ele tinha de inovador é que o PT falava de democracia, um lado que está sendo esquecido. Nunca disse uma palavra forte em favor dos direitos humanos. Pode, perfeitamente, dizer que o caso nuclear do Irã não pode servir para atacar o país, lembrar o Iraque, mas, ao mesmo tempo, tem de ter uma palavra forte em defesa de uma mulher que pode morrer apedrejada.
O Sr. já disse que o governo Lula tem realizações próprias suficientes para não precisar ser 'mesquinho' e usar esse 'nunca antes neste País'. Por exemplo?
O governo do presidente Lula atuou bem diante da crise financeira mundial (2008/2009). Isso não é fruto do passado, é fruto do presente. Nas outras áreas, ele deu bem continuidade, mas na crise podíamos ter naufragado e ele não deixou naufragar.
Outro exemplo de bom serviço prestado pelo governo Lula ao País?
Não sei qual a razão, mas o Lula acertou ao não engordar o debate sobre o terceiro mandato. Não sei se está ou não arrependido, mas o certo é que ele não engordou esse debate.
Em compensação, entrou na campanha com se estivesse disputando o terceiro mandato.
E não precisava. Ele podia atuar dentro da regras democráticas, mas está usando o poder político para forçar situações eleitorais. Há até um movimento em que ele se envolve para derrotar senadores da oposição, parece um ato de vingança porque não gostou da atuação deles no parlamento.
A jornalista e colunista do Estado Dora Kramer falou, há dias, de uma 'academia inativa por iniciativa própria'. É isso?
A frase pode ser um pouco forte, tem muito intelectual opinando, mas a academia está muito distante da vida, produzindo análises vazias. Lidam mais com conceitos do que com a realidade. Falam muito sobre livros, em vez de falar e escrever sobre o processo da vida. Houve, sim, um afastamento da academia desses desafios. A situação do País é boa, a começar pela situação econômica e social, e isso paralisa muita gente, mas a academia é que tem de manter o senso crítico, alertar, dizer o que está acontecendo e que merece reparos.

14 de set de 2010

FIDEL CASTRO AFIRMA QUE SARKOZY PARECE ESTAR FICANDO LOUCO...

13 de Setembro de 2010 • 02h25 • atualizado às 03h35 - Terra Notícias

O ex-presidente cubano Fidel Castro afirmou na última de suas reflexões que "parece" que o presidente francês, Nicolas Sarkozy, está ficando louco, supostamente por causa de sua política de expulsão de ciganos romenos.
A reflexão de Castro, publicada nesse domingo no site Cubadebate, é dedicada hoje à França, tanto pelas expulsões de ciganos como por seu poder nuclear, que consiste, segundo Fidel Castro, em 300 bombas que só podem ser acionadas com chaves guardadas em uma valise que fica com o próprio Sarkozy.
"Suponhamos que Sarkozy de repente fique louco, como parece ser que está acontecendo. Que faria nesse caso o Conselho de Segurança das Nações Unidas com Sarkozy e sua valise?", se pergunta Castro.
O ex-presidente, de 84 anos e muito ativo desde que voltou à vida pública, em julho último, após quatro anos de doença e convalescença que o fizeram ceder o poder a seu irmão Raúl, já havia provocado os protestos da França quando na sexta-feira passada qualificou de "Holocausto racial" a política do governo francês a respeito dos ciganos.
Castro se pergunta "o que acontecerá se a extrema direita francesa decidir obrigar Sarkozy a manter uma política racista em contradição com as normas da Comunidade Europeia", e acrescenta que o Conselho de Segurança da ONU deveria se pronunciar tanto sobre esta questão como sobre o poderio nuclear francês.
Do mesmo modo, se pergunta se faz sentido moral e ético lançar um ataque contra o Irã pela qual ele chama "suposta intenção" de fabricar uma arma atômica.

UMA EXEMPLO A SER SEGUIDO PELA NOSSA CATEGORIA PROFISSIONAL

Boa Noite, Nobres Colegas:
No dia 26/08/2010 foi sancionada a Lei Federal n. 12.317 a qual estabelece que a carga horária mensal dos(as) Assistentes Sociais será de 30 horas, devendo as empresas privadas e instituições públicas se adequarem a nova lei sem reduzir os salários das Assistentes Sociais.
Eis aí uma boa causa para os Sindicatos de Sociólogos e a Federação aderirem e lutarem em prol de nossa categoria profissional não é mesmo?

7 de set de 2010

ELEIÇÕES-2010: UMA BREVE REFLEXÃO SOBRE OS REFERENCIAIS AMOSTRAIS ESTATÍSTICOS UTILIZADOS PELOS ÓRGÃOS DE PESQUISA.

As pesquisas realizadas pelo IBOPE/TV Globo e pelo Vox Populi/Band/iG divulgadas hoje, 07 de Setembro de 2010, indicaram os seguintes resultados:

A) IBOBE/TV Globo (realizada entre os dias 31 de agosto e 2 de Setembro, levantamento foi realizado por encomenda da TV Globo e do Jornal "O Estado de S. Paulo" e ouviu 3.010 pessoas em 204 municípios brasileiros no período): a candidata do PT, Dilma Rousseff, possui 51% das intenções de voto, seguida pelo candidato do PSDB, José Serra, que aparece com 27% da preferência dos eleitores. Marina Silva, do PV, aparece com 8% das intenções de voto dos brasileiros na pesquisa;
B) Vox Populi / Band / iG (realizada diariamente pelo iG, ouve novos 500 eleitores a cada dia, com amostra totalmente renovada a cada quatro dias, quando são totalizados 2.000 entrevistados): Dilma Rousseff obteve 56% e o tucano José Serra 21% das intenções de voto. A candidata Marina Silva (PV), terceira colocada, manteve-se com 8% das intenções de voto. Brancos e nulos são 4%, indecisos somam 10%, mesmo índice do levantamento do dia anterior, e os outros candidatos têm 1%.
Gostaria de abordar neste momento, no blog, algo que não é de hoje que é debatido no Brasil: o referencial amostral das pesquisas!
Estatisticamente falando, de acordo com objeto a ser pesquisado e às diferentes formas de abordagem, sistemas e processos amostrais a serem utilizados, recomendam-se diferentes percentuais de amostragem a serem usados para que uma amostra possa ser realmente considerada confiável no aspecto de representatividade do universo!
Mas, a realidade é que vemos institutos de pesquisas publicando resultados de pesquisas que são realizadas com (pasmem) 0,00000...de representatividade da população brasileira votante e, sem revelar ao público os parâmetros técnicos (sistemas e processo de amostragem, etc) e as fundamentações científicas usadas!
A realidade ainda se agrava quando ficamos sabendo que, conforme Altamiro Borges relata em seu livro (A Ditadura da Mídia - Ed. Anita Garibaldi), a mídia mundial é dominada por apenas 40 grupos e no Brasil apenas nove famílias dominam 80% dos meios de comunicação!
Acrescentemos a esta realidade o fato de que, conforme relatos do Observatório da Imprensa e da Transparência Brasil “o Senado é a Casa Legislativa brasileira com o maior número proporcional de detentores de concessões de rádio e TV – no total são 23 Senadores, ou 28,4% do total da casa” e, “a maior concentração acontece entre os representantes do Nordeste, dos quais 14 detêm concessões de radiodifusão, correspondendo a 51,9% dos Senadores nordestinos e a 17,2% do total de Senadores do País”!
Estes dados nos revelam que não a toa que governantes socorram empresas de mídia que estão em processo de falência e que os regimes políticos que existiram e existem no mundo (desde os totalitários aos democratas), do seu jeito, procuraram e procuram até hoje, de forma direta ou indireta, em maior ou menor grau, influenciar e controlar as diferentes formas de mídia!
Também não é a toa que os(as) candidatos(as) de partidos políticos menores, de forma justa, reclamem acerca da falta de democracia no que diz respeito ao tempo de exposição na mídia que eles possuem o qual é insignificante quando comparado ao tempo dos grandes partidos políticos!
É importante ressaltar, que também não é de hoje que se sabe dos efeitos dos erros (propositais ou não) e das manipulações das pesquisas de intenções de voto, assim como os seus resultados podem não refletir a realidade e, o mais grave, como podem até servir de manipulação num País como o Brasil cuja população, infelizmente, ainda não mudou o hábito cultural eleitoral de “não votar em quem não tem chance de ganhar para não perder o voto”! Só para citar um fato passado das manipulações e erros dos institutos de pesquisa, quem não se lembra que, em Recife, quando o Ex-Prefeito João Paulo ganhou pela primeira vez para Prefeito, as pesquisas divulgadas pela mídia apontavam Roberto Magalhães como eleito no primeiro turno e com ampla maioria dos votos?
Mas, alguém pode argumentar: sairia muito caro fazer pesquisa como recomenda o “figurino estatisticamente correto”... Porém, respondemos que não, pois os custos estão relacionados com uma boa estratégia de logística, que o diga a experiência do IBGE em relação aos Censos!
Vale ainda salientar que, num País que gasta tanto a fundo perdido com o processo eleitoral e cujos partidos políticos gastam quantias absurdas e astronômicas com propagandas e marqueteiros, com certeza, não sairia caro fazer pesquisa eleitoral eticamente correta, até porque é o dinheiro do(a) cidadão(a) brasileiro(a) que custeia toda esta farra e, assim, já que pagamos as contas, merecemos pelo menos o respeito de não sermos manipulados por interesses sejam eles quais forem, não é mesmo? Logo, se vivemos num regime dito democrático e, se sou eu quem pago as contas, gostaria de ter o direito de ouvir a todos(as) os(as) candidatos(as) e suas propostas de forma igual, algo que só é possível se todos(as) tiverem direito ao mesmo tempo de exposição na mídia, para que assim, então, eu não sofra a violência institucionalizada de tentativa de violação e manipulação de minha consciência crítica seja por quem quer que seja!
Finalizando, não seria, assim, bom, que a sociedade e os poderes constituídos tomassem a iniciativa em corrigir as falhas que apresentamos nestas breves considerações realizadas, falhas estas as quais há tanto tempo a sociedade brasileira reclama? Como um dos exemplos, que tal o IBGE passar a ser o responsável por estas pesquisas ou, então, que tal os institutos de pesquisa ter a obrigação de publicar de forma detalhada as fundamentações e os procedimentos científicos que atestem a seriedade e validade de suas pesquisas?
Aliás, apenas ainda lembrando, não seria bom também, já que vivemos sob o “Regime do Contrato Social”, que os(as) candidatos(as) fossem obrigados a registrarem seus planos de governo com suas propostas em Cartório e, caso não cumprissem suas promessas (parcialmente ou totalmente) sofressem sanções e fossem penalizados com medidas diversas inclusive com a perda do mandato?
Eu não tenho a menor dúvida que estas são algumas das importantes ações que em conjunto com o voto distrital e outras medidas, enquanto não acontecerem, jamais o Brasil avançará para ser, de fato, um País verdadeiramente cada vez mais democrático, como também não tenho dúvida alguma que se tais medidas já existissem os resultados das pesquisas e das eleições poderiam ser bem diferentes!
Também não tenho dúvidas de que os regimes políticos no mundo, sejam eles quais forem, dependendo das atitudes dos(as) cidadãos(as), podem ou não ser como fábulas de faz de conta com diferentes atores e atrizes visíveis e invisíveis, cabendo a nós nos conscientizarmos, pressionarmos e fazermos a nossa parte seja pelo voto consciente, etc, para que, assim, modificações reais e benéficas sejam alcançadas em prol da coletividade humana em todas as dimensões existenciais e, assim, também deixemos de ser crianças seduzidas por contadores(as) e promotores(as) de mundos de faz de conta, ou seja, de fábulas socioeconômicas-políticas...!

Carmem, 07/09/2010.

NOTÍCIAS DA SOCIOLOGIA

No dia 31 de agosto de 2010, no Hotel Nacional de Brasília aconteceu uma reunião de trabalho dos Articuladores Estaduais/Regionais, convocados pelo Conselho Nacional da Assistência Social - CNAS. Estavam presentes o presidente do CNAS, Carlos Ferrari, representante do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, e demais representantes de trabalhadores dos Conselhos de Assistência Social, e representantes de organizações relacionadas à assistência social nas suas áreas específicas. A nossa participação se deu através da FNS - Federação Naconal de Sociólogos e a articulação nacional no âmbito do debate sobre quem são os profissionais que, nas suas áreas específicas contribuem ou, podem contribuir para a assistência social de forma não assistencialista no Brasil, através do SUAS, para os próximos anos.

SOCIÓLOGOS ARTICULADORES

Rivaneide Nogueira, diretora-presidente do SINSPE, na Reunião de Trabalho dos Articuladores Estaduais/Regionais do SUAS, 31 de agosto de 2010, Hotel Nacional, Brasília.

4 de set de 2010

UMA NOVA FORMA DE DAR AULA E DE APRENDER

Aos Colegas Professores(as) e Alunos(as), Assim Como Eu Sou (Professora e Eterna Aprendiz):

Alguém já assistiu ao Programa da TV Educativa "Tô Sabendo" que ocorre todos os Sábados a patir das 17:30 horas?
Quem dera que todas as aulas do jardim de infância às faculdades e universidades em todas as áreas do conhecimento (secular, religiosa, etc) fossem como a do "Tô Sabendo"...

2 de set de 2010

COMUNIDADE INTERNACIONAL INAUGURA ACADEMIA CONTRA CORRUPÇÃO

Terra Notícias - 02 de Setembro de 2010

A comunidade internacional conta a partir desta quinta-feira com uma Academia contra a Corrupção para formar autoridades na luta contra este mal, inaugurada perto de Viena pelo Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.
A academia IACA, instalada em Laxenburg, a poucos quilômetros da capital austríaca, formará tanto funcionários do setor público como do privado. Esta nova instituição, que tem o status de organização internacional, conta com o apoio da Agência das Nações Unidas contra as Drogas e o Crime (ONUDC), da agência antifraude OLAF da União Europeia (UE) e do governo austríaco.
A assinatura do documento fundador, por 35 países, aconteceu diante de 600 representantes do mundo inteiro.
O Banco Mundial calcula que a corrupção a nível mundial representa mais de um trilhão de dólares.
* Para refletirmos, chamamos atenção apenas para um detalhe: resta saber se o Brasil e os outros Países vão assinar termos de cooperação com esta instituição e, se estes termos de cooperação não possuirão restrições que impossibilitem que esta instituição tenha liberdade de acesso à veracidade de documentos e fatos referentes, por exemplo, aos Paraísos Fiscais Mundiais, e, assim, tenham, portanto, plena liberdade para investigações e para serem isentas de amarras e manipulações das confrarias de sociedades secretas, de corporativismos de partidos políticos, etc, pois, como alguém já disse, "a exatidão e verdade acompanham a probidade" (Marquês de Maricá,18.05.1773 - 16.09.1848).
Caso isto não aconteça, teremos apenas mais uma instituição burocrática mundial, com grandes escalões ganhando altos salários pagos pelos Países e que apenas farão de contas que investigam...