CIÊNCIAS SOCIAIS

CIÊNCIAS SOCIAIS

27 de set. de 2011

III FESTIVAL DE FILME ETNOGRÁFICO OCORRE NA FUNDAJ

A Fundaj está promovendo entre os dias 26 a 29 de setembro, o III Festival de Filme Etnográfico do Recife, no cinema da Fundação.

São filmes que abordam questões socioculturais contemporâneas sobre pessoas, grupos sociais, processos históricos sob temáticas de interesse antropológico.

Este festival é uma promoção dos Programas de Pós-Graduação em Antropologia e Comunicação Social da Universidade Federal de Pernambuco.

23 de set. de 2011

ONU PEDE AO MUNDO QUE FUJA DOS POLÍTICOS QUE ALIMENTAM RACISMO E XENOFOBIA

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu nesta quinta-feira à sociedade civil que fuja dos "políticos extremistas" que alimentam o racismo e a xenofobia, principalmente em difíceis momentos econômicos como os atuais.
"Devemos resistir aos políticos que polarizam (posições e) que jogam com os medos das pessoas e utilizam estereótipos para ganhar vantagem eleitoral", afirmou Ban durante a comemoração na Assembleia Geral da ONU do 10º aniversário da Declaração de Durban contra o racismo e a xenofobia.
O principal responsável das Nações Unidas criticou duramente os que usam a política para turvar o ambiente social e conquistar benefícios eleitorais atacando "as minorias e os grupos mais vulneráveis".
"Os Governos têm de garantir que situações como o desemprego e a deterioração dos padrões de vida não forneçam desculpas para atacar aos grupos vulneráveis", indicou Ban, quem reconheceu que "as épocas difíceis econômicas" agravam os problemas racistas em todas as sociedades.
Com a presença de chefes de Estado e de Governo, Ban assegurou que, passados dez anos da assinatura da Declaração de Durban, avançou-se em inúmeros aspectos, mas reconheceu que "a intolerância aumentou em muitas partes do mundo".
Ao final do encontro, no qual também discursou a Alta Comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, o organismo internacional aprovou novamente seu compromisso contra o racismo com um documento com recomendações contra o racismo.
O secretário-geral apelou pelo fim de qualquer forma de discriminação, "contra os africanos, asiáticos, os indígenas, os imigrantes, refugiados e toda minoria, como o povo romani".
Ele encorajou a acabar com o antissemitismo, a islamofobia, a discriminação contra os cristãos, assim como com qualquer atitude negativa em direção a "raça, cor, língua, opinião política", da mesma forma que de gênero e orientação sexual.
Ban referiu-se a polêmica que acompanha a Declaração de Durban desde o nascimento em 2001, quando Estados Unidos e Israel, entre outros, abandonaram a conferência ao considerar que Israel estava sendo perseguido, sobretudo em uma resolução que equiparava sionismo com racismo.
A ONU realizou um simpósio sobre racismo no qual Ban Ki-moon participou com o presidente sul-africano, Jacob Zuma, que louvaram o papel de Nelson Mandela na luta contra o racismo.
Paralelo aos atos da ONU ocorreu em Nova York uma cúpula oposicionista, organizada pelo Instituto Hudson e o Instituto de Direitos Humanos e o Holocausto da Universidade de Touro, em protesto à comemoração do 10º aniversário da declaração.



Fonte: Terra Notícias



Comentários: É necessário cuidado para caracterizar as ideologias e movimentos sociais: o movimento sionista difere bastante dos movimentos que pregam e estimulam os preconceitos raciais (nazismo, facismo, islamofobia, dos preconceitos raciais contra outras minorias étnicas, contra os negros, etc), do antissemitismo e do movimento islâmico (que prega que a paz na Palestina só será possível se Israel for riscado do mapa e não existir mais como povo e nação, sendo assim mais um movimento antissemita semelhante ao nazismo, ao facismo e aos movimentos deflagrados pela Igreja Católica durante a inquisição).


21 de set. de 2011

UFRPE ELEGE PRIMEIRA REITORA DE UNIVERSIDADE PÚBLICA EM PERNAMBUCO

Foi divulgado na madrugada de hoje o resultado da eleição para o cargo de reitor da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Maria José de Sena foi anunciada como a primeira mulher a ocupar o cargo em uma universidade pública no estado, com 90% dos votos apurados. A chapa Compromisso e Ação é formada ainda pelo vice-reitor Marcelo Brito Carneiro Leão.

O candidato Reginaldo Barros soma 28% dos votos; Fábio Hazin 21,5% e Hélio Cabral, com 2%. Os indicadores parciais mostram a participação de 7.221 eleitores, sendo 779 professores, 698 técnicos-administrativos e 5.744 estudantes, que possuem igual peso, correspondente a um terço.
Os números finais serão apresentados na próxima sexta-feira ando será apurado o restante dos votos das urnas de papel instaladas em polos de Ensino a Distância. Só então, o Colégio Eleitoral da UFRPE, composto pelos Conselhos Universitário, de Ensino, Pesquisa e Extensão e de Curadores, vai indicar os nomes da lista tríplice encabeçada pelos candidatos da chapa vencedora para o Ministério da Educação (MEC).
Conheça a reitora - A professora Maria José de Sena é atualmente pró-reitora de Ensino de Graduação da UFRPE. Deu início a sua trajetória acadêmica em 1991, como professora colaboradora do Departamento de Medicina Veterinária, ingressando como professora efetiva em março de 1993. Assumiu funções e cargos como: supervisora da Área de Medicina Veterinária Preventiva/DMV, presidente da Comissão de Ensino/DMV, membro da Comissão Permanente de Pessoal Docente, coordenadora de Estágios da Pró-Reitoria de Ensino de Graduação e coordenadora do Curso de Medicina Veterinária.
Ela é graduada em Medicina Veterinária e Licenciatura em Ciências Agrícolas pela UFRPE, além de Licenciatura em Ciências Biológicas pela Unicap. Tem doutorados na área de Medicina Veterinária Preventiva e Epidemiologia pela UFMG.
É presidente da Câmara de Ensino de Graduação e conselheira dos Conselhos de Ensino Pesquisa e Extensão e Universitário e da Câmara de Política.Em âmbito nacional, é membro da Comissão de Acompanhamento do Sistema de Seleção Unificada - Sisu/MEC/Forgrad. Foi presidente do Fórum Nacional de Pró-Reitores de Graduação (Forgrad), no período 2009-2010.
Gestão - O Plano de Gestão de Maria José de Sena e Marcelo Brito Carneiro Leão, durante o quadriênio 2012-2014, prevê linhas de ação, projetos e políticas focados principalmente no fortalecimento do ensino, da pesquisa e da extensão da UFRPE. Entre outras prioridades, pretendem investir na reestruturação administrativa, na readequação dos espaços físicos e na ampliação da assistência estudantil para alunos da sede, das unidades, dos campi avançados, do Ensino a Distância e do Colégio Agrícola Dom Agostinho Ikas (Codai).

Fonte: Diário de Pernambuco.

18 de set. de 2011

CONGRESSO IBERO-AMERICANO DE CULTURA TERMINA COM OLHAR NOS NOVOS TEMPOS

O 4º Congresso Ibero-Americano de Cultura terminou neste sábado na cidade argentina de Mar del Plata após três dias de reflexões sobre o impacto que as mudanças políticas, sociais e econômicas levantadas na região têm no âmbito cultural.
"A região ibero-americana passou por verdadeiros ''culturicídios''. Precisamos debater porque devemos dissecar um destino que tem páginas extremamente dolorosas. Por isso, é preciso falar de uma indissolúvel relação entre política e cultura; é preciso olhar para trás para avançar para frente", disse o secretário de Cultura argentino, Jorge Coscia, no fechamento do congresso.
Organizado pelo Governo argentino e pela Secretaria-Geral Ibero-Americana, o encontro contou com a presença de 2.500 pessoas, 150 oradores e representantes de 22 países reunidos sob o lema "Cultura, política e participação popular".
"Estamos construindo com as ferramentas da cultura, da política e da participação popular, esse magnífico fenômeno da integração, completando um processo que já leva cinco séculos", disse Coscia.
Este congresso produziu um documento de balanço que será entregue às autoridades da região, junto com outros dez textos que incluem sugestões de políticas a se desenvolver nas áreas de música, artes visuais, letras, audiovisual, organizações culturais de base, políticas culturais no âmbito municipal, jornalismo e política universitária.
Durante os três dias do fórum se desenvolveram diversas mesas de debate, na qual foram temas de destaque a crise econômica global e seus efeitos no âmbito cultural, o fortalecimento de um olhar próprio sobre a identidade latino-americana, a necessidade de políticas ativas no campo cultural e a valorização da diversidade como grande ativo da região.
O congresso reuniu funcionários, especialistas e referenciais de diversos campos criativos e, em forma paralela, desenvolveu uma abundante agenda de espetáculos.
A quinta edição do Congresso Ibero-Americano de Cultura será realizado em 2012 em Zaragoza, Espanha, e o tema de debate vai ser "Cultura e tecnologia".
Fonte: Terra Notícias

11 de set. de 2011

CONSPIRAÇÃO E 11/09: TEORIAS SIMPLIFICAM O MUNDO, DIZ ANALISTAS

MARIANA BITTENCOURT

Um avião bate em uma das torres mais altas de uma das maiores cidades do mundo. Na hora, a explicação que parece mais simples é a de um acidente aéreo - hipótese levantada na manhã do dia 11 de setembro de 2001. Entretanto, a teoria só foi cogitada durante os 17 minutos entre a colisão do voo 11 da American Airlines com a Torre Norte do World Trade Center e a colisão do voo 175 com a Torre Sul do mesmo complexo. A partir daquele momento, os Estados Unidos e o mundo sabiam que estavam diante de algo muito mais complexo do que simples desastres aéreos - algo que era difícil de combater, e principalmente difícil de explicar.
Veja as principais teorias da conspiração sobre o 11/9
Tão perplexos quanto o mundo inteiro, autoridades do governo tentaram explicar ao povo americano o que havia motivado tamanha violência. Em seu primeiro discurso após os ataques, o então presidente dos EUA, George W. Bush, falou sobre terrorismo, associou-o ao islamismo, conceituou a Al-Qaeda - "está para o terrorismo assim como a máfia está para o crime" - e identificou seu líder, "um homem chamado Osama bin Laden". Por fim, Bush declarou que os EUA empregariam "todos os recursos de que dispomos (...) para impedir as ações e derrotar a rede mundial de terror".
Aos olhos de muitas pessoas, inclusive americanos, a explicação do presidente simplesmente não fazia sentido diante da dimensão dos atentados. Assim, ao longo dos últimos dez anos, surgiram diversas teorias conspiratórias sobre o que teria motivado os ataques. Algumas foram modificadas à medida que novas provas surgiam, mas todas sugeriam que o governo dos EUA tinha algum envolvimento com a tragédia.
De simples e diretas, muitas dessas teorias se tornaram mais complexas até do que a explicação oficial para os atentados. O professor emérito de ciência política Michael Barkun, da Faculdade de Maxwell de Cidadania e Relações Públicas da Universidade de Syracuse, falou ao Terra sobre as teorias conspiratórias criadas a partir do 11/9. Para ele, "essas são situações onde o efeito é enorme, mas a causa oficial não parece grande o suficiente para produzi-lo". Segundo Barlun, está por trás das teorias conspiratórias uma necessidade de explicar o mundo. Leia abaixo a entrevista completa.
Terra - Por que as pessoas criam teorias conspiratórias?
Michael Barkun - Existem muitas razões, mas eu acredito que a maior razão é para tentar atribuir um sentido ao mundo. Obviamente, as pessoas querem que o mundo faça sentido, elas querem ser capazes de entendê-lo, e uma das coisas que as teorias conspiratórias fazem é simplificar o mundo. Elas pegam uma realidade que pode parecer caótica e complicada, e dizem que há uma causa simples. Então elas estabelecem uma causa para eventos que as pessoas não conseguem explicar satisfatoriamente de outra forma. E isso fornece um benefício psicológico para as pessoas que acreditam nessas teorias.
Terra - Ao mesmo tempo em que as teorias conspiratórias tentam explicar o mundo simplificando-o, elas parecem ser construções mentais mais complexas. Por um lado, uma teoria da conspiração é algo simples, mas por outro, parece ser difícil que uma teoria dessas seja criada. Como o senhor explica esse fenômeno?
Michael Barkun - Algumas teorias conspiratórias se tornaram bastante complexas - por exemplo, algumas das teorias que foram criadas para tentar explicar os ataques de 11/9 são muito mais complicadas do que a explicação oficial. Eu acredito que essas teorias complexas são criadas em situações onde você tem eventos em que as pessoas, pelo menos algumas, acham difícil de aceitar a explicação oficial. Porque a relação entre os efeitos - que são as coisas ruins que aconteceram - e a causa que foi dada oficialmente não é considerada aceitável ou persuasiva. O que eu quero dizer com isso é que essas são situações onde o efeito é enorme, mas a causa oficial não parece grande o suficiente para produzi-lo. Se você pegar o 11/9, por exemplo, foi um evento no qual as consequências foram tremendas. Você tem três mil pessoas mortas, parte do Pentágono destruída, enorme perda de vidas e propriedade, e você pensa "o que causou isso, segundo a explicação oficial?": 19 caras sem qualquer distinção particular usando estiletes. Algumas pessoas, eu acredito, acharam extremamente difícil de aceitar que as perdas pudessem ter sido causadas por esses 19 "ninguém", 19 pessoas das quais elas nunca haviam ouvido falar, de alguma organização sobre a qual a maioria dos americanos afirmou nunca ter ouvido falar antes de 9/11, usando armas não mais sofisticadas do que estiletes. Então, para eles, tornou-se mais satisfatório aceitar uma complicada teoria conspiratória do que aceitar a explicação oficial. A mesma coisa eu acredito que se aplicou às teorias conspiratórias que tratam sobre o assassinato do presidente John Kennedy, em 1963, onde você tem esse presidente jovem e dinâmico assassinado por Lee Harvey Oswald, que era um ninguém, um perdedor, um preguiçoso, e a ideia de que esse presidente dinâmico pudesse ser assassinado por alguém assim era algo, de novo, que eu acho que para muitas pessoas foi difícil de aceitar, e foi mais fácil para elas acreditar que alguma organização o havia matado, fosse o crime organizado, fossem os comunistas, ou outros. Então, há situações em que pode ser mais satisfatório aceitar uma complexa teoria conspiratória do que uma simples.
Terra - Em maio deste ano, os Estados Unidos mataram Osama Bin Laden, mas resolveram não mostrar as fotos do terrorista morto. O que o senhor pensa sobre isso?
Michael Barkun - Eu acredito que a impressão deles foi de que, aparentemente as imagens eram bem sangrentas, e que aquelas imagens inflamariam pelo menos algumas opiniões no mundo árabe, e que seria melhor se elas não fossem divulgadas. Meu palpite é que, mesmo que as fotos tivessem sido divulgadas, ainda haveria teorias conspiratórias, ainda haveria pessoas que diriam "esse não é realmente o corpo de Bin Laden", ou "eles alteraram as fotos", algo assim.
Terra - A morte de Osama Bin Laden teve alguma intenção - ou efeito - de mudar a opinião daqueles que acreditam em teorias conspiratórias sobre o 11 de setembro?
Michael Barkun - As pessoas que acreditam em teorias conspiratórias sobre o 11/9 - a maioria delas, pelo menos - acredita que Bin Laden não estava envolvido. Então, matar Bin Laden não teria qualquer efeito em quem acredita nessas teorias. Há pouco tempo, eu participei de um evento em Nova York sobre teorias conspiratórias do 11/9. Havia vários crentes dessas teorias na plateia, e eu posso dizer a vocês que eles acreditam tão fortemente em suas teorias conspiratórias depois da morte de Osama Bin Laden quanto acreditavam antes. Então, eu penso que sua morte não teve qualquer efeito sobre quem crê nas conspirações.

Fonte: Terra Notícias

7 de set. de 2011

GUERRAS DA HEGEMONIA BLOQUEIAM LEI INTERNACIONAL ANTITERRORISMO

Felipe Schroeder Franke

O atentado das Torres Gêmeas apresentou o mundo do século XXI a um novo tipo de terrorismo, caracterizado tanto pelo seu alcance global como pelas motivações internacionais dos tantos grupos idealizadores de ataques nesta primeira década. Ocorre que os desafios lançados por esse neoterrorismo impelem a sociedade global a uma ação conjunta, que, paradoxalmente, encontra obstáculos nos vestígios e desenvolvimentos das hegemonias do passado. Ao mesmo tempo, as limitações da ação internacional contemporânea escancaram a parcialidade do conceito de "terrorismo", cujos efeitos, todavia, são sentidos de forma imparcial por povos em grandes partes do planeta.

O evento recente que melhor exemplifica o imbróglio jurídico provocado pelo novo terrorismo é a ação americana em Abbottabad, em 2 de maio de 2011, quando tropas especiais invadiram o Paquistão e mataram o terrorista Osama bin Laden em sua mansão. A tensão ficou claramente exposta: de um lado, o Paquistão sentiu sua soberania ignorada pela ação americana em território estrangeiro. De outro lado, os americanos julgaram-se no direito de agir para dar fim a um caso aberto quase 10 anos antes, cujo principal ator - internacionalmente reconhecido como um criminoso - se encontrava supostamente escondido sob as asas de um outro governo.

As duas interpretações básicas de Abbottabad indicam, respectivamente, os dois extremos vividos pela comunidade internacional sob a aura do novo terrorismo. Os defensores da ação americana, via de regra, concordam que os Estados Unidos possuíam o direito de invadir o Paquistão e, numa interpretação mais extrema, postulam que Osama bin Laden deveria mesmo ser assassinado por não ter respeitado os direitos do povo americano em 11 de setembro de 2001. Os críticos, por sua vez, defendem que o único modo de estabelecer uma paz universal neste contexto seria, conduzir o terrorista saudita a um tribunal internacional e, à luz da justiça, ser julgado pelos seus crimes.

A teoria subjacente à defesa da ação no Paquistão implica que o mundo é uma realidade brutal, na qual os únicos agentes da paz e da justiça são os próprios atores, isto é, os Estados. Já a teoria implícita nos críticos dos EUA de 2 de maio de 2011 é de que o mundo chegou a tal estágio que somente um acordo racional entre os atores permitiria o estabelecimento da paz. Em outras palavras: vivemos num mundo em que a força predomina e decide, ou num em que a racionalidade poderá se colocar acima dos interesses individuais e nos conduzir, mesmo que num futuro distante, a uma lei internacional justa aos diferentes povos?

Aporias de uma justiça internacional
"O direito internacional é diferente dos direitos nacionais. O direito nacional tem o poder de Estado que faz vigorar aquela lei. (Já) do ponto de vista do direito internacional, não tem nenhum Estado que faça vigorar aquela lei. Ela é produto de um acordo entre Estados. A rigor, o direito internacional se dá na boa intenção e no acordo das partes. A relação entre os Estados é uma relação de forças. O direito internacional vigora numa situação onde as regras são seguidas, em situações de normalidade internacional. Em situações excepcionais, você não segue regras", resume o professor de Filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Denis Rosenfield, um claro defensor favor da ação americana em Abbottad.

O presidente americano, Barack Obama, vem se degladeando com esses dois polos e tentando dar sinais de entendimento de que seu país, a maior potência do século XX, compreende e se adapta ao mundo multipolar egresso da Guerra Fria. No entanto, seu aval à ação em Abbottabad e, sobretudo, seu anúncio da morte de Bin Laden acenam para o quanto o peso da hegemonia americana herdada é um fardo a ser carregado por muito tempo. "A Justiça foi feita", exaltou Obama em discurso televisionado pelas redes americanas e repercutido na esmagadora maioria jornais do dia seguinte. Do ponto de vista individual, o povo americano provou estar seu presidente certo quando saiu às ruas na madrugada do 2 de maio para vociferar a queda do líder da Al-Qaeda. Mas do ponto de vista internacional, que é um lado imprescindível do arremedo do neoterrorismo, Obama talvez tenha ousado demais.

"O presidente estava falando de uma justiça americana que ele queria oferecer ao mundo inteiro. Nos Estados Unidos, muitos políticos fazem isso, eles sugerem que o que é bom para os Estados Unidos é bom para o mundo inteiro e que o mundo deveria nos seguir. Eu acho que ele foi infeliz em usar o termo 'Justiça', porque o que isso significa, basicamente, é um modelo antigo de justiça, uma forma de vingança", reflete o professor David Altheide, de Pesquisa Social e Justiça da Universidade do Arizona. "Nós sabemos que a justiça nem sempre é o mesmo que lei internacional, ou que, como todas as leis, nós sabemos que algumas podem ser injustas", resume.

Atrás das palavras, as amarras da parcialidade do conceito
A Organização das Nações Unidas (ONU) coleciona, desde sua fundação na metade do século passado, uma série de tentativas de elaboração de leis internacionais que versem sobre o terrorismo, mas, até hoje, nenhuma lei efetiva foi encontrada. "Na reunião de cúpula sobre 'Democracia, Terrorismo e Segurança', realizada em Madri no mês de março de 2005, ficaram patentes as dificuldades da ONU para entender o caráter geral do terrorismo contemporâneo", avalia Héctor Ricardo Leis, professor de Pós-Graduação em Ciências Humanas e Sociologia Política da Universidade Federal de Santa Catarina.

No documento, o então Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan, esboçou um conceito de terrorismo: "uma ação é terrorista quando pretende causar a morte ou sérios danos a civis ou não combatentes, com o propósito de intimidar a população ou compelir um governo ou uma organização internacional a fazer ou deixar de fazer tais atos". Vaga, a proposta de conceituação de Annan pode ser facilmente aceita em seu conteúdo, mas dificilmente ajuda na resolução de casos reais. "Esta definição de caráter excessivamente geral possui a vantagem de permitir um rápido enquadramento jurídico do ato terrorista, mas não avança na compreensão profunda do fenômeno em questão", avalia Leis.

O efetivo entendimento do terrorismo passa pela sua descrição concreta, alcançada por Annan, mas invade a zona das suas motivações e, sobretudo, das suas legitimidades, o que, é fácil entender, implicaria a inclusão daqueles estados que combatem o terror na complexa equação. Até agora, como mostram os resultados obtidos pela ONU, a sociedade internacional tem se mostrado incapaz de agir como um agente que fizesse valer uma lei entre as nações, e o resultado são Estados nacionais optando por, no vácuo jurídico, agir por conta própria e, no mais das vezes, gerando conflitos com outras nações.

Violência como consequencia do vácuo legal
"Na esfera nacional, os estados são livres para estabelecer seus marcos jurídicos; contudo, como o terrorismo contemporâneo possui características extraterritoriais, isto é, não são necessariamente praticados nos países nos quais os perpetradores possuem a cidadania, isto gera, um imbróglio jurídico, dificultando a questão", avalia Marcial Alécio Garcia Suarez, do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense (UFF). "A dificuldade de se encontrar uma definição comum e universalmente válida, esbarra na capacidade dos Estados em possuírem interesses próprios, os quais em muitas situações não convergem, logo, para atores centrais no sistema internacional pode não ser interessante uma definição de direito internacional."

Angelo Corlett, professor de Filosofia da Universidade de San Diego, compartilha desta opinião: "o principal obstáculo para estabelecer uma lei internacional sobre o terrorismo são os países como os Estados Unidos que usem seu poder para influenciar exageradamente ou ignorar tentativas da lei internacional, e isso é uma das causas do terrorismo." Para ele, um ácido crítico do governo americano, uma lei internacional sobre terrorismo seria benéfica "contanto que incorpore a ideia de que governos envolvidos com o terrorismo também terão de responder a essas novas regras".

Na ausência de uma lei internacional, os Estados nacionais atuam no espaço internacional e nacional que lhes resta e se lhes apresenta. Um recorrente caso, além do envolvendo Estados Unidos e Islã, abarca a Rússia e os chechenos, os quais há décadas concentram movimentos de independência. A inconsistência da definição de terrorismo permite que tanto Moscou acuse os separatistas de terrorismo, como eles próprio acusem o Kremlin de praticar terrorismo contra a Chechênia. Ou seja: temos duas entidadades acusando-se mutuamente de terrorismo, acusando o fracasso operacional do conceito.

E, a nível nacional, diversos casos, como o francês, mostram como o governo decide adaptar leis para, no afã de minar qualquer chance de terror, invadir a privacidade dos cidadãos. Estados Unidos e Inglaterra, alvos dos atentados de 2001 e 2005, também editaram uma série de documentos (os Terrorism Acts e os Patriot Acts, como são chamados) para tentar dar conta internamente dos riscos do terrorismo. "Nestes documentos diversos direitos constitucionais são relativizados em função da defesa nacional, tendo como ponto tangente a ameaça terrorista", lembra Suarez.

A amplitude e a complexidade das variáveis envolvidas no neoterrorismo representam um dos maiores desafios possíveis à comunidade internacional almejada pela e na ONU após a Segunda Guerra Mundial. Enquanto a lei não chegar e não for escrita e respeitada por todos, o risco é que prevaleça o reino da força, afinal o terrorismo representa, como define Rosenfield, "um tipo de violência que só pode ser eliminado com atos de violência". Ou, como resume Corlett, "até haver um entendimento devido do terrorismo, será impossível formular boas leis internacionais".

SEM LEI ANTITERRORISMO, BRASIL PRECISA "MAQUIAR" ACUSAÇÕES
Laryssa Borges
Criticado pela comunidade internacional por recorrentemente não conseguir aprovar uma legislação que tipifica o crime de terrorismo, o Brasil trata com cautela e sem alarde as suspeitas de que células terroristas poderiam estar atuando no país há pelo menos seis anos. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) monitora a presença de suspeitos de terrorismo, mas, ainda que tenha evidências do envolvimento de pessoas com atividades extremistas, a falta de tipificação do crime impede de ver os suspeitos condenados por esse tipo de ilícito.

A Constituição Federal traz apenas duas referências expressas ao terrorismo - a de que as relações internacionais do Brasil se baseiam no repúdio ao terrorismo e a que classifica prática terrorista como crime inafiançável - mas nem na Carta Magna nem em legislações infraconstitucionais está definido o que constitui o terrorismo. No Congresso Nacional, diversos projetos de lei tentaram viabilizar uma definição de terrorismo para, só assim, poder superar o impasse de se condenar um suspeito sem violar o princípio da legalidade. Previsto na Constituição, ele estabelece que "não há crime sem lei anterior que o defina". Nenhum dos textos propostos por deputados e senadores para a definição de terrorismo chegou a ser aprovado.

Nos projetos que buscam definir a prática terrorista e estabelecer penas para os atos extremistas, o terrorismo é definido ora como um ato de violência praticado apenas "com ações que envolvam explosivos ou armas de fogo", ora como práticas somente "com vistas a desestabilizar instituições estatais". Outro projeto, também nunca votado, fixa a prática de terrorismo como "crime por motivo de faccionismo político, religioso, filosófico ou étnico".

A falta de uma lei brasileira definindo o crime de terrorismo e estabelecendo punições para a prática já acarretou, por exemplo, na avaliação do ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Jorge Félix - conforme documentos enviados de Brasília a Washington e divulgados pelo WikiLeaks - de que seria importante que as operações de contra-terrorismo em território nacional fossem "maquiadas" para, sem uma acusação formal de extremismo, não afetarem a "bem-sucedida" comunidade árabe no Brasil.

"A Polícia Federal frequentemente prende indivíduos ligados ao terrorismo, mas os acusa de uma variedade de crimes não relacionados a terrorismo para não chamar a atenção da imprensa e dos altos escalões do governo. (...) A Polícia Federal prendeu vários indivíduos envolvidos em atividades suspeitas de financiamento de terrorismo, mas baseou essas prisões em acusações de tráfico de drogas ou evasão fiscal", diz telegrama secreto do ex-embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Clifford Sobel, obtido pelo WikiLeaks.

As críticas ao vácuo legal do Brasil no que diz respeito ao terrorismo foram tornadas públicas também no mais recente volume dos Relatórios sobre Terrorismo por País elaborado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos. "O compromisso total do Brasil com o combate ao terrorismo e às atividades ilícitas que poderiam ser exploradas para facilitar o terrorismo foi enfraquecido devido à falha do governo em fortalecer sua estrutura legal de contra-terrorismo de modo significativo. Embora a lei brasileira criminalize o financiamento de terroristas quando ligado ao crime de lavagem de dinheiro, ela não criminaliza o financiamento de terroristas em si como crime independente", aponta o documento.

Fonte: Terra Notícias.

25 de ago. de 2011

DCE DA UNICAP PROMOVE MINICURSO SOBRE "TEORIA MARXISTA"

O DCE da UNICAP estará promovendo um minicurso sobre "Teoria Marxista" na última semana de Agosto.
Eis aí uma boa oportunidade para quem quiser conhecer um pouco mais sobre o paradigma materialista-dialético de interpretação da realidade social, econômica e política das civilizações humanas...

18 de ago. de 2011

FUNDAÇÃO JOAQUIM NABUCO DIVULGA PROGRAMAÇÃO AUDIOVISUAL PARA ENRIQUECIMENTO DOS DEBATES DOS GRUPOS DE TRABALHO DO CONGRESSO ALAS

Proposta de programação audiovisual na Fundação Joaquim Nabuco para o XXVIII Congresso da Associação Latino-americana de Sociologia (ALAS), com o tema Fronteiras abertas da América Latina, que ocorrerá no Recife entre os dias 06 a 11 de setembro de 2011. Caso queiram marcar um horário especial no cinema da Fundação - na parte da tarde - ,
enviar email para "edineide franco".

Proposta:
- Exibição em DVD da mostra Os Latino-Americanos, produzido pela Televisión América Latina (TAL) na Fundação Joaquim Nabuco (Derby), na sala João Cardoso Ayres (às 19h nos dias úteis entre 22 de agosto a 5 de setembro) e no Cinema da Fundação Joaquim Nabuco (dia 6 de setembro, às 14h30). Entrada franca, sujeita à lotação da sala (JCA, 50 lugares, Cinema, 197 lugares + 3 cadeirantes).

Sobre a mostra:
- Em consonância com o projeto de elevar o pensamento crítico pelos grupos de trabalhos do 28º Congresso da ALAS, a Fundação Joaquim Nabuco oferece as exibições gratuitas da mostra Os Latino-Americanos.
Os 12 documentários que compõem a mostra são resultados de um desafio lançado pela Televisão América Latina (TAL) para realizadores da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, Equador, México, Paraguai, Perú, Uruguai e Venezuela.

A TAL é uma rede de intercâmbio e divulgação da produção audiovisual dos 20 países da América Latina, hoje presidida pelo cineasta Orlando Senna. A instituição, que é também uma web-tv e produtora de vídeo, não tem fins lucrativos e é ligada a centenas de associados. São canais públicos de TV, instituições culturais e educativas e produtores independentes que compartilham seus documentários, séries e curtas-metragens. A TAL hoje acumula um acervo de sete mil programas com a idéia de aproximar os povos latino-americanos.

Os cineastas locais convidados para compor o projeto Os Latino-Americanos teriam de “definir o latino-americano além da retórica simplificadora dos manuais e formular os termos de identidade para um continente”, diz Alberto Ramos no catálogo da mostra.

Um dos aspectos a observar é que, nesse espelho audiovisual coletivo, tornaram-se mais claras as desigualdades socioeconômicas que marcam as relações no continente.

Segundo o jornalista Cássio Starling Carlos, os realizadores conseguiram com que, mesmo mantendo aspectos de especificadades locais como prática religiosa, misutras étnicas, efeitos de migração de políticas econômicas e de injustiças sociais, os filmes focassem a perspectiva do sujeito, do indivíduo, sem nunca dissolvê-lo sob instâncias generalizantes, fugindo do folclore ou dos estereótipos.

Programação:
22 agosto (segunda-feira) – 19h (sala João Cardoso Ayres)
Os uruguaios
Mariana Viñoles
53’ - Uruguay - 2006


23 agosto (terça-feira) – 19h (sala João Cardoso Ayres)
Os colombianos
Omar Rincón
52’ - Colombia – 2006

24 agosto (quarta-feira) – 19h (sala João Cardoso Ayres)
Os peruanos
Ernesto Cabellos Damián
53’ - Perú – 2008

25 agosto (quinta-feira) – 19h (sala João Cardoso Ayres)

Os mexicanos
Alejandro Strauss
54’ - México – 2006

26 agosto (sexta-feira) – 19h (sala João Cardoso Ayres)
Os venezuelanos
Anabel Rodríguez Ríos e Andrea Herrera Catalá
56’ / Venezuela / 2008

29 agosto (segunda-feira) – 19h (sala João Cardoso Ayres)
Os equatorianos
Juan Martín Cueva
54’ - Ecuador – 2008

30 agosto (terça-feira) – 19h (sala João Cardoso Ayres)
Os paraguaios
Marcelo Martinessi
54’ - Paraguay - 2006


31 agosto (quarta-feira) – 19h (sala João Cardoso Ayres)
Os cubanos
Arturo Sotto
55’ - Cuba - 2008

1º setembro (quinta-feira) – 19h (sala João Cardoso Ayres)
Os bolivianos
Verónica Cordóvas
53’ – Bolívia/Brasil – 2008

2 setembro (sexta-feira) – 19h (sala João Cardoso Ayres)
Os chilenos
Aldo Oviedo T.
52’ – Chile/Brasil

5 setembro (segunda-feira) – 19h (sala João Cardoso Ayres)
Os argentinos
Luis Esnal
54’ - Argentina - 2006

6 setembro (terça-feira) – 14h30 (Cinema da Fundação Joaquim Nabuco)
Os brasileiros
Philippe Barcinski
52’ – Brasil – 2011

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A série Os Latino-Americanos

Os uruguaios
Mariana Viñoles
53’ - Uruguay - 2006
Os Uruguaios opta pelas palavras: a mulher que trocou a cidade pelo campo, um pequeno fazendeiro, um advogado bem sucedido, um imigrante italiano, um guarda florestal e um estudante contam suas histórias, enquanto encontramos o espírito uruguaio impregnado nas águas do Prata, no tango de Gardel ou numa rua ensolarada.
06/12, 19h30, FUNDAJ
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Os colombianos
Omar Rincón
52’ - Colombia - 2006
Os Colombianos não é um documentário, ainda que suas imagens sejam reais, nem uma ficção, ainda que devaneie sobre o que é a identidade colombiana. Para o diretor, trata-se de um ensaio. Um apanhado geral da Colômbia cotidiana, sem verdades absolutas nem depoimentos carregados de orgulho patriótico
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Os paraguaios
Marcelo Martinessi
54’ - Paraguay - 2006
“Muero con mi patria” (morro com a minha pátria) teria dito o Marechal Solano López quando morria na Guerra do Paraguai em 1870. Sua pátria sobreviveu e continuou parindo heróis. Os Paraguaios parte dos primórdios da nação guarani para o Paraguai contemporâneo: historiadores, antropólogos, escritores e artistas tentam desatar os nós de uma realidade de contrastes.
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Os peruanos
Ernesto Cabellos Damián
53’ - Perú - 2008
Em meio a tantas diferenças que podem ser encontradas em um país, existe um espaço onde toda uma nação se sente harmoniosamente integrada. No Peru, esse espaço é a cozinha. O documentário Os Peruanos - Panelas e Sonhos é uma viagem de exploração a um universo de cores, texturas, sabores e cheiros, que revela a história e a cultura de um povo.
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Os equatorianos
Juan Martín Cueva
54’ - Ecuador - 2008
“Identidade? Não é algo que seja herdado e que permaneça imóvel mas sim uma coisa que podemos transformar”. As palavras do poeta Jorgenrique Adoum sintetizam a inquietação do documentário Os Equatorianos, Este Maldito País - músicos, agricultores, antropólogos e pescadores fazem uma reflexão em várias vozes sobre a identidade equatoriana.
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Os cubanos
Arturo Sotto
55’ - Cuba - 2008
Um anúncio de rádio convoca a população cubana a participar de um documentário, contando histórias reais que tenham algo de “extraordinário, autêntico, único, maravilhoso”. Esse é o ponto de partida de Os Cubanos - Breton é um bebê. A equipe de gravação faz uma viagem por toda a ilha, para registrar o que há de mais surreal em Cuba.
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Os argentinos
Luis Esnal
54’ - Argentina - 2006
Com objetivo de capturar as raízes da cultura argentina, a equipe percorreu 13 mil quilômetros. Pessoas e paisagens foram registradas: da salina a quatro mil metros à cantina italiana em Buenos Aires. Da aldeia guarani em Misiones às montanhas de Humahuaca. Um mergulho profundo num país complexo, graças à diversidade de suas identidades
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Os venezuelanos
Anabel Rodríguez Ríos e Andrea Herrera Catalá
56’ / Venezuela / 2008
Há venezuelanos que, em seu dia a dia, parecem desafiar o impossível. Depoimentos de personagens de diferentes regiões são complementados com videoclipes que retratam seu cotidiano, em ambientes variados e surpreendentes como plataformas de petróleo, minas de ouro e conjuntos habitacionais gigantescos.

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Os mexicanos
Alejandro Strauss
54’ - México - 2006
Por meio do contraste entre estereótipos no momento da entrada da sociedade mexicana à pós-modernidade, o documentário mostra múltiplas faces do México atual. O diretor busca derrubar a visão homogênea sobre o país construída pelo olhar europeu. Discursos que evidenciam que o México é conformado por “muitos países dentro de um só”.
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Os bolivianos
Verónica Cordóvas
53’ – Bolívia/Brasil – 2008
Em uma época de transformações na Bolívia, uma série de perguntas é repetida nas nove províncias do país, para personagens de diversas idades, profissões e religiões. O resultado é uma colagem de entrevistas, imagens e sentimentos que ajudam a entender como são os bolivianos.
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Os chilenos
Aldo Oviedo T.
52’ – Chile/Brasil - 2011
Desde o árido deserto do Atacama até as florestas frias da Patagônia, descobrimos personagens únicos, ‘guardiões do patrimônio nacional’, que lutam desde suas trincheiras para proteger a cultura do povo chileno, a semente que dá origem ao alimento, a terra e o mar, a ecologia, a música, raiz do folclore nacional, a cidade e a arquitetura , todos eles mostrarão a beleza deste território chamado Chile.
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Os brasileiros
Philippe Barcinski
52’ – Brasil – 2011
É possível definir o povo brasileiro a partir de seu gestual, de seu uso do corpo? Antônio Nóbrega, Carlinhos de Jesus, Ângela Madureira e Ana Catarina Vieira procuram responder a essa pergunta analisando suas trajetórias pessoais e as origens do samba, do frevo, do maracatu e de outras manifestações da cultura popular brasileira.

12 de ago. de 2011

APÓS 11/9 MUNDO REVIVE CHOQUE MEDIEVAL DE CRISTÃOS E MULÇUMANOS

Imagem mostra o batismo de mouros após a conquista de Granada, na Espanha, pelos cristãos-Foto: Hulton Archive/Getty Images
Direto de Nova York
Vencedor do prêmio Pulitzer por duas vezes, por conta dos dois tomos da magistral biografia de uma das figura mais importantes da luta pelos direitos civis dos negros dos EUA, o sóciologo W. E. B. Du Bois, primeiro afro-americano dutorando em Harvard, o professor da Universidade de Nova York (NYU) David Levering Lewis é um dos principais especialistas na história da formação do mundo islâmico na academia norte-americana. Seu livro 'Islã e a Formação da Europa - 570 a 1215' (Editora Manole) é considerada obra fundamental para se entender o atual choque entre os mundos cristão e muçulmano.
No livro, lançado em 2008, Lewis joga por terra a ideia de que a identidade europeia se deu unicamente pela confluência judaico-cristã, com os muçulmanos apresentados como neo-bárbaros, assassinos de heróis ocidentais. O período medieval da "convivência" ibérica (em que judeus, cristãos e muçulmanos tentaram se acomodar culturalmente) é especialmente interessante para se estabelecer paralelos históricos com uma possível - e fundamental - comunhão entre as três linhas de pensamento religioso no século XXI. Em entrevista exclusiva ao Terra em seu apartamento na parte setentrional de Manhattan, Lewis fala sobre os múltiplos significados dos atentados do 11 de setembro, que completam 10 anos mês que vem, a ignorância americana, o fundamentalismo islâmico e o papel emergente do Brasil no novo tabuleiro político mundial.
Terra - Qual foi sua experiência estando no Marrocos, um país de maioria islâmica, quando do ataque ao World Trade Center, em 2001?
David Levering Lewis - O choque dos marroquinos, da população, foi genuíno. Estávamos na kasbah quando a notícia nos chegou. Fomos levados para uma casa ocupada por um casal da embaixada americana e passamos a ver tudo pela BBC. Eu e minha mulher voltamos para nosso hotel à pé e quando deixávamos a embaixada um local nos abordou e disse: "Senhores, queria que soubessem o quão tristes estamos com o que aconteceu. E nós, marroquinos, fomos os primeiros a reconhecer formalmente os EUA como nação independente". Eu, historiador, não sabia disso. Fiquei impressionado, claro. A reação comum era a mesma: incredulidade e simpatia. Mas, no momento em que deixamos Fez, uma semana depois, já sob o impacto da resposta do governo Bush, começamos a ouvir a narrativa de que os americanos não deveriam se surpreender com os ataques.
Terra - Era como se os EUA estivessem pagando a conta de sua posição pró-Israel nas últimas décadas...
Lewis - Exatamente. E a resposta ao 11 de setembro não era esperada pelas populações daquela parte do mundo, a invasão do Afeganistão e, especialmente, do Iraque. Mas boa parte dos americanos também não conseguiu acreditar no que aconteceu. O chefe da inteligência dos EUA, Richard Clarke, diz que ficou atônito quando, no dia 12 de setembro de 2001, Bush pediu a ele para encontrar alguam ligação entre o ataque e Saddam Hussein. Foi uma reação bizarra de Washington, que jamais poderia ser prevista. Hoje, claro, entendemos melhor a mentalidade de Bush Júnior e das pessoas que o cercavam. Eles estavam esperando uma oportunidade para agir. Conseguiram no 11 de setembro.
Terra - Mas o senhor não é um adepto das teorias de conspiração que circundam o 11 de setembro, não é?
Lewis - Não. Mas acho estranho ninguém se perguntar porque não conseguimos encontrar Osama Bin Laden até este ano. Claro, era uma tarefa difícil. Mas sempre acreditei que mantê-lo vivo e escondido fosse fundamental para a justificativa da ocupação do Afeganistão.
Terra - Por outro lado, boa parte da direita americana diz que a primavera árabe não teria ocorrido sem a ocupação americana do Iraque e a política de disseminação da democracia no mundo islâmico...
Lewis - Que fique bem claro, de uma vez por todas: uma coisa não tem nada a ver com outra. Sim, há alguma relação de causa e efeito aqui, mas vem do fato de que desestabilizamos aquela região de tal maneira, que abriu-se a janela para que protestos contra autocracias outras acontecessem. Mas foi só isso.
Terra - Na introdução de seu livro, o senhor escreveu que o império supremo do século XX, os EUA, estava destinado a uma colisão com o Islã similar ao que o império britânico enfrentou no fim do século XIX. O senhor poderia elaborar mais esta coincidência histórica?
Lewis - Quando terminei minha biografia de W. E. B. Du Bois, tive a oportunidade de escrever um outro livro sobre o tema dos direitos civis dos negros nos EUA. Decidi escrever algo sobre o que considerava ser o tópico mais importante para um historiador americano naquele momento: uma narrativa sobre a relação entre o Islã e o mundo cristão. Mas enfrentei muita resistência, com editores dizendo coisas como: "mas como assim, um livro com todos estes nomes árabes, difíceis de pronunciar?" (risos). Diziam: "porque vamos voltar para os tempos de Rolando e Córdoba" Leve seu livro para a América Profunda, para Ohio!". Logo percebi que precisava escrever um prefácio em que explicava a inevitabilidade de 'O Islã e a Formação da Europa'. E vivi no Sudão em 1982, em meio a uma pesquisa sobre os fundamentalistas que conseguiram deter o avanço britânico na África Oriental por uma década depois de 1885. Aquela resistência militar organizada foi uma grande surpresa para os ingleses. Foi uma tentativa de se criar Medina no Norte do Sudão!
Terra - E hoje o império americano encontra uma força resistente com ideologia similar no mundo islâmico...
Lewis - Sim, embora a população americana, mesmo depois do 11 de setembro siga negando o fato de viver sob um regime imperial. Mas entramos em colisão com o Islã, em todo o planeta, de modo chocante. Há algo curioso: vivi em Jersey City, do outro lado do rio Hudson, na esquina da mesquita comandada pelo xeque egípico Omar Abdul Rahman (o "xeque cego"), que engendrou o primeiro ataque às torres, em 1993. Há décadas estes fundamentalistas se opõem de forma radical à política externa do império americano.
Terra - Mas o quão semelhante estes fundamentalistas do século XXI são dos do século XIX?
Lewis - Em seu núcleo, é o mesmo movimento. Não é mero acaso o homem que derrubou o secularismo no Sudão nos anos 80 seja um descendente direto dos fundamentalistas do século XIX, interessado em impor a sharia. A ideia do "povo do norte" no Sudão é a de reconstuir o califado muçulmano. E a Al-Qaeda não seria o que é sem o período passado por Osama Bin Laden no Sudão, abrigado pelos fundamentalistas contemporâneos. Mas é preciso pensar na variedade, no caráter heterogêneo da manifestação islâmica. É preciso pensar caso a caso.
Terra - Se um muçulmano do século XI tivesse a oportunidade de vir ao nosso tempo, escutar um pronunciamento de Bush, ver um vídeo da Al-Qaeda, o que pensaria do cenário político global?
Lewis - Um dos questionamentos que certamente passariam pela cabeça desta pessoa seria o fato de o mundo ter virado de pernas para o ar, historicamente fazendo pouco sentido para o que se via no século XI, quando nós, muçulmanos, fatímidas, abássidas, estávamos vencendo. O mundo seria nosso. Ciência, tecnologia, comércio, a economia global. Como as coisas estão tão reversas? Mas, há, também, um paralelo possível. Em 1085 Toledo caiu em mãos cristãs e aquele foi o começo do fim da "Convivência", a experiência breve em que os muçulmanos e cristãos viveram em relativa harmonia. Aquele foi o início de um confronto de civilizações. Estamos vivendo algo mais ou menos semelhante agora.
Terra - O senhor acredita que o 11 de setembro, assim como Toledo, seja um marco histórico no sentido de representar o limite da expansão da atual encarnação do fundamentalismo islâmico no mundo ocidental?
Lewis - É, inegavelmente, um dos grandes momentos históricos planetários. Mas, como historiador, não devo fazer profecias. Não estou certo se podemos dizer com certeza algo a não ser o fato de que a resposta dos EUA ao que aconteceu naquele dia fatídico foi um grande erro. Nos enterrou ainda mais no choque com o mundo islâmico. Antes do 11 de setembro muita gente, como historiador Paul Kennedy, anunciou o fim breve da supremacia americana. Mas ninguém acreditou que aconteceria tão rapidamente. Porque sentimos isso. Acabou o mundo unipolar, iniciado com o fim da União Soviética em 1989. Não estávamos preparado para lutar três guerras ao mesmo tempo, mas não fomos derrotados. No entanto, a derrocada econômica a partir do 11 de setembro gerou o momento histórico dos chamados BRICs, Brasil, Rússia, Índia e China, e com Turquia também surgindo, cada um a seu modo, e com ênfase no aspecto econômico, desafiando a hegemonia americana.
Terra - O senhor inclui o Brasil entre os possíveis novos líderes globais...
Lewis - O Brasil é o grande fenômeno do hemisfério ocidental, que parece oferecer ao mundo algo extremamente original, uma resposta nova aos desafios da questão ecológica, com o etanol e as novas maneiras de lidar com a Amazônia. É uma competição saudável aos EUA, que, apesar de seguir como a maior economia do planeta, vem acumulando problemas cada vez mais sérios neste flanco. Nossa decadência está sendo acelerada por uma prática geo-política equivocada, especialmente no Oriente Médio. Hoje não é mais uma presunção de um certo Osama a ideia de que Washington está por trás das políticas anti-islâmicas coordenadas por Israel. Se em setembro os EUA vetarem o reconhecimento pela ONU do estado palestino, por conta do regime de Sharon-Netanyahu, a percepção será a pior possível naquela região e em boa parte do mundo.
Terra - A convivência que existiu, ainda que breve, na Península Ibérica, entre cristãos, muçulmanos e judeus, poderia se repetir nos dias de hoje?
Lewis - Judeus e muçulmanos são sobreviventes. E há uma ponte cultural clara, histórica, entre as duas religiões. Mais relevante, se você é um israelense e prestar atenção ao crescimento populacional daquela região, não há outra alternativa. A tática de destruir as tentativas do Irã de construir uma bomba nuclear na expectativa de que o conflito será retardado é falível. Lutar, perder, e migrar para os EUA, de novo, não quero profetizar, é outra possibilidade, remota hoje. Mas os israelenses se beneficiariam de um acordo, com ajuda dos EUA, da Comunidade Européia e da Arábia Saudita, em que uma nova convivência fosse estabelecida no Oriente Médio. Mas há uma resistência enorme dos fundamentalistas dos dois lados. Netanyahu é hoje um prisioneiro dos fundamentalistas judeus. O mesmo acontece do outro lado da fronteira.
Fonte: Terra Notícias.


11 de ago. de 2011

ESPECIALISTAS TENTAM EXPLICAR DISTÚRBIOS NO REINO UNIDO

Muitas teorias foram discutidas nos últimos dias para tentar explicar as causas dos distúrbios na Inglaterra. De decadência moral a consumismo excessivo. No texto abaixo, criminologistas e especialistas dão opiniões a respeito de alguns dos argumentos.
Dependência do sistema de bem-estar:
Max Hastings, em um artigo para o jornal britânico Daily Mail, falou a respeito de um "espírito social pervertido, que eleva a liberdade pessoal ao absoluto, e nega à classe baixa a disciplina (...) que, sozinha, poderia capacitar alguns de seus membros para escapar do pântano de dependência em que vivem".
David Wilson, professor de criminologia da Birmingham City University, afirma que existe uma cultura de merecimento na Grã-Bretanha. "Mas não é apenas relativa à classe baixa - é relativa aos políticos, aos banqueiros, aos jogadores de futebol".
"Não é apenas com uma classe em particular, permeia todos os níveis da sociedade. Quando vemos políticos pedindo TVs de tela plana e sendo presos por fraudarem suas despesas, fica claro que os jovens de todas as classes não estão tendo uma liderança apropriada", afirmou.
Exclusão social:
Camila Batmanghelidjh, fundadora da organização de caridade Kids Company, escreveu em um artigo para o jornal The Independent que existe uma percepção de que a comunidade não fornece nada aos seus membros. "...Não se trata do ataque ocasional contra a dignidade, é a humilhação repetida, ser continuamente desprovido em uma sociedade rica em posses".
Estudos sugerem que viver em áreas socialmente desprivilegiadas pode ser um fator, de acordo com Marian FitzGerald, professora convidada de criminologia na Universidade de Kent. "Mas os excluídos sociais não são sempre os que causam os distúrbios, na verdade eles geralmente são os que estão mais vulneráveis aos tumultos. Precisamos de uma abordagem melhor ao invés de apenas usar a exclusão social como uma desculpa".
Falta de pais:
Segundo Cristina Odone, do jornal Daily Telegraph, a causa dos distúrbios pode ser encontrada na falta de um modelo masculino nas famílias. "Como a esmagadora maioria dos jovens criminosos presos, estes membros de gangues tem uma coisa em comum: não há um pai em suas casas".
"Criei dois meninos sozinha", afirma a professora Marian FitzGerald. "Sim, existem algumas questões a respeito de onde os meninos vão tirar um senso positivo de masculinidade quando não tem ninguém em casa para dar isto. Mas se você tem uma família estável, então eles meninos podem ser bem-sucedidos".
Cortes nos gastos:
O candidato do Partido Trabalhista à Prefeitura de Londres, Ken Livingstone, sugeriu em entrevista à BBC que as medidas de austeridade do governo foram responsáveis pelos distúrbios. "Se você está fazendo grandes cortes, sempre há o potencial para este tipo de revolta", disse.
Mas, para a professora FitzGerald, é muito cedo para afirmar isto. "A total implementação dos cortes para os serviços de autoridades locais, que terá o maior impacto nestas áreas, só será sentida no próximo ano". "No entanto, pode ser que devido à tanta informação sobre a polícia cortando gastos, os causadores dos tumultos podem ter assimilado a mensagem de que a probabilidade de serem pegos é menor".
Pouco policiamento:
Em um editorial, o tabloide The Sun afirmou que é "loucura" o fato de canhões de água não terem sido disponibilizado para os policiais e que o Parlamento "não deve ser sensível" a respeito do uso de gás lacrimogêneo e munição não letal.
Também foi discutido o impacto das críticas ao policiamento dos protestos durante a reunião do G20 em Londres, em 2009. Alguns comentaristas sugeriram que os policiais podem ter medo de enfrentar os saqueadores diretamente temendo processos.
O professor David Wilson afirma que pode ter feito alguma diferença se os saqueadores tivessem encontrado um policiamento mais forte. "Vários saqueadores que foram entrevistados claramente gostavam do sentimento de poder. Eles foram estimulados a sentir que as cidades pertenciam a eles", disse. "Mas, não acho que isto está relacionado ao politicamente correto. O que tem caracterizado a Justiça britânica nos últimos 25 ou 30 anos é o grande número de jovens que mandamos para as prisões em comparação com nossos vizinhos europeus".
Racismo:
A violência começou no bairro londrino de Tottenham, no sábado, depois da morte de Mark Duggan, um negro de 29 anos, baleado pela polícia. Christina Patterson, do jornal The Independent, afirmou que a questão racial não pode ser negligenciada.
"Muitos homens negros foram mortos pela polícia. Muitos homens e mulheres foram tratados como criminosos quando não eram. Esta não é a causa destes distúrbios, mas está lá, na mistura".
Mas a professora FitzGerald afirma que as mortes nas mãos da polícia são muito raras. "Segundo relatórios do IPCC (comissão que supervisiona o trabalho policial) nos últimos três anos ocorreram apenas sete e todos elas foram de pessoas brancas".
"A Polícia Metropolitana passou por grandes mudanças de atitute (...). Dito isto, o uso desproporcional dos poderes de parada e busca em cidadãos levou jovens negros em particular, que normalmente obedecem à lei, a potenciais confrontos com a polícia", acrescentou.
Gangsta rap e cultura:
Escrevendo para o Daily Mirror, Paul Routledge culpou a "cultura perniciosa de ódio que cerca o rap, que glorifica violência e despreza a autoridade (especialmente a polícia, mas incluindo os pais), exalta o materialismo inútil e elogia as drogas".
Para o professor David Wilson está claro que a cultura das gangues é um fenômeno real. "Uma vez eu entrevistei um menino que disse que 'apenas porque eu gosto da música não significa que eu concordo com as letras', e isto é verdade", afirma a professora FitzGerald. "Mas pode ser um fator quando levamos em conta aqueles podem ser particularmente suscetíveis".
Consumismo:
"Estes são saques em shoppings, caracterizados pelas escolhas dos consumidores", afirmou Zoe Williams, do jornal The Guardian. "Isto é o que acontece quando as pessoas não têm nada, quando coisas que eles não podem pagar são constantemente esfregadas em suas caras e eles não tem razão para acreditar que serão capazes de comprar estas coisas algum dia", acrescentou.
A professora Marian FitzGerald afirma que, em estudos sobre crimes de rua, este é um fator a ser lembrado. "Mas, com os distúrbios recentes, eu não tenho certeza - no contexto dos saques, está relacionado com o que você pode fazer. Além de telefones celulares e roupas, também houve roubos de coisas pequenas como doces e latas de cerveja".
Oportunismo:
"Enquanto mais e mais pessoas se envolveram com os distúrbios, outros tentaram se juntar a eles, confiantes de que uma pessoa em um mar de centenas tem pouca probabilidade de ser pega ou responsabilizada", escreveu Carolina Bracken para o jornal The Irish Times.
"Oportunismo misturado com o sentimento de fazer parte de uma grande gangue poderão ter estimulado quem normalmente não faria algo assim", afirma a professra FitzGerald. "Também é significativo o sentimento de invulnerabilidade, pois eles fazem parte de algo tão grande. E também está ligado a isto o sentimento de fazer algo transgressivo e se sentir poderoso em uma cultura na qual eles não tem muito poder".
Tecnologia e redes sociais:
"Redes sociais e outros métodos foram usados para organizar estes níveis de ganância e criminalidade", afirmou Steve Kavanagh, da Polícia Metropolitana.
Para o professor David Wilson, este é um fenômeno pouco explorado. "Durante anos sabemos que gangues e hooligans usavam a tecnologia para se juntar e brigar. Acho que a polícia foi muito lenta para reagir a isto". "Mas, como sabemos, telefones celulares também podem ser usados para enfrentar a criminalidade e, até certo ponto, acho que é algo que a polícia prefere subestimar", acrescentou.


Fonte: Terra Notícias.