CIÊNCIAS SOCIAIS

CIÊNCIAS SOCIAIS

24 de mai. de 2011

MOVIMENTO PRÓ-CIDADANIA: PRIMAVERA EUROPÉIA NASCIDA NA ESPANHA CRUZA FRONTEIRA COM FRANÇA

24 de maio de 2011 • 17h07


O movimento cidadão impulsionado por jovens espanhóis que exigem uma verdadeira democracia e uma distribuição melhor de renda está se transformando em uma "primavera europeia" que também chegou à França, onde estão previstas doze concentrações em diversas cidades.
"Nós nos mobilizamos em solidariedade aos jovens espanhóis, para seguir seu exemplo e defender nossa dignidade", explicou à AFP Benjamin Ball, integrante do grupo "Os desobedientes", que esta semana convocou concentrações similares em pelo menos doze cidades da França, de Nantes, Rennes, Paris e Clermont Ferrand a Bordeaux, Bayonne e Perpignan.
Já na noite desta terça-feira, em Paris 200 jovens se reuníam na Praça da Bastilha em apoio aos manifestantes espanhóis, constatou um jornalista da AFP.
Na esplanada da Ópera Bastilla, em calma, os jovens mostraram cartazes, com inscrições em francês, inglês e espanhol, que diziam "Povo de Paris, avante!" ou "Democracia real!".
Um dos organizadores, Alex Merlo, declarou: "Estamos aqui para difundir o movimento espanhol, apoiá-lo e mostrar que é possível fazer o mesmo na França".
A queda do nível de vida, o desemprego, os planos de austeridade impostos aos cidadãos, os cortes de salários e a falta de representatividade dos principais partidos políticos são alguns dos fatores que desencadearam os protestos pacíficos espanhóis, semelhantes à "Primavera Árabe" de meses atrás, que foi gerada por condições mais extremas sob regimes autoritários.
"Esperamos duas coisas deste movimento: uma redefinição das regras democráticas e a convocação de uma assembleia constituinte, e uma distribuição de renda melhor porque vivemos na precariedade", disse Benjamin, de 26 anos, trabalhador autônomo que vive na periferia sul de Paris.
Com o título "Democracia real já", o site em francês www.reelledemocratie.com indica que "desde a crise financeira de 2008, nossos governantes decidiram submeter os povos em vez de fazer os bancos pagarem".
"As democracias europeias foram sequestradas pelos mercados financeiros", indica o manifesto do grupo francês em palavras semelhantes às do manifesto da Porta do Sol.
"Nos identificamos nas aspirações do povo espanhol", asseguram.
Uma "política participativa e cidadã" e sua rejeição "ao bipartidarismo e à corrupção política" exige em seu manifesto o movimento parisiense de apoio ao 15-M espanhol, mencionando a adesão de diversas ONGs.
"Espanha, Portugal, Grécia e Irlanda foram atingidos em cheio pelas políticas anti-sociais da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional aplicadas na ausência de um debate democrático", indicou a ONG francesa ATTAC.
"Os indignados" da Espanha e da França, inspirados no best-seller do ex-diplomata e resistente francês Stéphane Hessel, nascido em outubro de 1917, que desde a sua publicação em 2010 vendeu três milhões de exemplares, convocaram uma "grande" manifestação no próximo domingo na praça da Bastilha, como parte do movimento que se estende pela Europa, embora timidamente por enquanto.
Segundo Benjamin Ball, o movimento atual aponta para uma "coordenação maior" entre as concentrações em Lisboa, Berlim, Londres e Roma.
Uma visão semelhante foi manifestada por alguns jornais franceses desta terça-feira.
O movimento de jovens espanhóis que há uma semana ocupam "espontânea, pacífica e alegremente" a madrilenha Porta do Sol poderá "ser traduzido rapidamente para outras línguas europeias se os governos da União (Europeia) de esquerda e direita continuarem oferecendo aos seus cidadãos apenas a perspectiva infinita do rigor econômico", indica o Liberation.
"Os espanhóis (....) indicam o caminho da insurreição", informou o diário comunista francês L''Humanité que, assim como o Liberation, dedica sua capa aos "Indignados!" e a uma "rebelião que se estende para além das fronteiras".


Fonte: Terra Notícias

23 de mai. de 2011

PRINCIPAIS PONTOS DA REFORMA POLÍTICA BRASILEIRA

Anteprojetos Apresentados pela Comissão da Reforma Política:

PROPOSTAS DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO:

Suplência de Senador: reduz de dois para um o número de suplentes de senador e veda a eleição de suplente que seja cônjuge, parente consaguíneo ou afim, até o segundo grau ou por adoção do titular.
Data de posse e duração de mandato: estabelece mandato de cinco anos para presidente da República, governador e prefeito. O primeiro tomará posse em 15 de janeiro e os dois outros cargos em 10 de janeiro
Fim da reeleição: torna inelegível presidente da República, governador e prefeito para os mesmos cargos, no período subseqüente.
Coligações: permite coligações eleitorais apenas nas eleições majoritárias (presidente da República, governador e prefeitos).
Candidatura avulsa: acaba com a exigência de filiação partidária para candidatos em eleições municipais.
Sistema eleitoral: institui o sistema eleitoral proporcional de listas preordenadas nas eleições para a Câmara dos Deputados, respeitada a alternância de um nome de cada sexo.
Referendo: estabelece que lei ou emenda constitucional que altere o sistema eleitoral seja aprovada em referendo para entrar em vigor.

PROJETOS DE LEI DO SENADO:



Domicílio eleitoral: veda a transferência de domicílio eleitoral de prefeitos e vice-prefeitos durante o exercício do mandato.
Fidelidade partidária: prevê a perda de mandato por desfiliação partidária em casos nos quais não se configure incorporação ou fusão de legenda, criação de novo partido, desvio de programa partidário e grave discriminação pessoal.
Cláusula de desempenho: inclui entre os critérios em vigor para funcionamento partidário na Câmara eleger e manter filiados no mínimo três deputados, de diferentes estados.
Financiamento público de campanha: destina recursos ao Tribunal Superior Eleitoral em valor correspondente a R$ 7,00 por eleitor inscrito, a serem aplicados exclusivamente por partidos políticos e respectivos candidatos nas campanhas eleitorais.

Fonte: http://www.senado.gov.br/noticias/especiais/reformapolitica/

13 de mai. de 2011

E ASSIM CAMINHA A EDUCAÇÃO PÚBLICA NO ESTADO DE PERNAMBUCO



Com a presença do Secretário de Administração (Ricardo Dantas) e do Secretário de Educação (Anderson Gomes) e a Comissão, aconteceu dia 11 às 8 horas a primeira rodada de negociação com o governo do Estado. Porém, para decepção geral, nada de novo foi acrescentado, o governo ainda "não sabe" como distribuir os R$ 71.053 milhões que cabem à Educação. Proposta alguma foi apresentada, falou-se na intenção de enxugar mais uma vez no Plano de Cargos e Carreiras, (claro que, para piorar a o que já está ruim), ou, conceder progressões pontuais para os servidores que recebem P.I.R ou seja, para àqueles que, com a mexida no Plano passaram a receber complementação para não haver redução salarial. Mostrou-se muitos números ,muitos investimentos governamentais, muita propaganda e, nenhuma intenção em resolver as questões financeiras da Pauta de Reivindicação da Categoria. Quando colocou-se a contradição do crescimento econômico do Estado que tem um Produto Interno Bruto superando a média nacional, o Secretário de Administração rebateu dizendo que, " Pernambuco tem fama de rico mas, a receita é de pobre" . Ora, então o que dizer da propaganda alardeada pelo governo em diferentes mídias? Para onde mesmo caminha o crescimento econômico do Estado?
E ainda, para matar nossa esperança na perspectiva de valorização profissional, o Secretário acrescentou: "2009 foi um ano de crise, 2011 é um ano de restrição, é um ano duro". Lembrem-se que,a crise de 2009 serviu de alegação para que o governo decretasse reajuste zero para o conjunto dos servidores.
Com o Secretário Anderson Gomes, discutiu-se outros pontos da Pauta como por exemplo a questão dos contratos temporários e a chamada imediata dos aprovados no último concurso, restauração da infra estrutura das escolas (parte elétrica, rede de esgoto, abastecimento d'água, cozinha, etc.), falta de mobiliário novos nas escolas, diários de classe, eleições diretas para gestores das unidades de ensino, entre outros. Segundo o Secretário Anderson Gomes, muita coisa deixa de ser resolvida no âmbito escolar porque não chega ao conhecimento da Secretaria, disse que, muitos diretores por questões diversas, omitem os problemas da escola e não enviam ofícios fazendo as devidas solicitações. Afirmou que, muita vem à saber quando surge na imprensa. Adiantou que foram compradas 70 mil cadeiras e que, esta semana 4 mil deverão chegar às escolas. Sem nada definido, e, sem nova reunião agendada, concluiu-se o primeiro capítulo da "rodada de negociação" com o governo do Estado. Assim, fica a Comissão no aguardo para o próximo chamado.
TEXTO DA COMPANHEIRA MARIA ALBENIA SILVA

É companheiros até quando a Educação vai ser tratada com esse descaso pelo Estado que teve um crescimento maior que a marca do país.
Realmente não dá pra entender por que Pernambuco insiste em pagar o PIOR SALÁRIO DO PAÍS AOS PROFESSORES.

11 de mai. de 2011

FAO: 1/3 DOS ALIMENTOS PRODUZIDOS POR ANO NO MUNDO É DESPERDIÇADO

Cerca de um terço dos alimentos produzidos a cada ano no mundo para o consumo humano, aproximadamente 1,3 bilhão de toneladas, se perde ou é desperdiçado, segundo aponta um estudo da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).
A pesquisa da FAO, divulgada nesta quarta-feira em comunicado, tem por título "Global Food Losses and Food Waste" (Perdas e Desperdício de Alimentos no Mundo) e foi encomendada pelo instituto sueco de alimentos e biotecnologia (SIK).
O estudo faz uma diferenciação entre perdas de alimentos (que podem acontecer nas fases de produção, colheita ou processamento) e desperdício, um problema mais presente nos países industrializados, causado na maioria dos casos tanto pelo comércio no varejo como por consumidores que jogam mantimentos ainda comestíveis no lixo.
Segundo o estudo, os países industrializados e aqueles em desenvolvimento desperdiçam mais ou menos a mesma quantidade de alimentos: 670 e 630 milhões de toneladas, respectivamente, a cada ano.
O desperdício anual de alimentos nos países ricos por parte dos consumidores, 222 milhões de toneladas, se aproxima muito da produção líquida de alimentos da África Subsaaariana (230 milhões de toneladas).
As frutas e hortaliças, assim como as raízes e tubérculos, são os alimentos com a maior taxa de esbanjamento e a quantidade de mantimentos que se perde ou desperdiça a cada ano equivale a mais da metade da colheita mundial de cereais (2,3 bilhões de toneladas em 2009-2010).
"A produção total de alimentos ''per capita'' para o consumo humano se situa em cerca de 900 quilos anuais nos países ricos, mais do que o dobro dos 460 quilos produzidos nas regiões mais pobres", afirma a FAO na nota.
"Nos países em desenvolvimento, 40% das perdas ocorre nas fases de pós-colheita e processamento, enquanto nos países industrializados mais de 40% das perdas se dá no nível das vendas a varejo e do consumidor", acrescenta.
"Em nível da venda a varejo também se desperdiçam grandes quantidades de alimentos devido às normas de qualidade que dão excessiva importância à aparência. As pesquisas indicam que os consumidores estão dispostos a comprar produtos que não cumpram as exigências de aparência caso não sejam nocivos e tenham um bom sabor", indica a agência das Nações Unidas.
A FAO aposta ainda pela educação nas escolas e iniciativas políticas que mudem a atitude dos consumidores nos países ricos, para que planejem de forma mais adequada suas compras de alimentos.


FONTE: Terra Notícias

7 de mai. de 2011

XXVIII CONGRESSO ALAS EM RECIFE

XXVIII Congresso ALAS Convocatória (português)

Site oficial: alas2011recife.com

Fronteiras Abertas da América Latina”

Recife – 06 a 10 setembro de 2011


No ano de 2011 a ALAS completa 60 anos de existência na renovação contínua de seus congressos. Nesta trajetória, constituiu-se numa referência importante para o pensamento crítico latino-americano e continua a sê-lo no momento presente. Neste século XXI, os desafios da América Latina e do Caribe na organização de um planeta mais equitativo, justo e plural vêm se ampliando, colocando-nos novos desafios.

A crise global vem obrigando a América Latina a renovar sua compreensão sobre si mesma e sobre o mundo, sobretudo quando ela passa a ser vista pelas forças progressistas, em nível mundial, como um lócus renovador, por excelência, dos movimentos sociais, políticos, culturais e intelectuais. Também, a América Latina é fonte de recursos naturais e ambientais fundamentais para a sobrevivência da espécie humana, o que é decisivo em uma conjuntura mundial de escassez de alimentos e fontes energéticas. Nesta mesma direção, é de se ressaltar que o português e o espanhol constituem em conjunto as bases de uma importante comunidade lingüística que ancora parte significativa da produção cultural mundial.

A percepção do significado da América Latina nas atuais reconfigurações do mapa mundial é tarefa que urge e chama à reflexão esta comunidade de sociólogos ao lhes propor revisões de seus paradigmas, reconhecidos, enfim, como tendo se pautado em binarismos que pouco ajudam à compreensão dos processos híbridos, das liminaridades, das tensões, das fronteiras, das criações que têm seu lugar num continente que não se explica unicamente por meio dos manuais secularmente consagrados. A nós é exigido o esforço hercúleo de legitimar narrativas ainda inéditas sobre nós mesmos.

Ora, ainda há muito que se fazer para nos percebermos como “nós”, latinos, e favorecer a ampliação do leque de atores e pesquisadores que interrogam a América Latina. Há desafios importantes para se avançar numa práxis teórica renovadora que articule o pensamento e a ação, que coordene as instituições sociais, políticas, culturais, artísticas, econômicas e jurídicas com vistas à produção de um pensamento democrático e plural contemplando o local, o nacional, o pós-nacional, transnacional e suas metamorfoses. Entre as áreas a serem incorporadas ao pensamento latino-americano há de se ressaltar os estudos sobre as regiões da América Latina que permanecem ainda não suficientemente discutidas, a exemplo do norte e o nordeste da América do Sul, entre outras. Essas regiões são palco de profundas transformações sócio-econômicas, culturais e ambientais que têm impacto sobre o conjunto da América Latina, e, igualmente, de importantes mobilizações políticas e intelectuais voltadas para questionar em profundidade as raízes das desigualdades e injustiças sociais em planos diversos: étnico, econômico, de gênero, geracional e religioso. Há de se interrogar e contrapor, pois, com certa urgência, os vários campos de saberes e experiências liberadoras que ocorrem dentro e fora dessas regiões.

Nesta linha de reflexão, a escolha da cidade do Recife para a realização do XXVIII Congresso ALAS “Fronteiras Abertas da América Latina”, em 2011, tem uma importância simbólica e estratégica particular. Recife é uma importante metrópole histórica e econômica cujas origens remontam aos primeiros séculos da colonização ibérica, mantendo-se, até hoje, como importante centro cultural e intelectual. Entre os principais intelectuais e homens de ação que aqui desenvolveram parte significativa de suas obras estão Abreu e Lima, Joaquim Nabuco, Gilberto Freyre, Josué de Castro, Paulo Freire, Celso Furtado, Dom Helder Câmara e Miguel Arraes. Do ponto de vista geopolítico, a localização da cidade do Recife possibilita-nos articular as diversas cidades do norte e nordeste brasileiro, desde Manaus até Salvador, que guardam as memórias da colonização e da luta anticolonial. As lutas e mobilizações que ocorrem nessas áreas não se restringem a suas delimitações geográficas, mas se conectam com outras regiões do continente latinoamericano. A questão amazônica, para tomar o exemplo de uma das grandes regiões latino-americanas, não é apenas brasileira, do mesmo modo que a questão ambiental do nordeste não toca apenas os estados desta região. As desigualdades sociais, os desequilíbrios ecológicos, a fome e a miséria assim como a presença dos movimentos sociais que combatem este estado de precariedade, refletem situações mais amplas que concernem cada país e cada região da América Latina e do Caribe. Nesse sentido, a idéia de FRONTEIRAS ABERTAS como palavra-chave da ALAS 2011 justifica-se pela importância de se colocar como pauta de pesquisa e debate público atores, práticas, instituições e saberes que evidenciam os limites dos nossos modelos analíticos.

O propósito do ALAS 2011 é de consolidar os esforços de articulações realizados em Buenos Aires, Guadalajara, Porto Alegre, Arequipa, Antígua, São Paulo e demais encontros anteriores, ampliando a construção do pensamento crítico latino-americano. Neste sentido, há que se favorecer parcerias e cooperações entre países e regiões nas quais vêm se desenvolvendo novos saberes e práticas implicados com a construção democrática numa gramática moral cujo “bem viver”, de diversos, se traduz no alcance de metas coletivas em torno da dignidade humana.

O contexto de grandes mudanças geradas pela crise global e a organização de experiências marcadas pela reação anti-neoliberal contribuem para a reflexão sobre os modelos de desenvolvimento em termos culturais, políticos, econômicos da América Latina e sobre os modos de cooperação igualitária com outros blocos continentais, no diálogo Sul-Sul, atento a tais questões, o XXVIII Congresso ALAS “Fronteiras Abertas da América Latina” propõe cinco temas centrais, a saber:

• Memórias, entre o passado e o futuro.
• Políticas públicas e identidades, entre as singularidades e as universalidades.
• Modernidades alternativas: política, cultura e sociedade na América Latina, África e Ásia.
• Disciplinaridades dialógicas, entre o humanismo reflexivo e a variedade epistemológica e técnica.
• Amazônia e ecossistemas, entre a depredação econômica e a sustentabilidade planetária.

1. Memórias, entre o passado e o futuro.

A América Latina tem uma importante tradição de autores e atores que se dedicaram a construção de um pensamento voltado para a compreensão de nossos dilemas fundamentais. A releitura crítica desta tradição intelectual e das lutas sociais constituem um aspecto a ser considerado na análise dos novos cenários culturais, políticos, econômicos que desafiam a inteligência latino-americana no presente com vistas à construção de um futuro.
Cabe debater as tensões intelectuais fundadoras das ciências sociais para formular teorias, metodologias, epistemologias e éticas, ao mesmo tempo em que encoraje a incorporação de novos conteúdos e novas práxis sociais na produção do conhecimento.

2. Políticas públicas e identidades, entre as singularidades e as universalidades.

Desde a segunda metade do século XX, a América Latina constituiu o palco de grandes lutas democráticas, algumas sendo conduzidas dentro dos cânones institucionais e jurídicos, outras se insurgindo contra tais cânones. Essas lutas foram e são vividas pelos camponeses, povos indígenas, quilombolas, mulheres, crianças e idosos excluídos, trabalhadores sem-terra, sem-teto e sem direitos à participação nos mecanismos de distribuição dos bens de cidadania. Ricas trajetórias nos impõem a tarefa de analisar os avanços e as resistências nas lutas dos diversos povos, movimentos sociais e culturais em diferentes áreas como as das economias plurais, as de gênero, etnias e novas religiosidades. Tal conjuntura demanda mudanças no nível do Estado, fazendo emergir e consolidar direitos mediante políticas públicas inovadoras, a serem examinadas. Frente a esse quadro, o XXVIII Congresso ALAS se propõe a impulsionar conhecimentos transversais que contemplem a diversidade de experiências em diferentes planos analíticos.

3. Modernidades alternativas

Política, cultura e sociedade na América Latina, África e Ásia.
A pretensão de um universalismo iluminista capaz de colonizar todas as áreas do planeta teve como reação a liberação de forças antiutilitaristas, descolonizadoras e pós-coloniais que ainda lutam pela releitura de tradições e por modalidades próprias de inserção no mundo globalizado, como sujeitos. Faz-se necessário cultivar um diálogo visando compartilhar as universalidades possíveis geradas por forças intelectuais e políticas criativas que se expandem na América Latina, África e Ásia, expressão das novas fronteiras geopolíticas. Os esforços de democratização implicam a valorização de modo mais transparente e eqüitativo das diversidades no interior das universalidades. Há que se construir, por conseguinte, um diálogo de novo tipo entre os diversos atores transnacionais, ampliando a compreensão coletiva sobre a América Latina e sobre o diálogo Sul-Sul.

4. Disciplinaridades dialógicas, entre o humanismo reflexivo e a variedade epistemológica e técnica

Diante do cenário contemporâneo de rápidas mudanças, coloca-se a urgência de repensar as instituições acadêmicas e os campos de saberes, assim como as articulações entre saberes locais e saberes universais, e interrogar sobre a delimitação de fronteiras entre saberes e entre pesquisa, ensino e extensão.
No plano epistemológico, o trabalho de organização de novos conhecimentos deve permitir articular saberes reflexivos e informações técnicas e pragmáticas do mesmo modo que deve favorecer novas modalidades discursivas entre ciência e arte, entre ciência e tecnologia, entre ciência e movimentos sociais, entre ciência, direitos humanos e bioética. No plano científico e tecnológico, pensar a instauração de direitos sociais universais e participação na criação de conhecimentos, motivações éticas e universalidades na apropriação pública e social do saber.
Se as singularidades não têm que ser reificadas em assimetrias e as diferenças não equivalem a desigualdades imutáveis, nossos estudos até então erguidos sobre as virtudes da civilização ocidental estão desafiados a dar conta, hoje, da civilização planetária, que não se pretende homogênea, mas se deseja plural e justa, com a verbalização das significações de mundo também daqueles historicamente silenciados. A transdisciplinaridade e as redefinições do colonial x moderno longe de projetar essencialismos e fundamentalismos espera inaugurar releituras de pensadores clássicos e contemporâneos capazes de configurar uma intervenção epistêmica e política a fundar uma intersubjetividade mais ampliada entre pessoas, povos, línguas, experiências e projetos de vida.

5. Amazônia e ecossistemas, entre a depredação econômica e a sustentabilidade planetária

A realização do XXVIII Congresso da ALAS na cidade do Recife é um momento importante para se incorporar como problemática sociológica o “patrimônio dialógico” que representou o Fórum Social Mundial, em Belém (2009), no que diz respeito à luta contra a depredação do meio ambiente, aos conflitos decorrentes da ameaça aos territórios e às culturas de povos indígenas e camponeses e ao imbricamento entre a depredação ambiental e os conflitos sociais. Essa é uma base para uma refletir sobre conflitos, contradições, proposições e articulação de atores e instituições voltadas para a busca da sustentabilidade social e ambiental na América Latina e no Caribe.
A gestação da sociologia latino-americana
Considerando que a América Latina é cada vez mais visualizada como um cenário de grandes mudanças do Século XXI, compreende-se que a ALAS assuma papel de destaque nesse debate na medida em que sua tradição constitui o próprio aval necessário para se promover o novo pensamento crítico nas diversas linhas de ação e reflexão acima sugeridas.
Enfim, há que se assinalar que Recife é uma cidade que tem sua história marcada pelas águas. Águas das navegações marítimas e das navegações ribeirinhas. Águas de seus mangues e rios. Nos versos dos poetas e músicos recifenses as águas lembram sempre os sonhos e esperanças de novos mundos. Esta mensagem que é a própria imagem do Recife serve também como metáfora de outra América Latina possível, como emblema dos sonhos de um mundo latino-americano mais amistoso e justo.

A construção do conhecimento latino-americano neste século XXI exige o desafio de se atravessar as águas da história e dos horizontes possíveis. Assim, com este espírito de renovação que nos oferece as águas dos mares e dos rios que atravessam Recife, o Comitê Organizador agradece a todos os comitês que o antecedeu e prepararam as bases para o XXVIII Congresso ALAS “Fronteiras Abertas da América Latina”, em setembro de 2011, na cidade do Recife, dizendo aos que nos lêem/ouvem: sintam-se bem-vindos ao diálogo!

5 de mai. de 2011

CIBERESPAÇO É TERRENO DE GUERRA...

ANA ÁVILA
ISABEL MARCHEZAN
Direto de São Paulo

Alec Ross acredita no poder do povo. E que esse poder vem da internet. O conselheiro Sênior para Inovação da Secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirma que o Twitter tira poder das instituições e o coloca nas mãos dos cidadãos, e foi assim que governos caíram no mundo árabe recentemente. Com 38 anos e 341 mil seguidores no Twitter, Ross sabe que as mesmas ferramentas podem ser usadas para o bem e para o mal, e afirma que o governo americano está alerta para a ameaça terrorista, que é potencializada no ciberespaço. "O ar, a terra, o mar e o ciberespaço são lugares onde uma guerra pode ser travada", diz.
Formado pela Universidade de Northwestern, Ross trabalha para Barack Obama desde as prévias do Partido Democrata nas eleições de 2008. Antes disso, ele fundou com colegas da faculdade a One Economy, uma organização sem fins lucrativos que leva tecnologia e informação aos quatro continentes. Com a missão de pregar a liberdade na internet e ensinar como a diplomacia pode fazer uso das novas tecnologias, incluiu nesta semana o Brasil em seu extenso roteiro de viagens.
Na última quarta-feira, o conselheiro de Hillary se encontrou em Brasília com os ministros de Educação e de Ciência e Tecnologia, Fernando Haddad e Aloizio Mercadante, além do porta-voz da presidente Dilma Rousseff, Rodrigo Baena. Horas antes de embarcar de volta para Washington, na tarde de quinta-feira, ele encontrou empresários de internet em São Paulo e conversou com o Terra. A seguir, os principais trechos da entrevista.
As mídias sociais e a internet são um componente muito importante dos movimentos políticos recentes no mundo árabe. O senhor vê esses movimentos como pontos de virada na cultura política desses povos?
Uma coisa que a internet faz é dar o poder de governos e grandes instituições aos indivíduos e a pequenas instituições. A internet muda como o poder é distribuído. Nos Estados Unidos, isso foi bom para Barack Obama. A internet permitiu a alguém relativamente novo na política se tornar poderoso de uma forma que não teria sido possível 10, 20 anos atrás. O que vemos no Oriente Médio é poder indo de Estados autoritários para indivíduos, de uma forma que considero profunda. Estas ferramentas vão dar às pessoas a habilidade de ser parte da mudança ou de forçar a mudança. Se você dissesse seis meses atrás que as ditaduras no Egito ou na Tunísia seriam expulsas por pessoas usando a internet, a maioria das pessoas não acreditaria.
O senhor vê esse movimento como uma tendência no Oriente Médio ou na América Latina? Acha que isso vai acontecer novamente?
Acho que sim. Às vezes, a mudança vai ser revolucionária, e às vezes vai ser pacífica, ou até modesta. Mas os indivíduos ganharão poder. Veja a Síria, que está brutalmente assolando seu povo, porque o governo não quer se reformar. O presidente Bashar al-Assad diz que quer reforma, mas seus atos e os atos de seu governo não refletem isso. Então os cidadãos estão usando uma variedade de meios, incluindo a internet, para divulgar as atrocidades que acontecem dentro do país. Os países têm escolha. Eles podem comprometer as pessoas em um processo legítimo de reforma, ou terão muita dor de cabeça tentando conter as mudanças que os cidadãos demandam.
Não poderiam fazer isso fechando a internet por exemplo? E o que a comunidade internacional pode fazer para deter isso?
Eles estão tentando fazer isso agora. Ben Ali (Zine El Abidine Ben Ali, presidente da Tunísia) ciberatacou os 19% dos cidadãos tunisianos, que tinham contas no Facebook, tentando tirar informações sobre quem estava inflando os movimentos dissidentes. No Egito, Mubarack simplesmente cortou a internet e as redes de telefonia móvel. Isso enfureceu as pessoas. Ditadores podem fechar a internet, mas se você faz isso, é basicamente dizer que você não valoriza a voz do seu povo. Quando Mubarack fez isso, a comunidade internacional se levantou. Os EUA se manifestaram, publicamente e reservadamente. A comunidade europeia também. É uma oportunidade para a América do Sul se engajar também, porque a maior parte da América do Sul - não toda, mas boa parte - é um ambiente de informações abertas, e de internet aberta.
O poder das redes sociais torna mais fácil para grupos terroristas recrutar pessoas e espalhar suas mensagens. O governo dos EUA está trabalhando para prevenir isso, ou é preciso esperar, saber o que estão fazendo para então combater?
No centro dessa questão, está um fato muito importante: que a internet poder ser usada por qualquer um, com qualquer tipo de intenção. O que a rede faz é amplificar o que já existe no mundo concreto. O propósito dos sites da jihad é radicalizar jovens e impressionáveis muçulmanos. A internet é tão facilmente usada por pessoas pregando o ódio e tentando recrutar para o terrorismo quanto para qualquer outro propósito. O que podemos fazer de melhor é assegurar que, quando essas pessoas postam mensagens de ódio, as nossas mensagens questionando a legitimidade da Al-Qaeda, Hezbollah e outros também estejam lá. Hilary Clinton costuma comparar a internet à energia nuclear, que pode tanto abastecer uma cidade ou destruí-la. A internet é como o aço: pode ser usado para construir um hospital ou uma metralhadora. Depende de quem o está manipulando.
Dez anos após os ataques do 11 de setembro, o seu governo teme um novo ataque usando novas tecnologias?
Nós estamos alerta para o fato de que há muitas vulnerabilidades em nossas ciber redes. Uma das coisas que nosso secretário de Defesa fez foi designar o ciberespaço como um terreno de guerra. Isso significa que o ar, a terra, o mar e o ciberespaço são lugares onde uma guerra pode ser travada.
Então vocês estão observando.
Sim, precisamos estar. Porque estamos sendo atacados o tempo todo. Temos de ter nossas ciberdefesas. E você não pode ser utópico sobre essas ferramentas. Há hackers, há pessoas colocando worms e códigos malignos nos sistemas. Eu desisti completamente de qualquer noção de privacidade em redes móveis. Simplesmente parto do princípio que não tenho privacidade.
Como se pode observar, prevenir e lutar contra esses movimentos sem ser invasivo?
É difícil. Eu, pessoalmente, com meu Twitter, meu Facebook, quando falo no telefone celular, eu parto do princípio que é tudo completamente transparente para o mundo inteiro.
E todo mundo deveria pensar assim?
Não. Infelizmente, eu sou mais alvo do que o resto das pessoas. Estou envolvido diretamente com a agenda de liberdade na internet do governo americano, e há muitos países que não gostam dela, e então eles não gostam muito de mim. E por causa disso, parto do princípio que todas as minhas contas estão comprometidas, com exceção da minha conta oficial do governo. E é assim que vejo a minha vida. É terrível, mas é verdade.
Falando em privacidade, o governo americano tem uma posição muito clara sobre o WikiLeaks, mas como poderiam autoridades ou pessoas se proteger dos vazamentos sem, novamente, ser invasivo ou censor?
Acho que as pessoas devem poder falar sobre o que elas quiserem falar. O problema com o WikiLeaks é que foi roubo. Um soldado de 22 anos chamado Bradley Manning fez download ilegal de dezenas de milhares de documentos. E agora está sendo processado por isso. Não é diferente de levar um caminhão até um prédio, carregá-lo com os arquivos de outra pessoa e ir embora. Então, consideramos o ato do soldado Manning um roubo. Até esse ponto, é a única pessoa que vem sendo processada no caso WikiLeaks, e assumimos que será punido.
Mas ele não é o único culpado pelo vazamento dos documentos no site.
Há uma investigação em andamento no departamento de Justiça dos EUA sobre isso, mas neste momento, a única pessoa a ser processada é Bradley Manning. Podemos não gostar do que o Wikileaks fez, distribuindo essas informações, mas essa é uma questão legal, e cabe a advogados determinar se eles infringiram a lei ou não. E se quebraram a lei ou não, não quer dizer que gostamos disso. Em face a isso, temos de pensar em coisas maiores, como por exemplo, como se gerenciar informação em um mundo cada vez mais conectado.
Como lidar com a transparência...
Exatamente. Isso força todos nós a pensarmos em estratégias de gerenciamento da transparência de informações num mundo com redes que são cada vez mais transparentes.
Os diplomatas americanos estão sendo mais cuidadosos após o WikiLeaks, quando falam ao telefone, mandam e-mails?
Eu não vi nenhuma mudança.
Não?
Não. Hilary Clinton é uma secretária de Estado muito forte. Ela nos pressiona a fazer nosso trabalho. E se tivermos medo de falar, de escrever, de digitar, não faremos nosso trabalho.
Como o seu e outros governos estão lidando com essa necessidade de transparência?
Nos EUA, estamos tentando mudar o default de "fechado" para "aberto". Deixar a maior parte das nossas informações abertas, como parte da política de governo. O que o presidente Obama disse que - toda a informação que não for confidencial tem de estar acessível ao público -, em um modo que pessoas possam criar aplicativos e ferramentas para usar essa informação. Por exemplo, se você está procurando uma casa, poderá ir ao site da agência de proteção ambiental e descobrir qual o nível de poluição em determinado endereço. Mas parte tem mesmo de ser fechada. Eu não acredito em transparência radical. Não acredito que qualquer comunicação entre diplomatas deva acontecer em frente a uma câmera. Há um direito, que muitas vezes é necessário, de manter comunicação privada fora do alcance do público.
Há resistência a esta abertura, dentro e fora do governo?
Pessoas fora do governo querem isso.
Todos os setores?
A maioria, sim. Os cidadão americanos querem que o governo seja conduzido tão publicamente quanto possível. Dentro do governo, o presidente Obama vem pressionando bastante por isso. A maioria das pessoas quer, mas há pessoas para quem isso é uma mudança de comportamento. E as pessoas terão de simplesmente se acostumar.
O senhor esteve recentemente no Congo e agora no Brasil. Já foi à Ásia, ao Oriente Médio?
Sim, Estive no mundo inteiro. Na Indonésia, no Catar, no Bahrein, Síria. Uma das coisas importantes quando os Estados Unidos tentam liderar é que temos uma única e global bandeira: liberdade na internet. Então vamos aos quatro cantos do mundo tentando usar a internet nesse sentido, seja em um ambiente muito fechado no Oriente Médio ou em um ambiente aberto como o Brasil.
E como essa mensagem foi recebida no Oriente Médio?
Varia. Sabe quem recebe bem? O povo.
Mas o senhor não fala diretamente com o povo, fala com autoridades...
Eu falo com todo mundo. É bem recebido pelo povo, e às vezes é bem recebido pelos governos, mas muitas vezes, não. E tudo bem! Acho que é importante para nós ter uma bandeira única e pressionar esses governos a abraçar a causa, e as pessoas a participar. É uma mensagem importante: você não pode governar um país se ignorar seus cidadãos ou não permitir que eles se comuniquem. Isso é particularmente verdade em países onde os direitos das mulheres são cassados. Você não pode ter crescimento econômico se metade da população está fora da força de trabalho. Os líderes gostam de ouvir isso? Não. É a coisa certa a dizer? Sim.
Eles não gostam, mas o senhor acha que eles entendem?
Eles entendem de onde nós viemos.

Fonte: Terra Notícias

15 de abr. de 2011

AMÉRICA LATINA PRECISA DE "NOVA ONDA" DEMOCRATIZADORA, DIZ PNUD

A América Latina precisa de uma "nova onda" democratizadora que envolva uma redistribuição de poder e atenda mais as necessidades do cidadão, advertiu nesta sexta-feira em Madri o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). "Se a função da democracia é redistribuir poder, achamos que é necessário impulsionar uma nova onda de democratização para redistribuir e reorganizar o poder", afirmou o chileno Heraldo Muñoz, subsecretário-geral da ONU e diretor regional do Pnud para a América Latina e o Caribe. Muñoz fez esse comentário na sede da Secretaria-Geral Ibero-Americana (Segib) durante um seminário para apresentar o relatório "Nossa Democracia", elaborado pelo Pnud e a Organização dos Estados Americanos (OEA) e que analisa os sistemas democráticos em 18 países da região. No julgamento do subsecretário-geral, o documento, que foi divulgado em março em Santiago do Chile, é "otimista", mas também "crítico". A democracia como processo eleitoral, ressalta o relatório, se consolidou na América Latina, mas deve melhorar sua "qualidade" e cortar problemas como a desigualdade e a insegurança. "A região - ressaltou Muñoz - está em uma encruzilhada. Precisa dar um salto qualitativo de melhorias adicionais, caso contrário, corre o risco de afundar os déficits democráticos". Como dado positivo, o responsável do Pnud, que foi vice-ministro de Relações Exteriores do Chile entre 2000 e 2002, destacou que a América Latina "viveu o período mais prolongado da história contemporânea de escolha de autoridades pela via democrática". O golpe de Estado em Honduras de 2009 e "a tentativa de alterar a ordem democrática no Equador" de 2010 "são exceções que confirmam a regra", precisou Muñoz, quem ressaltou que a região acolhe em 2011 cinco eleições presidenciais (Haiti, Peru, Argentina, Guatemala, Nicarágua). Na sua opinião, "o principal desafio é que, apesar de avançamos em termos de democracia eleitoral e crescimento econômico, a qualidade de nossa democracia é o problema". O subsecretário-geral da ONU defendeu uma "reforma tributária" para "arrecadar mais e gastar bem", para diminuir a desigualdade e melhorar a segurança cidadã.

Fonte: Terra Notícias

13 de abr. de 2011

RETIRANDO DO BAÚ-5: PARA VOCÊ LER E ANALISAR ALGUNS FATOS DE UM PERÍODO HISTÓRICO BRASILEIRO E TIRAR AS SUAS PRÓPRIAS CONCLUSÕES

Acima os livros Brasil: Nunca Mais e Orvil também chamado de As tentativas de tomada do poder; Livro Branco e Terrorismo: Nunca Mais - Essa e outras revelações são feitas no livro Olho por olho: os livros secretos da ditadura de Lucas Figueiredo, mesmo autor de Ministério do Silêncio: A história do Serviço Secreto brasileiro de Washington Luis a Lula. O título diz “os livros secretos” no plural, porque relata a história de dois livros antagônicos que foram, cada um em seu tempo, produzidos sob total sigilo: BRASIL: NUNCA MAIS feito ainda durante a ditadura militar com arquivos roubados do Superior Tribunal Militar que compila uma série de violações aos direitos humanos feitas pelos agentes da repressão militar e ORVIL a resposta do Exército que serviria para contrapor às denuncias feitas pelo primeiro livro.

BRASIL: NUNCA MAIS A história deste livro é tão impressionante que parece coisa de cinema. Um grupo de advogados e religiosos conseguiu o que parecia impossível: Entrar no prédio do Superior Tribunal Militar (um prédio cercado de seguranças); roubar toneladas (literalmente) de provas das atrocidades cometidas nos porões da ditadura e reuni-las num livro-denúncia. Em março de 1979, no governo do general Figueiredo, os advogados passaram a ter mais facilidade para consultar processos de presos políticos no Superior Tribunal Militar. O STM reunia todos os processos contra presos políticos julgados em segunda instância e era lá que quase todos esses processos eram arquivados. A movimentação de advogados aumentou quando foi promulgada a lei de Anistia. Os advogados ficaram com medo que aqueles documentos fossem destruídos, pois a História mostra que ditaduras em processo de decomposição tendem a destruir as provas de seus crimes. Era preciso guardá-lo em local seguro. Os processos eram públicos mas para um advogado consegui-los havia certa burocracia: era preciso entrar no prédio; se identificar na portaria; preencher um formulário; apresentar carteira da OAB; assinar um termo de compromisso; e só poderiam levar um processo por vez e devolvê-lo em 24 horas.O plano de pegar os documentos e xerocá-los foi discutido por um pequeno grupo de advogado e chegou ao ouvido de um religioso de firme atuação em direitos humanos: o pastor presbiteriano Jaime Wright cujo irmão havia desaparecido na repressão. O reverendo sabia que o “assalto branco” aos arquivos do STM poderia revelar o paradeiro de diversos presos políticos desaparecidos, inclusive o de seu irmão. Foi durante uma viajem para recepcionar o educador Paulo Freire, que voltara do exílio, no aeroporto de Viracopos que Whight teve a idéia de chamar dois padrinhos poderosos para tocar o tão gigantesco projeto que, até então, tinha estrutura zero. Um forneceria sustentação política e o outro, ajuda financeira. Ele conseguiu o apoio do cardeal-arcebispo de São Paulo Dom Paulo Evaristo Arns e a ajuda financeira viria do secretário do CMI Conselho Mundial de Igrejas que congregava diversas igrejas pentecostais, ortodoxas e protestantes: Philip Potter. Assim que chegou a ajuda financeira a primeira atitude foi alugar uma sala comercial em Brasília, bem perto do STM. Isso diminuiria o trabalho braçal dos advogados. Foram alugadas três maquinas de Xerox e foram contratados seis funcionários que se revezavam em dois turnos de trabalho. Os advogados Raimundo Moreira e Luiz Eduardo Grenhalgh passaram a visitar o STM todos os dias úteis da semana e levar, cada um, um processo debaixo do braço até a turma da clonagem, que nunca conseguiu entender porque os advogados precisavam copiar tantos documentos. Mais tarde outros advogados foram chamados e se juntaram a equipe formando um grupo de doze. Com o tempo foi necessário também abrir mais um turno de trabalho e as máquina de Xerox passaram a trabalhar 24 horas por dia e 7 dia por semana. Por segurança as cópias praticamente nem esfriavam e já eram levadas para São Paulo. Em São Paulo o trabalho era mais diversificado: funcionários e colaboradores com qualificações variadas atuavam em várias frentes: microfilmagem, pesquisa, computação e análise de dados. Todas as fases eram coordenadas pelo jornalista Paulo de Tarso Vannuchi que se juntara ao grupo por lealdade ao cardeal Arns e por ter perdido o primo Alexandre Vannuchi nos porões da repressão. Os idealizadores do Brasil: Nunca Mais tinha um plano B. Caso a sala de Brasília ou o galpão de São Paulo fossem "estourados" pela repressão: uma cópia do projeto estaria a salvo fora do país. A tarefa parecia infinita mas não era, em 1982 chegou ao fim. A equipe conseguiu o que parecia irrealizável: obter praticamente toda a coleção dos processos políticos que tramitavam no STM entre 1964 e 1979. A memória oficial da repressão já não pertencia apenas aos militares. O documento-mãe produzido pelos pesquisadores do Brasil: Nunca Mais, chamados por eles candidamente de Projeto A, tinha 6.891 páginas divididas em 12 volumes. Ali estava a contabilidade do inferno:
• Entre 1964 e 1979, mais de 17 mil pessoas passaram pelo banco da Justiça Militar;
• 7.367 foram formalmente acusadas;
• 38,9% dos réus tinham no máximo 25 anos. Destes, 3% não tinha sequer 18 anos quando foram processados;
• 3.613 pessoas foram presas;
• 84% das prisões não haviam sido comunicadas à Justiça;
• 1.843 pessoas declararam em juízo terem sido torturadas na prisão;
Das cerca de 400 mortes produzidas pela repressão, praticamente um terço incluiu o desaparecimento do corpo da vítima. O projeto A era sem dúvida uma riqueza extraordinária, porém, suas 6.891 páginas o tornavam, praticamente inacessível para qualquer mortal. Para resolver a questão d. Evaristo Arns chamou o jornalista Ricardo Kotscho, que tinha o cardeal como uma de suas melhores fontes. O cardeal disse que Kotscho deveria trabalhar em dois turnos, pois não poderia deixar seu cargo na Folha de São Paulo a fim de não levantar suspeitas. O jornalista tremeu de medo, mas aceitou. Para fazer dupla com Kotscho o cardeal chamou o frade dominicano e ex-preso político Frei Betto. Depois de pronto era preciso uma editora para publicar o livro. Após receber várias respostas negativas de editoras laicas que estavam com medo de sofrerem alguma represália dos militares. O livro foi publicado pela editora dos franciscanos, a Vozes. O parecer da obra foi dado pelo frei Leonardo Boff, já naquela época uma das principais referências na Teologia da Libertação. O nome foi inspirado no livro Nunca Más, recentemente lançado na Argentina, que denunciava nomes e métodos da repressão que matara 30 mil pessoas naquele país entre 1976 e 1983. Depois de esperar para ver como se daria a delicada secessão presidencial onde seria empossado um presidente civil: José Sarney, que assumiu o cargo após a morte do presidente eleito Tancredo Neves, o livro foi finalmente publicado. Quatro meses depois do lançamento do Brasil: Nunca Mais, d. Paulo finalmente liberou para a imprensa a lista com os nomes dos 444 agentes da repressão denunciados como torturadores. Foi outra bomba: em todo o país, torturadores passaram a ser apontados nas ruas, alguns chegaram a perder seus empregos. Um dos principais acusados, com 22 denúncias de tortura, o ex-tenente Marcelo Paixão, chamou num canto suas duas filhas, na época com 13 e 14 anos, e contou-lhes sobre seu passado, como relataria à revista Veja: - Nunca disse a elas que fui um santinho. Disse a elas que não pensassem que eu não bati em alguém. Bati sim. Elas ficaram um pouco chocadas e disseram: “Pai, já sabemos, mas agora para”. Não queriam detalhes. Eu segui a minha vida. Não adianta esconder esse tipo de coisa. A verdade uma hora vem à tona. A maioria dos acusados como o general Octavio Medeiros, preferiu calar-se. Médicos que tinham auxiliado torturadores nos porões da ditadura foram boicotados em hospitais, e em Minas e São Paulo tiveram seus registros cassados. Apesar de denuncias contundentes o número de punições foi pequeno. Na maior parte dos casos os criminosos pagaram apenas com a exposição pública de seus crimes. Passada a avalanche, d. Paulo ofereceu o acervo com mais de 1 milhão de páginas à PUC de São Paulo e a USP mas ambas, com medo de represálias, não aceitaram. A Unicamp de Campinas corajosamente, recebeu o material e ainda o disponibilizou para pesquisa. O livro feriu as Forças Armadas. Além de atingir o 444 militares torturadores listados, Brasil: Nunca Mais feriu as instituições a que eles pertenciam. Haveria troco, mas na mesma moeda: em forma de livro. ORVIL A caserna se enfureceu com a revelação de seus pecados. Um em especial sentiu a pancada: o Ministro do Exército, Leônidas Pires Gonçalves. Foi ele que decidiu que o vice-presidente José Sarney deveria assumir o cargo após a morte de Tancredo Neves. Além de servir de escudo para o cambaleante governo Sarney, Leônidas também servia de escudo para os militares torturadores. Os militares toparam devolver o poder aos civis desde que não o aborrecessem com cobranças sobre o que havia acontecido nos porões da ditadura. Ainda tentando conter a crise que desabou sobre as Forças Armadas, Leônidas teve a idéia de fazer um livro para contrapor a o livro feito pela Arquidiocese de São Paulo e mostrar o lado dos militares nesta história. Para Leônidas, o livro Brasil: Nunca Mais era parcial pois pintava os opositores do regime indiscriminadamente como heróis da democracia. Leônidas acreditava que em 1964 a sociedade havia chamado os militares para conter a bagunça sindical de João Goulart. Segundo o general, quem começou a violência foi a Esquerda com o atentado feito por militantes da Ação Popular (AP) no aeroporto dos Guararapes, no Recife, para matar o presidente militar Costa e Silva. (Veja na página da GUERRILHA). Leônidas questionava porque d. Paulo retirou dos arquivos apenas o que interessava aos opositores do regime. E o lado feio, mau, e desajustado da Esquerda? Perguntava ele. Era verdade que os militares haviam matado cerca de 400 pessoas pela repressão, mas o Exército também tinha a sua lista: os arquivos do CIE – Centro de Informações do Exército estavam abarrotados de registros detalhados de ações violentas da Esquerda que resultaram na morte de aproximadamente cem pessoas, entre militares policiais, guardas de banco, empresários ligado à repressão e até companheiro de armas, justiçados em nome da revolução socialista. Os militares então a pedido de Leônidas fizeram um livro retratando a versão das Forças Armadas sobre os fatos, a projeto do livro foi feito em total sigilo e foi denominado Projeto ORVIL que quer dizer livro ao contrário. A cargo do projeto ficou o coronel Agnaldo Del Nero: foi confiada a ele a missão de desconstruir o Brasil: Nunca Mais. Ele era um grande estudioso do anticomunismo, uma obra que ele amava era o livro Arquipélago Gulag do dissidente político soviético Soljenítsin que havia passado pelos campos de concentração do ditador Joseph Stalin. Material para isso era o que não faltava, o coronel e sua equipe tinham a disposição milhares de toneladas de documentos produzidos pelos Serviços Secretos da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. Além disso, os militares estudaram depoimentos dos presos políticos e até livros escritos por ex-exilados como Fernando Gabeira, Alfredo Sirkis e Daniel Aarão Reis Filho. Depois de pronto, o resultado foi um livro dividido em dois tomos com 919 páginas. O coronel Del Nero o batizou de As tentativas de tomada do poder. Terminado o livro bastava apenas a permissão do presidente da República para publicá-lo, Leônidas acreditava que aquele era o momento perfeito, pois sociedade ainda estava agitada com as repercussões do livro Brasil: Nunca Mais. Foi então que o general foi até o gabinete do presidente Sarney e lhe contou sobre o livro e sobre a intenção de publicá-lo. Sarney olhou silenciosamente o livro, tendo idéia da bomba que estava em suas mãos, olhou fixamente para Leônidas e disse:- O processo de Abertura está sendo um sucesso, não vale a pena reabrir feridas do passado que já estão cicatrizando. Leônidas ficou muito aborrecido, mas como um obediente soldado acatou a decisão. A missão de Leônidas a partir dali era a de esconder o livro, o momento certo para ele ser lançado já havia passado. A missão de esconder o livro foi bem conduzida durante 28 anos. As únicas 15 cópias do livro circularam entre um seleto grupo de militares e homens da extrema-direita. Até que, em 2007, por sorte ou por destino Lucas Figueiredo teve acesso ao livro. Ao pesquisar material para o livro Ministério do Silêncio foi até a casa de um militar que lhe mostrou o livro. Lucas Figueiredo já tinha ouvido falar da possível existência do livro ao entrevistar um ex-agente do SNI que lhe contou que o livro existia, mas ele mesmo nunca havia visto. Figueiredo pediu emprestado o livro, mas o militar disse que este livro, especificamente, ele não poderia emprestar. Depois de vários dias pensando em como ter o livro ele resolveu ligar para o militar novamente. Ao telefone desconversou, falando sobre todos os outros livros que o militar tinha lhe emprestado, até dizer que queira dar mais uma olhada em ORVIL. O militar lhe disse: - Estou de saída, vou ficar fora de casa a tarde inteira, faz o seguinte, pega o livro aqui em casa e depois você me devolve. Foi assim que depois de 28 anos foi conseguido furar o cerco ao livro secreto dos militares. Depois de pegar o livro Lucas Figueiredo precisava atestar sua autenticidade. Para isso ligou para alguns ex-guerrilheiros citados no livro: Um deles disse que, apesar de alguns erros, manipulações e mentiras os fatos correspondiam à realidade. Outro se surpreendeu: - Eles descreveram até a cor de nossos carros usados no sequestro do embaixador americano. Só faltou dizer a cor de nossas camisas! Figueiredo também comparou com alguns documentos públicos do Exército e viu que, embora não constasse fonte, os textos eram quase idênticos. As revelações mais interessantes contidas em ORVIL são as de ações de guerrilheiros opositores do regime que mais tarde ocupariam altos cargos da República: Oscar (VPR) – Depois de assaltar um carro-forte, ele participou da tentativa de sequestro do cônsul dos Estados Unidos em Porto Alegre, em 1971, quando tinha 19 anos de idade. Três décadas depois, o guerrilheiro juvenil se tornou prefeito de Belo Horizonte. Seu nome é Fernando Pimentel [atual ministro do governo Dilma]; Honório e Valdir (DI/GB) – fizeram parte do grupo de seqüestradores do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick, em 1969. Valdir é o jornalista Franklin Martins, nomeado, quatro décadas depois do sequestro, ministro da Comunicação Social do governo Luis Inácio Lula da Silva. Honório é Fernando Gabeira, também jornalista, deputado federal desde 1995; Daniel (Molipo) – Foi um dos 15 presos políticos trocados pelo embaixador Charles Elbrick. Como nunca chegou a pegar em armas, mesmo tendo sido treinado em Cuba, o livro secreto não lhe deu muita importância. Seu nome verdadeiro: José Dirceu, deputado federal por dois mandatos e ex-ministro-chefe da Casa Civil do governo Lula; Mateus (ALN) – Junto com outros guerrilheiros, assaltou o trem pagador Santos-Jundiaí e o carro pagador da Massey Ferguson, em 1968. Trata-se de Aluisio Nunes Ferreira, que três décadas depois, no governo Fernando Henrique Cardoso, ocuparia o cargo de ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República e posteriormente ministro da Justiça; [atualmente é Senador] Ficha da Dilma no DOPS: A verdadeira. Estela (Polop, Colina e VAR-Palmares) – “Papisa da subversão”, como era chamada nos processos da Justiça Militar, ela planejou e coordenou o roubo do cofre de Adhemar de Barros, ex-governador de São Paulo [Veja detalhes na página GUERRILHA]. A ação rendeu à VAR-Palmares 2.800.064 dólares (17 milhões de dólares em valores de 2009), até então a “expropriação” mais rentosa da história da esquerda em todo o mundo. Ela é Dilma Rousseff ministra-chefe da Casa Civil do governo Lula. [atual presidenta da República]; Jair (VAR-Palmares) – Outro dos assaltantes do cofre do Adhemar, ele é Carlos Minc, [foi] Ministro do Meio-ambiente do governo Lula. (grifo meu) pp. 94-95.

Fernando Henrique Cardoso – [...] um agitador que usava a fachada do prestigiado Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) para se reunir com “subversivos” que buscavam nele uma “inspiração”. José Serra aparecia como “ativo pombo correio” de uma frente criada no exterior para supostamente denegrir a imagem do Brasil com “notícias deturpadas” e “falsas denúncias” de assassinato e tortura de presos políticos. pp. 97-98

RESGATANDO A HONRA DE JOSÉ GENUÍNO Em ORVIL, ao contar a história do guerrilheiro Geraldo codinome de Genuíno (um do poucos sobreviventes da Guerrilha dos Araguaia) o Exército acaba fazendo uma das revelações mais inesperadas do livro. Durante a redemocratização o Exército espalhou a lenda de que José Genuíno havia entregado os companheiros facilmente, sem ter sido torturado, apenas por medo: “- Entregou os companheiros sem levar uma tapa se quer” como vive tagarelando o deputado Jair Bolsonaro, principal disseminador de mentiras da extrema-direita. José Genuíno nunca teve problemas para se tornar uma importante figura política do PT e da Esquerda, mas a lenda de traidor o perseguia. Foi então que, ao analisar o livro ORVIL, Lucas Figueiredo pôs fim à mentira. O livro dizia que Genuíno havia mesmo entregado os destacamentos de guerrilheiros do PCdoB. Mas logo depois se contradizia: relatando que Genuíno forneceu informações de áreas que haviam sido destruídas nos primeiros dez dias de atuação das Força Armadas. Ou seja, o ORVIL confirmou o que Genuíno sempre dissera: havia dado informações verídicas aos seus interrogadores, mas essas informações eram calculadamente ultrapassadas.

FATOS OCORRIDOS NA DITADURA COM A INTERPRETAÇÃO DOS MILITARES GOLPE MILITAR "revolução democrática" TORTURA "farça plantada pela esquerda"

DESAPARECIDOS POLÍTICOS "todos os subversivos presos permanecem vivos e foram postos em liberdade"

CORTEJO AO CORPO DO ESTUDANTE EDSOM LUÍZ

"baderna"


PRISÃO DE ESTUDANTES NO CONGRESSO SECRETO DA UNE EM 1968

" drogas, bebidas alcoólicas e grande quantidade de preservativos já utilizados"


MOVIMENTO ESTUDANTIL MINEIRO "motor da guerra revolucionária" SEQUESTRO DE DIPLOMATAS "terceira tentativa de tomada do poder" ASSASSINATO DE VLADIMIR HERZOG
"suicídio lamentável"

DIRETAS JÁ E CRIAÇÃO DO PT "quarta tentativa de tomada do poder pelos comunistas"


AS VÍTIMAS DA ESQUERDA

Assim como o livro BRASIL: NUNCA MAIS denunciava os crimes dos militares, o livro ORVIL denunciava os crimes da Esquerda que com o passar dos anos escondeu suas ações autoritárias e violentas, preferindo criar o mito de que o único objetivo da luta armada era a democracia. O livro secreto demonstra que o restabelecimento da democracia nunca esteve nos planos da Esquerda armada que queria outra ditadura: a ditadura do proletariado. A Esquerda cometeu ao todo menos de 100 crimes, dentre eles: O assassinato do capitão dos Estados Unidos Charles Chandler, em 1968, sob a acusação (nunca comprovada) de que era agente da CIA.


E o de Henning Boilesen, assassinado pela guerrilha em 1971: a Esquerda dizia que ele patrocinava a Oban (verdade) e que era espião da CIA (mentira) [Veja o documentário Cidadão Boilesen].
Dentre os crimes da Esquerda Armada o mais vergonhoso talvez seja os “justiçamentos”: que é quando os militantes se tornam, ao mesmo tempo, tribunal e carrascos: julgam e depois executam companheiros suspeitos de traição. [Saiba mais sobre isso na entrevista com o ex-guerrilheiro Jacob Gorender].

O PRÓPRIO EXÉRCITO ENTREGOU SEUS CRIMES

ORVIL foi criado pelo Exército com o objetivo se defender e justificar seus atos. Mas Lucas Figueiredo, ao analisar o livro, descobriu que o Exército acabou, sem querer, assumindo 22 crimes que ele sempre negara. Abaixo a lista de mortos que o Exército acabou assumindo no livro: • Alcery Gomes da Silva • André Grabois • Antônio Carlos Monteiro Teixeira • Antônio dos Três Reis Oliveira • Bergson Gurjão Farias • Ciro Flávio Salazar de Oliveira • Francisco José de Oliveira • João Guarlberto Calatrone • Divino Ferreira de Souza • Boanerges de Souza Massa • Helenira Resende de Souza Nazareth • Idalísio Soares Aranha Filho • Jeová Assis Gomes • João Carlos Haas Sobrinho • Joelson Crispim • José Toledo de Oliveira • Kleber Lemos da Silva • Maria Lucia Petit da Silva • Miguel Pereira do Santos • Manoel José Nurchis • Ruy Carlos Vieira Berbert • Wânio José de Mattos [...] o Orvil era a prova de que o Exército não só sabia que aqueles guerrilheiros estavam mortos como conhecia o destino dado aos corpos. O livro secreto era a evidência material de que a força terrestre ocultava, além de ossos, uma parte da história do Brasil. P. 146

SOBRE O PARTIDO DOS TRABALHADORES

Segundo o livro ORVIL a organização mais temida pelo militares não era nenhuma que havia participado da luta armada. Era o Partido dos Trabalhadores - PT, fundado em 1980, o partido seria uma incubadora de terroristas. O livro afirmava que o partido de Lula não poderia ser considerado revolucionário ainda, mas para isso acontecer bastava que uma organização marxista e revolucionária chegasse à direção do partido. Segundo Daniel Aarão Rei Filho, ex-guerrilheiro do MR-8 e hoje um dos mais respeitados historiadores do país, essa tese é furada. A Esquerda passou por um processo de metamorfose: os guerrilheiros abandonaram as armas e aceitaram jogar o jogo da democracia. Coisa que os analistas de Direita têm dificuldade de perceber ou admitir.

Figueiredo, Lucas, 1968, Olho por olho: os livros secretos da ditadura / Lucas Figueiredo. - Rio de Janeiro: Record, 2009.








Fonte: http://www.comunistas.spruz.com/pt/Para-o-Exrcito-PT-seria-incubadora-de-terroristas/blog.htm in Blog Café História (13/04/2011).

10 de abr. de 2011

AGROECOLOGIA, RECUPERAÇÃO DO MEIO AMBIENTE, REFORMA AGRÁRIA E COMBATE À POBREZA





Entrevista: Ana Maria Primavesi "O combate à pobreza é básico e depende da recuperação ambiental e da Agroecologia"
Leandro Brixius, Jornalista da Emater/RS Entrevista: Ana Maria Primavesi
Praticar a agricultura ecológica, como vem defendendo durante décadas, e continuar espalhando o conhecimento sobre a necessidade de compatibilizar agricultura com preservação ambiental são, atualmente, as principais ocupações da professora e pesquisadora Ana Maria Primavesi. Nascida em 1920, na Áustria, Ana Maria fala, desde a década de 40, em agricultura ecológica e, principalmente, sobre solos, como evidencia seu livro Manejo Ecológico do Solo, obra de referência sobre o tema em diversas universidades latino-americanas e européias. Hoje, além de pequena agricultora em Itaí, no interior de São Paulo, é pesquisadora da Fundação Mokiti Okada e realiza palestras em diversos países. "Estou plantando minha terrinha, trabalho no conselho científico da fundação e, de resto, estou andando por toda a América Latina dando cursos", contou Ana Maria Primavesi nesta entrevista à Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável, realizada durante sua participação como palestrante no III Seminário Internacional sobre Agroecologia, realizado em setembro, em Porto Alegre. Além disso, fala sobre a diferença entre agricultura ecológica e orgânica, transgênicos, reforma agrária e, é claro, manejo do solo.

Revista - A Sra. começou a falar em agricultura ecológica já na década de 40, numa época em que não se falava em cuidados com a preservação do meio ambiente. Como foi esse início?

Ana Maria - Eu ainda vivia numa época em que a agricultura química praticamente não existia. A gente sabia que existiam os adubos químicos, pois as pessoas, em 1942, 1943, já reclamavam dos efeitos, não queriam mais comer os produtos com adubos químicos porque não tinham gosto. Os alimentos eram muito bonitos, mas não tinham sabor. As firmas, nessa época, diziam que era imaginação das pessoas. Quem queria botava, quem não queria, não botava. Nos anos 60, começou a campanha da Revolução Verde, que aconteceu quando as firmas americanas estavam indo à falência e precisaram procurar desesperadamente uma solução. Então o mister Borlaug (Norman Borlaug, um dos precursores da Revolução Verde), disse que a solução era justamente abrir a agricultura para a indústria química e mecânica. Então, eles obrigaram as pessoas a fazer monocultura. No Brasil, não existia monocultura, a não ser de cana-de-açúcar. Com a monocultura, começaram os problemas das doenças e era preciso colocar veneno. Uma avalanche em que um arrastava o outro. O adubo químico, basicamente, é formado por três elementos e a planta necessita de 45. Aí está o grande problema. Com esses três elementos, a planta está mal nutrida, subalimentada. Com isso, começaram todas as doenças e o decorrente uso dos pesticidas. Como cada pesticida está baseado em algum mineral, induzia a uma deficiência de minerais que estavam em proporção com esse e então foi uma avalanche cada vez pior.

Revista - O que é o manejo ecológico do solo?

Ana Maria - No manejo ecológico do solo, você tem que ter duas coisas: não virar a terra mais profundamente do que ela suporta (15 centímetros) e colocar a matéria orgânica sempre na parte superficial para ter uma decomposição aeróbica. Com isso, você melhora o solo incrivelmente. Na Argentina, há dez anos trabalha-se com agricultura orgânica. Eles enterram a matéria orgânica até 40 centímetros e a terra está dura. Por quê? Porque esse negócio não dá certo. Primeiro, eles destroem a estrutura do solo, a terra se assenta, não tem poros, não cria nada, nem fixa nitrogênio. Então, é um fracasso total. E ainda custa caro!

Revista - Como a Sra. vê, atualmente, o manejo dos solos?

Ana Maria - No momento, está completamente errado, pois pega-se o manejo utilizado pelos americanos e aplica-se aqui no Brasil. Por exemplo, o potássio. Abaixo de 15ºC, o potássio não é absorvido. Cálcio, com terra fria, é cinco vezes menos absorvido que em terra quente. Então, eles (os agricultores americanos) necessitam um solo super rico para a planta absorver alguma coisa. Para nós, não. Então, eles mantêm o solo limpo com herbicida e capina para captar calor, porque o máximo que o solo consegue captar é 14ºC. Aqui não, aqui vai mais. Eu medi 74ºC, e um professor que trabalha na África mediu 83ºC. Então, há uma diferencinha. E, a partir de 32ºC, a planta já não absorve mais. Água quente ela não absorve. E nosso problema é que a matéria orgânica que é colocada tem que servir à planta e não à máquina que estão importando.

Revista - Por que as remoções profundas não são indicadas para os solos tropicais? Ana Maria - Nos trópicos, 80% dos microorganismos encontrados no solo são fungos, que produzem enorme quantidade de antibióticos e têm sua vida inibida abaixo de 15 centímetros. Antigamente, quando trabalhavam com aradinho de boi ou de burro, a lavração não ia abaixo de 12 ou 15 centímetros e a terra se mantinha mais ou menos na parte superficial. Agora, com arado de tração mecânica, pode-se entrar de 30 a 40 centímetros, virar a parte morta para cima, que é desmanchada pela chuva, entra solo e entope os poros. E aí a terra fica dura, compactada. Todos me perguntam o que fazer contra a compactação. No trópico não se pode fazer aração profunda de jeito nenhum. Tem que ser rasa porque a terra abaixo está morta. Na América do Norte não, lá a terra está viva até abaixo de 30 centímetros. Nos Estados Unidos ainda há agregação por congelação, que não existe aqui.

Revista - O plantio direto é colocado, muitas vezes, como uma solução para o manejo dos solos. Qual a sua opinião?

Ana Maria - Plantio direto tem vantagens e desvantagens. E a grande vantagem, que vi na única região que conheço onde o plantio direto é 100% certo, os campos gerais do Paraná, os produtores conseguem uma camada de seis ou sete centímetros de palha acima do solo. Nas outras regiões, onde plantam monoculturas de soja, eles têm no máximo 1,5 centímetros, o suficiente para proteger o solo contra a erosão. É uma grande vantagem. Do outro lado, a pressão da máquina é horrível. No plantio direto, a máquina é até cinco vezes mais pesada que a de plantio normal e, então, a compactação é violenta. O segundo problema é que, no plantio direto, a rotação de culturas é necessária, pois do contrário aumentam as pragas. E não só aumentam, mas elas mudam também. Praga das folhas passa a ser praga da raiz. Então há uma enorme quantidade de pragas que agora atacam a raiz. Se eu sei a deficiência que há não tem problema, eu vou colocar nutriente e a praga desaparece. Se eu não sei, o combate é muito complicado, porque com veneno não se atinge. Então, o que fazem? Colocam o veneno já na linha de plantio. Então, a planta está muito mais venenosa que com o cultivo normal.


Revista - Lutzenberger falava em agricultura regenerativa. Outros falam em agricultura orgânica. A Sra. refere-se a agricultura ecológica. A Sra. poderia abordar essa escolha e relacionar as diferenças entre agricultura ecológica e orgânica?

Ana Maria - É completamente diferente. Na orgânica, você trabalha pelas normas e as normas não fazem nada mais do que trocar um agente químico por um orgânico. Em lugar de, por exemplo, pegar adubo químico, você usa agora composto e, obrigatoriamente, faz composto. Em lugar de algum defensivo químico você usa um caldinho. Mas os caldinhos também podem ser tóxicos, também podem ter efeitos colaterais. Sempre há minerais dentro. Eu não posso usar todos os dias. Então, o grande erro da agricultura orgânica é que, primeiro, continua com toda a visão factorial, fator por fator, continua combatendo em lugar de evitar. No final, a melhora que se consegue é muito pouca. Se produz mal porque não se sabe onde colocar a matéria orgânica, a produção, normalmente, é miserável. Então, eu não vejo muita vantagem com esse tipo de agricultura. A não ser que é muito mais trabalhoso e o agricultor é muito mais sacrificado. Agora, na ecológica, eu vejo o inteiro. Então, eu vejo porque apareceu o sintoma. Eu não digo só “ah, tem um sintoma aqui, vamos combater”. Não, pergunto primeiro o por quê? Em minha propriedade, eu plantei milho e houve infestação da lagarta-do-cartucho. A lagarta-do-cartucho é muito difícil de combater porque, se não tem aviação agrícola, não é possível pulverizar com bomba normal, já que o defensivo tem que entrar por cima. Mas eu não pergunto como combater essa lagarta, mas por que apareceu essa lagarta. E a lagarta só ataca porque o milho está deficiente em boro, então eu coloco cinco, no máximo oito quilos de bórax por hectare e pronto. Não tem lagarta-docartucho porque quando tem boro, não aparece mais, não consegue comer o broto.

Revista - Quais são os desafios que se enfrenta hoje para alcançar uma agricultura socialmente justa e ecologicamente correta?

Ana Maria - Primeiro, nós precisamos de fato uma reforma agrária, mas não uma reforma agrária como está sendo feita hoje. Por exemplo, no Paraguai, é dada a melhor terra para o assentado e não a pior. Aqui no Brasil, é só terra marginal. E segundo, eu não posso simplesmente assentar qualquer pessoa. Reforma agrária no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina funciona, porque são assentados ex-agricultores. Mas, se eles já perderam uma vez sua terra, vão perder outra vez, porque a tecnologia que eles têm não presta. Então, eu teria que ter uma assistência técnica muito boa para mostrar como fazer para não perder novamente a terra. O terceiro ponto é que eu não posso simplesmente assentar como eles fizeram na Bolívia, onde retalharam a terra e cada um recebe meio hectare. Meio hectare não dá para uma família viver normalmente. Então, já não é reforma agrária, é criação de miséria. No Nordeste, por exemplo, o governo dá um pedaço de terra e uma cabra. É muito bom, não?! Mas a cabra acaba com tudo, não deixa mais nada e forma deserto. Não é uma solução! O que ocorre com o homem que tem uma cabra? Ele pega sua terra e planta. Mas ele já tem um nível de pobreza em que não produz mais, só quer comer. Está tão faminto que não pensa mais em produzir, só em comer. Além disso, o agricultor realiza queimadas cinco vezes por ano. A terra, depois de cada queimada, está pior, mais dura, menos produtiva. No fim, crescem só umas coisinhas duras, que nem sustentam a cabra. Então, pela miséria aumenta a pobreza e pela pobreza aumenta a miséria. Por exemplo, o governo dá uma cesta básica de alimentos para os pobres. Mas isso não é solução, porque o homem, com isso, fica degradado de pobre para mendigo. Ele não era mendigo antes, ele quer trabalhar. O governo não sabe o que fazer porque não quer contrariar os ricos que tem lá na região. Por isso, acha mais fácil dar uma cesta básica para cada um e não entrar mais profundamente no problema. Tem que ver que a pobreza não se combate com esmola! Eu tenho que ensinar o povo a trabalhar sua terra, mas ele tem que ter a possibilidade de fazer isso. Não posso simplesmente comprar cinco mil cabras e soltar pelo Nordeste.

Revista - É possível obter maior produtividade e também preservar o meio ambiente?

Ana Maria - Se você não preserva o meio ambiente, a produção sempre vai ser baixa. Nós temos uma série de dados que mostram que, em uma região descampada, mas com suficiente chuva ou irrigação, a colheita baixa até a metade do que poderia ser normalmente somente pela ação do vento. Em uma época de seca, a colheita pode ser reduzida em até cinco vezes. Isso quer dizer que, se há metade da área florestada é possível colher idêntica quantidade que é colhida hoje no dobro da área que sofre com a ação dos ventos. Então, quando dizem que não pode ter Agroecologia, não pode fazer recuperação do ambiente, porque precisam de toda a área para plantar, tudo bem, mas colhem tanto menos que não resolve o caso. E afora isso, pode-se implantar, nesse mato, árvores que produzam. Por exemplo, se tiram toda a Mata Amazônica para plantar soja e depois colher uma miséria, poderiam enriquecer o mato com cajueiro, castanheiro e outras plantas. Um estudo do governo do Acre constatou que enriquecer a mata dá 13 vezes mais lucro do que transformar em pastagens ou lavouras de soja. Então, por que não fazem? Porque os americanos querem vender as porcarias deles.

Revista - Qual sua opinião sobre a concessão de subsídios públicos para a agricultura?

Ana Maria - Antigamente, a agricultura financiava a indústria e mantinha o Estado. Ela funcionava. Hoje, a agricultura depende de créditos e está sempre endividada e quase quebrando. Então, talvez a agricultura precise do recurso público para se recuperar, porque ela está completamente estragada pela tão famosa Revolução Verde. Mas, através da Agroecologia pode-se produzir tanto que a agricultura pode ser forte de novo. Eu não quero explorar, eu quero colocar a agricultura saudável de novo na região! Sem a recuperação do meio ambiente a agricultura não funciona bem. Sem recuperar o meio ambiente e sem agricultura você não vai combater a pobreza e outra vez a pobreza destrói. Você não pode dizer: “para mim não interessa, porque eu vou ter o suficiente para comer”. Se não tem água, ninguém come. Você não pode comer seu dinheiro. Sem água não tem o que beber e nada para plantar e então acaba tudo. Então o combate à pobreza é básico e tem que ser feito ao mesmo tempo que você faz a recuperação do ambiente e uma agricultura baseada na Agroecologia.

Fonte: Agroecol. e Desenvol. Rur. Sustent. Porto Alegre, v.3, n.4, out/dez 2010.