CIÊNCIAS SOCIAIS

CIÊNCIAS SOCIAIS

18 de out. de 2011

UMA EM CADA SETE PESSOAS DO MUNDO PASSA FOME, DIZ PMA

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA) consideram que a situação da fome no mundo é alarmante, devido ao constante aumento da população mundial e a forte alta dos preços dos alimentos.
"Uma em cada sete pessoas no mundo vai dormir com fome, a maioria delas mulheres e crianças", manifestou Lauren Landis, diretora do escritório do PMA em Genebra durante a inauguração de uma exposição para denunciar este problema.
Lauren, que apresentou no Palácio de Nações a mostra "Lutando contra a fome juntos", lembrou que "a fome mata mais pessoas a cada ano do que a Aids, a malária e a tuberculose".
O objetivo da FAO e do PMA é alertar sobre este problema para encontrar soluções para a atual volatilidade do mercado de alimentos e conseguir passar de uma situação de crise a uma de estabilidade que garanta comida para toda a população.
Entre 2005 e 2008, os preços dos alimentos alcançaram seu nível mais alto dos últimos 30 anos, com aumentos preocupantes em itens básicos como milho, que subiu 74% nos últimos 18 meses e o arroz, que subiu 166%.
Esta situação causou revolta na população, que respondeu com episódios de agitação civil em mais de 20 países da África. A situação se agravou com a crise econômica internacional em 2008 e a posterior atuação de especuladores.
Abdesselam Ould Ahmed, diretor do escritório da FAO em Genebra, explicou à Agência Efe que "a situação se tornou dramática a partir de 2008, quando os preços alcançaram uma alta histórica e quase dobraram num período de três a quatro anos".
"Após a queda em 2009, estamos outra vez com os preços em uma situação de alta. O quadro agora é mais dramático pelo aumento dos preços, a crise e outros problemas que limitam a capacidade do setor agrícola em suprimir a demanda", disse.
Ahmed ressaltou que há "muitas razões por trás da alta dos preços". Entre estas destacou que "a cada ano há 80 milhões de bocas a mais para alimentar no mundo" e os países em desenvolvimento elevam seu nível de vida, aumentando a pressão alimentícia.
"Estes países aumentaram o consumo de carne e de outros alimentos nutritivos que precisam de uma produção intensiva, principalmente no que se refere ao consumo de cereais", afirmou.
Ressaltou o papel importante dos especuladores, "há grandes investimentos em jogo no mercado de alimentos para aproveitar a situação atual, o que está intensificando a alta dos preços e a volatilidade".
O representante da FAO afirmou que a atual crise de fome que afeta milhares de pessoas no Chifre da África deve servir como alerta para outros países que podem sofrer com situação similar no futuro.
"Muitos países estão expostos a crises desse tipo. É uma crise complexa, com um país destruído pela guerra, mas uma escassez como esta pode se repetir em outros lugares, onde se combinem a seca, os altos preços dos alimentos e a instabilidade", advertiu.
Fonte: Terra Notícias

17 de out. de 2011

AS DEZ LIÇÕES MAIS IMPORTANTES DE STEVE JOBS...

As 10 lições mais importantes de Steve Jobs

Steve Jobs faleceu aos 56 anos de idade. Ao longo das últimas horas a notícia tem sido capa dos sites mais importantes do mundo, incluindo a homepage da Google, que mostrou mais uma vez, que acima dos negócios, da concorrência, e de todo o resto, deve estar o humanismo e o respeito pelo próximo. Os noticiários abriram o dia com a notícia da morte de Steve Jobs, e o mundo ficou um lugar mais pobre.O Twitter ficou inundado de mensagens de apoio, tristeza e admiração pelo líder e visionário que Steve Jobs foi, com as hashtags #RIP SteveJobs e #ThankYou Steve a liderar praticamente os rankings em vários países por todo o mundo. O Facebook está recheado de fotografias, vídeos e citações incríveis de Steve Jobs.Para quem é fã dos produtos produzidos pela Apple, a ligação a Steve Jobs é sem dúvida natural. Steve Jobs conseguiu mudar a forma como todos nós vemos o mundo, interagimos uns com os outros, ou simplesmente a forma como transportamos a internet no nosso bolso. Foi sem dúvida um visionário, que conseguiu deixar a sua marca no Universo em que todos vivemos, ao ponto de muitos de nós, termos sabido da sua morte, através de um aparelho que o próprio inventou. Como disse Bill Gates no seu comunicado após a morte de Steve Jobs: “I Will Miss Steve Immensely”. Todos nós iremos sentir a sua falta, por diversas razões.Steve Jobs ensinou-nos, a todos nós, muitas lições sobre empreendedorismo, liderança, criatividade e acima de tudo, sobre saber viver. Tome nota destas lições e aprenda a ser um visionário também, sabendo concretamente para onde você desenha caminhar e que objetivos pretende atingir.Numa das suas citações mais populares, Steve Jobs referiu um aspecto muito importante, que infelizmente muitos de nós ainda não conseguimos atingir. Tome nota:“Your time is limited, so don’t waste it living someone else’s life.” – Steve JobsBasicamente, esta citação encaixa-se perfeitamente em todos aqueles que perdem mais tempo criticando ou desdenhando o trabalho dos seus concorrentes, do que propriamente a fazerem algo para mudar o mundo, ou simplesmente ajudar os outros.
1. A SAÚDE EM PRIMEIRO LUGAR
O primeiro aspecto que salta à vista é a questão da saúde. Por mais empreendedor que você seja, por mais dinheiro que você tenha, por mais incrível que seja o seu trabalho, a sua saúde é e será sempre, muito mais importante que tudo isso. Se você, tal como eu, passa dezenas de horas sentado em frente a um computador, pense também na importância do exercício físico e numa alimentação saudável. Junte-se a um grupo de amigos para correr, jogar futebol ou simplesmente inscreva-se num ginásio. Quanto mais você trabalhar com foco na sua saúde, melhores serão os seus rendimentos na sua vida profissional.
2. CONECTE OS PONTOS
No seu discurso à Universidade de Stanford, Steve Jobs disse: ‎“(…)É impossível ligar os pontos olhando para a frente, consegue-se apenas olhando para trás. Mas se acreditar que no final os pontos se ligarão, terá confiança para seguir o coração e isso fará a diferença(….)”. Se você perdeu o emprego, está passando dificuldades, ou simplesmente não está conseguindo rentabilizar o seu trabalho, não desanime. Continue trabalhando, procurando, estudando e tentando novas formas de dar a volta por cima. Por vezes aquilo que achamos que é o pior que nos podia acontecer, acaba sendo uma janela de oportunidades incríveis para o futuro.
3. DEDIQUE-SE ÀQUILO QUE VOCÊ MAIS GOSTA
No seu discurso para a Universidade de Stanford, Steve Jobs referiu a importância de você fazer aquilo de que mais gosta, ser curioso e procurar constantemente novos desafios e oportunidades para aprender mais. este ensinamento é sem dúvida um dos mais importantes. Por mais que você queira ganhar dinheiro, o mais importante, na verdade, não é o dinheiro que você ganha, mas sim o prazer que você consegue extrair daquilo que faz.Foi esse prazer por tipografia, usabilidade, interfaces e computação que fez com que o primeiro Macintosh tivesse tipos de fontes que ainda hoje são usadas em computadores pessoais como esse que você tem em casa.“Do you want to spend the rest of your life selling sugared water or do you want a chance to change the world?” – Steve Jobs.
4. O SUCESSO REQUER TEMPO
Steve Jobs iniciou a Apple com o seu colega Steve Wozniak e na verdade o sucesso da empresa demorou 10 anos. Esse foi o tempo necessário para a marca Apple tornar-se numa empresa no valor de 2 bilhões de dólares e uma referência de mercado. O sucesso demora tempo e requer muito trabalho e dedicação. O sucesso é algo que se conquista ao longo do tempo, com dedicação, empenho e acima de tudo muito trabalho.“Being the richest man in the cemetery doesn’t matter to me … Going to bed at night saying we’ve done something wonderful… that’s what matters to me.” – Steve Jobs.
5. RECOMEÇAR DO ZERO NÃO SIGNIFICA PERDER TUDO…
Aos 30 anos de idade, Steve Jobs foi oficialmente afastado da Apple. A empresa tinha crescido tanto, que foi necessário integrar uma outra pessoa para correr a empresa lado-a-lado com Steve Jobs. No primeiro ano correu tudo bem, mas aí começaram as divergências ao nível da visão de futuro, e ambos acabaram entrando em brigas e discussões que levaram a direção executiva da Apple a dispensar os serviços de Steve Jobs. A verdade é que ser afastado de uma empresa que você próprio criou não significa ter de começar tudo do zero…significa que você pode dar a volta por cima e mostrar que é realmente talentoso. E foi precisamente isso que Steve Jobs fez.Com a sua saída da Apple, Steve Jobs teve a possibilidade de voltar a ser um iniciante sem qualquer tipo de pressão no mundo empresarial, e isso fez com que entrasse num dos períodos mais criativos da sua vida profissional, tendo criado duas empresas: A Pixar, que desenvolveu o filme de animação Toy Story e foi comprada pela Disney por 7 bilhões de dólares, e a NeXT, uma empresa de tecnologias para computadores que foi comprada pela Apple, e que fez com que Steve Jobs regressasse novamente à sua empresa mãe.“I’m convinced that about half of what separates the successful entrepreneurs from the non-successful ones is pure perseverance.” – Steve Jobs.
6. AME AQUILO QUE VOCÊ FAZ
Se você quer ter sucesso e/ou ficar na história, você tem obrigatoriamente de amar aquilo que faz. Dificilmente alguém é reconhecido pelo seu sucesso fazendo algo que detesta. Se ainda não encontrou aquilo que ama, continue procurando. É certo que um dia encontrará.“I want to put a ding in the universe.” – Steve Jobs.
7. APRENDA A MUDAR
Uma das citações mais famosas de Steve Jobs é “Se você vive cada dia como se fosse o último, um dia você acerta”. Mas esta citação vale muito mais do que aquilo que se consegue ler. Esta citação significa mudança. Steve Jobs, olhava no espelho todos os dias e perguntava para si próprio: “Se hoje fosse meu último dia de vida, eu desejaria estar fazendo o farei hoje?”. Quando a resposta era negativa vários dias seguidos, Steve sabia que tinha de mudar alguma coisa. Isto significa que quando você não tem prazer fazendo aquilo que faz, você tem obrigatoriamente de mudar e procurar um novo caminho, uma nova abordagem. Só dessa forma você conseguirá retirar prazer da sua vida profissional e alcançar mais facilmente o sucesso.“I’m as proud of what we don’t do as I am of what we do.” – Steve Jobs.
8. NÃO SE PREOCUPE COM O QUE OS OUTROS PENSAM
Quando você sabe concretamente o que pretende atingir e para onde deseja se direcionar, aquilo que os outros falam ou pensam, pouco interessa. O mais importante no mundo é você seguir o coração e fazer aquilo que deseja fazer, sem medo de falhar ou errar. Não tenha medo daquilo que as pessoas pensam ou falam sobre você, quando você tem a certeza do caminho que pretende percorrer para atingir os seus objetivos.“You can’t just ask customers what they want and then try to give that to them. By the time you get it built, they’ll want something new.” – Steve Jobs.
9. PROCURE SEMPRE MELHORAR
Numa outra das suas citações mais populares, Steve Jobs diz “Sejam tolos, sejam famintos”. O que isso significa concretamente é que você deverá sempre procurar ser melhor do que é, ou simplesmente melhorar aquilo que já tem consigo. Você irá sempre conseguir melhorar. Nunca estar satisfeito com aquilo que se tem, é extremamente importante para se conseguir melhorar e alcançar novos objetivos. Procure estudar mais, investir mais em si e nos seus projetos e melhorar a cada dia que passa.“Remembering that I’ll be dead soon is the most important tool I’ve ever encountered to help me make the big choices in life.” – Steve Jobs.
10. SEJA SEMPRE HUMILDE
A humildade é algo que não nasce com todos nós, pelo que é necessário cultivá-la. Intitular-se como “O melhor” ou “O Guru” não faz de si um profissional mais humilde, antes pelo contrário. Deixe que sejam os outros a definir o seu grau de qualidade. Deixe que sejam as críticas a dizer quem você é, e resuma-se simplesmente a tentar fazer melhor a cada dia que passa. Steve Jobs foi sempre, durante o seu reinado, um profissional humilde e respeitador, e essa é a razão pela qual o mundo inteiro, hoje, admira o trabalho que realizou em vida.

3 de out. de 2011

A IMPORTÂNCIA DA SOCIOLOGIA EM TODAS AS FASES DO ENSINO PARA A FORMAÇÃO DA CONSCIÊNCIA CRÍTICA E CIDADÃ

Por que a Sociologia é importante?
O ensino da Sociologia, é obrigatório para o Ensino Médio desde 2008. Mas especialistas garantem que ela é fundamental também para crianças.
23/09/2011 18:14
Texto Ligia Menezes

Foto: Cláudia Marianno

A sociologia pode ser de grande ajuda à formação de jovens e crianças, saiba mais sobre essa matéria.
Por que as pessoas pensam e agem de forma tão diferente umas das outras? Por que algumas têm muito dinheiro, enquanto outras dormem nas ruas? Por que o que parece certo para uma é totalmente errado para outra? Toda criança já questionou algo do tipo para os pais. É comum os pequenos terem dúvidas sobre a sociedade em que vivem. Pois a Sociologia tem o objetivo de responder essas questões e ensinar o funcionamento das interações pessoais. "Diferentemente da Psicologia, que estuda o individuo, a Filosofia, que explica as idéias e o conhecimento, a Sociologia observa a sociedade agindo sobre as pessoas e as instituições, buscando apontar na sua dinâmica, contradições e regularidades", ensina o sociólogo Mario Miranda Antonio Junior, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP).
Não é à toa que, desde 2008, a matéria não é considerada mais extracurricular . Pelo contrário, há três anos foi aprovada a lei 11.684, que obriga o ensino de Sociologia no Ensino Médio em todas as escolas brasileiras. "Muitas ministram o curso com outro nome, como Ação e Cidadania, porém, o conteúdo é bem próximo ao das Ciências Sociais", diz o cientista social Rafael Araújo, coordenador da Escola de Sociologia e Política de São Paulo e professor da PUC-SP.
É preciso ficar atento pois muitas escolas enxergam a matéria como um custo desnecessário. "Há aquelas escolas, por exemplo, que entregam as aulas nas mãos de professores de outras disciplinas, que não têm formação em sociologia, para não precisarem contratar mais gente", aponta Roberto Ravena Vicente, sociólogo e professor da matéria no colégio Ítaca, em São Paulo.
Tire suas dúvidas sobre a importância dessa matéria para as crianças:
O que é a Sociologia?
É a ciência que estuda a sociedade e as regras de seu funcionamento. "Ela avalia a interação entre os indivíduos e seus desdobramentos na formação de grupos, associações e instituições", diz o cientista social Rafael Araújo, coordenador da Escola de Sociologia e Polí tica de São Paulo e professor da PUC-SP.
Estudar Sociologia é importante?
Como a maioria das escolas não oferece aulas de sociologia para os Ensinos Infantil e Fundamental, a participação dos pais deve ser dobrada. As noções da matéria devem ser introduzidas desde a alfabetização dos pequenos, de forma bem sutil, com noções de cidadania, ensinamentos sobre as regras de trânsito e respeito ao próximo.
"Esses são temas que interessam à sociologia e que podem ser debatidas com crianças ainda muito jovens", diz o cientista social Rafael Araújo. A complexidade desses conhecimentos deve ser aumentada com o passar do tempo. Muitas escolas passam esses ensinamentos por meio da disciplina de Estudos Sociais, importantíssima na opinião dos especialistas.
"Aos poucos, a criança conseguirá entender a sociedade e começará a pensar sobre ela, sobre situações cotidianas de exclusão, privação ou conflitos que causam inquietação, insegurança e estranhamente", completa o sociólogo Mario Miranda Antonio Junior, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP).
O ensino da Sociologia é essencial às crianças?
Sim. A sociologia desenvolve o ‘espírito de cooperação’, incentiva a responsabilidade e o cuidado com o mundo de forma consciente. "Com a sociologia, a criança aprende a conviver em grupos e desenvolve senso de responsabilidade pelo outro e pelo espaço, além de compreender a importância de regras", cita o cientista social Rafael Araújo. Dessa maneira, vai aprendendo a ser cidadã.
Qual é a importância da Sociologia para adolescentes?
Para os adolescentes, a Sociologia é importante para compreender como é possível existirem tantas pessoas diferentes, com perspectivas e vontades distintas e mais, como elas conseguem conviver juntas no mesmo espaço.
A adolescência é um período de transformações físicas e psicológicas, onde surgem muitos questionamentos e conflitos. "Entendendo a dinâmica da sociedade e sua importância enquanto individuo, fica mais fácil situar-se e ajustar-se", explica o sociólogo Mario Miranda Antonio Junior. Além disso, a sociologia permite ao jovem dosar sua liberdade de ação e compreender sua importância e a necessidade de colaborar com as pessoas.
Por que seu ensino não era obrigatório antes de 2008?
Durante o período militar, as disciplinas de Sociologia e Filosofia foram excluídas do currículo escolar, devido à censura. Depois, foram voltando gradativamente, até que em 2008, foi aprovada a lei 11.684, que torna obrigatória sua prática para o Ensino Médio.
Como são as aulas de Sociologia nas escolas?
Depende de cada escola. O ensino da Sociologia não precisa ser interativo nem exigir debates em sala, por exemplo. Ele pode trabalhar conceitos, como em uma aula de História. Pode ainda trazer esses conceitos para o presente, exemplificando com o próprio cotidiano dos alunos. Tudo vai depender do professor e claro, da maturidade dos alunos em sala.
Para o professor Roberto Ravena Vicente, do colégio Ítaca, achar que a aula de Sociologia deve ser mais dialogada do que as outras é um engano muito comum. "Acontece que, diferentemente de outras áreas, nós trabalhamos com temas que os alunos já têm opiniões e ideias prévias. Daí a opção de muitos professores em valorizar as ideias como forma de motivar os alunos e incentivar sua participação. O desafio, nesse caso, é não ficar no senso comum", diz.
Não é preciso florear ou usar artifícios para que os estudantes entendam a matéria. Claro que há um enfrentamento dos textos, que são complexos, mas os alunos dão conta, avisa Roberto. "Principalmente quando percebem a relação direta com a sociedade em que vivem", conta.
Quais são as vantagens de aprender Sociologia na escola e não apenas na faculdade?
- Desenvolve o senso crítico em relação à sociedade e a autocrítica;
- Instiga o jovem a questionar informações, pois desperta a curiosidade;
- Mostra o que é espaço público e o que é privado;
- Possibilita a compreensão de como funcionam os grupos e a dinâmica de inclusão e exclusão;
- Ensina a respeitar o diferente, a aceitar culturas e realidades distintas;
- Afasta o estudante do senso comum, capacitando-o a formar idéias de qualidade sobre o mundo e sobre a própria vida.
Sociologia cai no vestibular?
Sociologia não costuma cair no vestibular do estado de São Paulo, porém, para muitas faculdades tradicionais - públicas e privadas - do país, questões da matéria são exigidas. No Enem , ela também está presente. Por isso, os especialistas não hesitam em dizer que estudar sociologia pode ajudar o vestibulando, sim. Entenda: as leituras obrigatórias da sociologia e as discussões que ela inclui só têm a colaborar para o bom desempenho do aluno no vestibular. "Se eles vão escrever sobre cotas raciais, que é um tema bem próximo a eles. Graças à sociologia, eles sabem a diferença conceitual que existe entre raça e etnia ou entre preconceito e discriminação", diz o professor Roberto Ravena Vicente.

Fonte:http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/sociologia-importante-641082.shtml, in 03/10/2011.

Segundo Ricardo Antunes de Abreu (Sociólogo na empresa Prefeitura de Guarulhos) “ a FNS-Federação Nacional dos Sociólogos - www.fns-brasil.org foi contactada pela Editora Abril para um entrevista sobre "Sociologia". Indicamos o sociólogo Mario Miranda que, exemplarmente soube expor a magnitude de nossa ciência. Parabéns!”

27 de set. de 2011

III FESTIVAL DE FILME ETNOGRÁFICO OCORRE NA FUNDAJ

A Fundaj está promovendo entre os dias 26 a 29 de setembro, o III Festival de Filme Etnográfico do Recife, no cinema da Fundação.

São filmes que abordam questões socioculturais contemporâneas sobre pessoas, grupos sociais, processos históricos sob temáticas de interesse antropológico.

Este festival é uma promoção dos Programas de Pós-Graduação em Antropologia e Comunicação Social da Universidade Federal de Pernambuco.

23 de set. de 2011

ONU PEDE AO MUNDO QUE FUJA DOS POLÍTICOS QUE ALIMENTAM RACISMO E XENOFOBIA

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu nesta quinta-feira à sociedade civil que fuja dos "políticos extremistas" que alimentam o racismo e a xenofobia, principalmente em difíceis momentos econômicos como os atuais.
"Devemos resistir aos políticos que polarizam (posições e) que jogam com os medos das pessoas e utilizam estereótipos para ganhar vantagem eleitoral", afirmou Ban durante a comemoração na Assembleia Geral da ONU do 10º aniversário da Declaração de Durban contra o racismo e a xenofobia.
O principal responsável das Nações Unidas criticou duramente os que usam a política para turvar o ambiente social e conquistar benefícios eleitorais atacando "as minorias e os grupos mais vulneráveis".
"Os Governos têm de garantir que situações como o desemprego e a deterioração dos padrões de vida não forneçam desculpas para atacar aos grupos vulneráveis", indicou Ban, quem reconheceu que "as épocas difíceis econômicas" agravam os problemas racistas em todas as sociedades.
Com a presença de chefes de Estado e de Governo, Ban assegurou que, passados dez anos da assinatura da Declaração de Durban, avançou-se em inúmeros aspectos, mas reconheceu que "a intolerância aumentou em muitas partes do mundo".
Ao final do encontro, no qual também discursou a Alta Comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, o organismo internacional aprovou novamente seu compromisso contra o racismo com um documento com recomendações contra o racismo.
O secretário-geral apelou pelo fim de qualquer forma de discriminação, "contra os africanos, asiáticos, os indígenas, os imigrantes, refugiados e toda minoria, como o povo romani".
Ele encorajou a acabar com o antissemitismo, a islamofobia, a discriminação contra os cristãos, assim como com qualquer atitude negativa em direção a "raça, cor, língua, opinião política", da mesma forma que de gênero e orientação sexual.
Ban referiu-se a polêmica que acompanha a Declaração de Durban desde o nascimento em 2001, quando Estados Unidos e Israel, entre outros, abandonaram a conferência ao considerar que Israel estava sendo perseguido, sobretudo em uma resolução que equiparava sionismo com racismo.
A ONU realizou um simpósio sobre racismo no qual Ban Ki-moon participou com o presidente sul-africano, Jacob Zuma, que louvaram o papel de Nelson Mandela na luta contra o racismo.
Paralelo aos atos da ONU ocorreu em Nova York uma cúpula oposicionista, organizada pelo Instituto Hudson e o Instituto de Direitos Humanos e o Holocausto da Universidade de Touro, em protesto à comemoração do 10º aniversário da declaração.



Fonte: Terra Notícias



Comentários: É necessário cuidado para caracterizar as ideologias e movimentos sociais: o movimento sionista difere bastante dos movimentos que pregam e estimulam os preconceitos raciais (nazismo, facismo, islamofobia, dos preconceitos raciais contra outras minorias étnicas, contra os negros, etc), do antissemitismo e do movimento islâmico (que prega que a paz na Palestina só será possível se Israel for riscado do mapa e não existir mais como povo e nação, sendo assim mais um movimento antissemita semelhante ao nazismo, ao facismo e aos movimentos deflagrados pela Igreja Católica durante a inquisição).


21 de set. de 2011

UFRPE ELEGE PRIMEIRA REITORA DE UNIVERSIDADE PÚBLICA EM PERNAMBUCO

Foi divulgado na madrugada de hoje o resultado da eleição para o cargo de reitor da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Maria José de Sena foi anunciada como a primeira mulher a ocupar o cargo em uma universidade pública no estado, com 90% dos votos apurados. A chapa Compromisso e Ação é formada ainda pelo vice-reitor Marcelo Brito Carneiro Leão.

O candidato Reginaldo Barros soma 28% dos votos; Fábio Hazin 21,5% e Hélio Cabral, com 2%. Os indicadores parciais mostram a participação de 7.221 eleitores, sendo 779 professores, 698 técnicos-administrativos e 5.744 estudantes, que possuem igual peso, correspondente a um terço.
Os números finais serão apresentados na próxima sexta-feira ando será apurado o restante dos votos das urnas de papel instaladas em polos de Ensino a Distância. Só então, o Colégio Eleitoral da UFRPE, composto pelos Conselhos Universitário, de Ensino, Pesquisa e Extensão e de Curadores, vai indicar os nomes da lista tríplice encabeçada pelos candidatos da chapa vencedora para o Ministério da Educação (MEC).
Conheça a reitora - A professora Maria José de Sena é atualmente pró-reitora de Ensino de Graduação da UFRPE. Deu início a sua trajetória acadêmica em 1991, como professora colaboradora do Departamento de Medicina Veterinária, ingressando como professora efetiva em março de 1993. Assumiu funções e cargos como: supervisora da Área de Medicina Veterinária Preventiva/DMV, presidente da Comissão de Ensino/DMV, membro da Comissão Permanente de Pessoal Docente, coordenadora de Estágios da Pró-Reitoria de Ensino de Graduação e coordenadora do Curso de Medicina Veterinária.
Ela é graduada em Medicina Veterinária e Licenciatura em Ciências Agrícolas pela UFRPE, além de Licenciatura em Ciências Biológicas pela Unicap. Tem doutorados na área de Medicina Veterinária Preventiva e Epidemiologia pela UFMG.
É presidente da Câmara de Ensino de Graduação e conselheira dos Conselhos de Ensino Pesquisa e Extensão e Universitário e da Câmara de Política.Em âmbito nacional, é membro da Comissão de Acompanhamento do Sistema de Seleção Unificada - Sisu/MEC/Forgrad. Foi presidente do Fórum Nacional de Pró-Reitores de Graduação (Forgrad), no período 2009-2010.
Gestão - O Plano de Gestão de Maria José de Sena e Marcelo Brito Carneiro Leão, durante o quadriênio 2012-2014, prevê linhas de ação, projetos e políticas focados principalmente no fortalecimento do ensino, da pesquisa e da extensão da UFRPE. Entre outras prioridades, pretendem investir na reestruturação administrativa, na readequação dos espaços físicos e na ampliação da assistência estudantil para alunos da sede, das unidades, dos campi avançados, do Ensino a Distância e do Colégio Agrícola Dom Agostinho Ikas (Codai).

Fonte: Diário de Pernambuco.

18 de set. de 2011

CONGRESSO IBERO-AMERICANO DE CULTURA TERMINA COM OLHAR NOS NOVOS TEMPOS

O 4º Congresso Ibero-Americano de Cultura terminou neste sábado na cidade argentina de Mar del Plata após três dias de reflexões sobre o impacto que as mudanças políticas, sociais e econômicas levantadas na região têm no âmbito cultural.
"A região ibero-americana passou por verdadeiros ''culturicídios''. Precisamos debater porque devemos dissecar um destino que tem páginas extremamente dolorosas. Por isso, é preciso falar de uma indissolúvel relação entre política e cultura; é preciso olhar para trás para avançar para frente", disse o secretário de Cultura argentino, Jorge Coscia, no fechamento do congresso.
Organizado pelo Governo argentino e pela Secretaria-Geral Ibero-Americana, o encontro contou com a presença de 2.500 pessoas, 150 oradores e representantes de 22 países reunidos sob o lema "Cultura, política e participação popular".
"Estamos construindo com as ferramentas da cultura, da política e da participação popular, esse magnífico fenômeno da integração, completando um processo que já leva cinco séculos", disse Coscia.
Este congresso produziu um documento de balanço que será entregue às autoridades da região, junto com outros dez textos que incluem sugestões de políticas a se desenvolver nas áreas de música, artes visuais, letras, audiovisual, organizações culturais de base, políticas culturais no âmbito municipal, jornalismo e política universitária.
Durante os três dias do fórum se desenvolveram diversas mesas de debate, na qual foram temas de destaque a crise econômica global e seus efeitos no âmbito cultural, o fortalecimento de um olhar próprio sobre a identidade latino-americana, a necessidade de políticas ativas no campo cultural e a valorização da diversidade como grande ativo da região.
O congresso reuniu funcionários, especialistas e referenciais de diversos campos criativos e, em forma paralela, desenvolveu uma abundante agenda de espetáculos.
A quinta edição do Congresso Ibero-Americano de Cultura será realizado em 2012 em Zaragoza, Espanha, e o tema de debate vai ser "Cultura e tecnologia".
Fonte: Terra Notícias

11 de set. de 2011

CONSPIRAÇÃO E 11/09: TEORIAS SIMPLIFICAM O MUNDO, DIZ ANALISTAS

MARIANA BITTENCOURT

Um avião bate em uma das torres mais altas de uma das maiores cidades do mundo. Na hora, a explicação que parece mais simples é a de um acidente aéreo - hipótese levantada na manhã do dia 11 de setembro de 2001. Entretanto, a teoria só foi cogitada durante os 17 minutos entre a colisão do voo 11 da American Airlines com a Torre Norte do World Trade Center e a colisão do voo 175 com a Torre Sul do mesmo complexo. A partir daquele momento, os Estados Unidos e o mundo sabiam que estavam diante de algo muito mais complexo do que simples desastres aéreos - algo que era difícil de combater, e principalmente difícil de explicar.
Veja as principais teorias da conspiração sobre o 11/9
Tão perplexos quanto o mundo inteiro, autoridades do governo tentaram explicar ao povo americano o que havia motivado tamanha violência. Em seu primeiro discurso após os ataques, o então presidente dos EUA, George W. Bush, falou sobre terrorismo, associou-o ao islamismo, conceituou a Al-Qaeda - "está para o terrorismo assim como a máfia está para o crime" - e identificou seu líder, "um homem chamado Osama bin Laden". Por fim, Bush declarou que os EUA empregariam "todos os recursos de que dispomos (...) para impedir as ações e derrotar a rede mundial de terror".
Aos olhos de muitas pessoas, inclusive americanos, a explicação do presidente simplesmente não fazia sentido diante da dimensão dos atentados. Assim, ao longo dos últimos dez anos, surgiram diversas teorias conspiratórias sobre o que teria motivado os ataques. Algumas foram modificadas à medida que novas provas surgiam, mas todas sugeriam que o governo dos EUA tinha algum envolvimento com a tragédia.
De simples e diretas, muitas dessas teorias se tornaram mais complexas até do que a explicação oficial para os atentados. O professor emérito de ciência política Michael Barkun, da Faculdade de Maxwell de Cidadania e Relações Públicas da Universidade de Syracuse, falou ao Terra sobre as teorias conspiratórias criadas a partir do 11/9. Para ele, "essas são situações onde o efeito é enorme, mas a causa oficial não parece grande o suficiente para produzi-lo". Segundo Barlun, está por trás das teorias conspiratórias uma necessidade de explicar o mundo. Leia abaixo a entrevista completa.
Terra - Por que as pessoas criam teorias conspiratórias?
Michael Barkun - Existem muitas razões, mas eu acredito que a maior razão é para tentar atribuir um sentido ao mundo. Obviamente, as pessoas querem que o mundo faça sentido, elas querem ser capazes de entendê-lo, e uma das coisas que as teorias conspiratórias fazem é simplificar o mundo. Elas pegam uma realidade que pode parecer caótica e complicada, e dizem que há uma causa simples. Então elas estabelecem uma causa para eventos que as pessoas não conseguem explicar satisfatoriamente de outra forma. E isso fornece um benefício psicológico para as pessoas que acreditam nessas teorias.
Terra - Ao mesmo tempo em que as teorias conspiratórias tentam explicar o mundo simplificando-o, elas parecem ser construções mentais mais complexas. Por um lado, uma teoria da conspiração é algo simples, mas por outro, parece ser difícil que uma teoria dessas seja criada. Como o senhor explica esse fenômeno?
Michael Barkun - Algumas teorias conspiratórias se tornaram bastante complexas - por exemplo, algumas das teorias que foram criadas para tentar explicar os ataques de 11/9 são muito mais complicadas do que a explicação oficial. Eu acredito que essas teorias complexas são criadas em situações onde você tem eventos em que as pessoas, pelo menos algumas, acham difícil de aceitar a explicação oficial. Porque a relação entre os efeitos - que são as coisas ruins que aconteceram - e a causa que foi dada oficialmente não é considerada aceitável ou persuasiva. O que eu quero dizer com isso é que essas são situações onde o efeito é enorme, mas a causa oficial não parece grande o suficiente para produzi-lo. Se você pegar o 11/9, por exemplo, foi um evento no qual as consequências foram tremendas. Você tem três mil pessoas mortas, parte do Pentágono destruída, enorme perda de vidas e propriedade, e você pensa "o que causou isso, segundo a explicação oficial?": 19 caras sem qualquer distinção particular usando estiletes. Algumas pessoas, eu acredito, acharam extremamente difícil de aceitar que as perdas pudessem ter sido causadas por esses 19 "ninguém", 19 pessoas das quais elas nunca haviam ouvido falar, de alguma organização sobre a qual a maioria dos americanos afirmou nunca ter ouvido falar antes de 9/11, usando armas não mais sofisticadas do que estiletes. Então, para eles, tornou-se mais satisfatório aceitar uma complicada teoria conspiratória do que aceitar a explicação oficial. A mesma coisa eu acredito que se aplicou às teorias conspiratórias que tratam sobre o assassinato do presidente John Kennedy, em 1963, onde você tem esse presidente jovem e dinâmico assassinado por Lee Harvey Oswald, que era um ninguém, um perdedor, um preguiçoso, e a ideia de que esse presidente dinâmico pudesse ser assassinado por alguém assim era algo, de novo, que eu acho que para muitas pessoas foi difícil de aceitar, e foi mais fácil para elas acreditar que alguma organização o havia matado, fosse o crime organizado, fossem os comunistas, ou outros. Então, há situações em que pode ser mais satisfatório aceitar uma complexa teoria conspiratória do que uma simples.
Terra - Em maio deste ano, os Estados Unidos mataram Osama Bin Laden, mas resolveram não mostrar as fotos do terrorista morto. O que o senhor pensa sobre isso?
Michael Barkun - Eu acredito que a impressão deles foi de que, aparentemente as imagens eram bem sangrentas, e que aquelas imagens inflamariam pelo menos algumas opiniões no mundo árabe, e que seria melhor se elas não fossem divulgadas. Meu palpite é que, mesmo que as fotos tivessem sido divulgadas, ainda haveria teorias conspiratórias, ainda haveria pessoas que diriam "esse não é realmente o corpo de Bin Laden", ou "eles alteraram as fotos", algo assim.
Terra - A morte de Osama Bin Laden teve alguma intenção - ou efeito - de mudar a opinião daqueles que acreditam em teorias conspiratórias sobre o 11 de setembro?
Michael Barkun - As pessoas que acreditam em teorias conspiratórias sobre o 11/9 - a maioria delas, pelo menos - acredita que Bin Laden não estava envolvido. Então, matar Bin Laden não teria qualquer efeito em quem acredita nessas teorias. Há pouco tempo, eu participei de um evento em Nova York sobre teorias conspiratórias do 11/9. Havia vários crentes dessas teorias na plateia, e eu posso dizer a vocês que eles acreditam tão fortemente em suas teorias conspiratórias depois da morte de Osama Bin Laden quanto acreditavam antes. Então, eu penso que sua morte não teve qualquer efeito sobre quem crê nas conspirações.

Fonte: Terra Notícias

7 de set. de 2011

GUERRAS DA HEGEMONIA BLOQUEIAM LEI INTERNACIONAL ANTITERRORISMO

Felipe Schroeder Franke

O atentado das Torres Gêmeas apresentou o mundo do século XXI a um novo tipo de terrorismo, caracterizado tanto pelo seu alcance global como pelas motivações internacionais dos tantos grupos idealizadores de ataques nesta primeira década. Ocorre que os desafios lançados por esse neoterrorismo impelem a sociedade global a uma ação conjunta, que, paradoxalmente, encontra obstáculos nos vestígios e desenvolvimentos das hegemonias do passado. Ao mesmo tempo, as limitações da ação internacional contemporânea escancaram a parcialidade do conceito de "terrorismo", cujos efeitos, todavia, são sentidos de forma imparcial por povos em grandes partes do planeta.

O evento recente que melhor exemplifica o imbróglio jurídico provocado pelo novo terrorismo é a ação americana em Abbottabad, em 2 de maio de 2011, quando tropas especiais invadiram o Paquistão e mataram o terrorista Osama bin Laden em sua mansão. A tensão ficou claramente exposta: de um lado, o Paquistão sentiu sua soberania ignorada pela ação americana em território estrangeiro. De outro lado, os americanos julgaram-se no direito de agir para dar fim a um caso aberto quase 10 anos antes, cujo principal ator - internacionalmente reconhecido como um criminoso - se encontrava supostamente escondido sob as asas de um outro governo.

As duas interpretações básicas de Abbottabad indicam, respectivamente, os dois extremos vividos pela comunidade internacional sob a aura do novo terrorismo. Os defensores da ação americana, via de regra, concordam que os Estados Unidos possuíam o direito de invadir o Paquistão e, numa interpretação mais extrema, postulam que Osama bin Laden deveria mesmo ser assassinado por não ter respeitado os direitos do povo americano em 11 de setembro de 2001. Os críticos, por sua vez, defendem que o único modo de estabelecer uma paz universal neste contexto seria, conduzir o terrorista saudita a um tribunal internacional e, à luz da justiça, ser julgado pelos seus crimes.

A teoria subjacente à defesa da ação no Paquistão implica que o mundo é uma realidade brutal, na qual os únicos agentes da paz e da justiça são os próprios atores, isto é, os Estados. Já a teoria implícita nos críticos dos EUA de 2 de maio de 2011 é de que o mundo chegou a tal estágio que somente um acordo racional entre os atores permitiria o estabelecimento da paz. Em outras palavras: vivemos num mundo em que a força predomina e decide, ou num em que a racionalidade poderá se colocar acima dos interesses individuais e nos conduzir, mesmo que num futuro distante, a uma lei internacional justa aos diferentes povos?

Aporias de uma justiça internacional
"O direito internacional é diferente dos direitos nacionais. O direito nacional tem o poder de Estado que faz vigorar aquela lei. (Já) do ponto de vista do direito internacional, não tem nenhum Estado que faça vigorar aquela lei. Ela é produto de um acordo entre Estados. A rigor, o direito internacional se dá na boa intenção e no acordo das partes. A relação entre os Estados é uma relação de forças. O direito internacional vigora numa situação onde as regras são seguidas, em situações de normalidade internacional. Em situações excepcionais, você não segue regras", resume o professor de Filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Denis Rosenfield, um claro defensor favor da ação americana em Abbottad.

O presidente americano, Barack Obama, vem se degladeando com esses dois polos e tentando dar sinais de entendimento de que seu país, a maior potência do século XX, compreende e se adapta ao mundo multipolar egresso da Guerra Fria. No entanto, seu aval à ação em Abbottabad e, sobretudo, seu anúncio da morte de Bin Laden acenam para o quanto o peso da hegemonia americana herdada é um fardo a ser carregado por muito tempo. "A Justiça foi feita", exaltou Obama em discurso televisionado pelas redes americanas e repercutido na esmagadora maioria jornais do dia seguinte. Do ponto de vista individual, o povo americano provou estar seu presidente certo quando saiu às ruas na madrugada do 2 de maio para vociferar a queda do líder da Al-Qaeda. Mas do ponto de vista internacional, que é um lado imprescindível do arremedo do neoterrorismo, Obama talvez tenha ousado demais.

"O presidente estava falando de uma justiça americana que ele queria oferecer ao mundo inteiro. Nos Estados Unidos, muitos políticos fazem isso, eles sugerem que o que é bom para os Estados Unidos é bom para o mundo inteiro e que o mundo deveria nos seguir. Eu acho que ele foi infeliz em usar o termo 'Justiça', porque o que isso significa, basicamente, é um modelo antigo de justiça, uma forma de vingança", reflete o professor David Altheide, de Pesquisa Social e Justiça da Universidade do Arizona. "Nós sabemos que a justiça nem sempre é o mesmo que lei internacional, ou que, como todas as leis, nós sabemos que algumas podem ser injustas", resume.

Atrás das palavras, as amarras da parcialidade do conceito
A Organização das Nações Unidas (ONU) coleciona, desde sua fundação na metade do século passado, uma série de tentativas de elaboração de leis internacionais que versem sobre o terrorismo, mas, até hoje, nenhuma lei efetiva foi encontrada. "Na reunião de cúpula sobre 'Democracia, Terrorismo e Segurança', realizada em Madri no mês de março de 2005, ficaram patentes as dificuldades da ONU para entender o caráter geral do terrorismo contemporâneo", avalia Héctor Ricardo Leis, professor de Pós-Graduação em Ciências Humanas e Sociologia Política da Universidade Federal de Santa Catarina.

No documento, o então Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan, esboçou um conceito de terrorismo: "uma ação é terrorista quando pretende causar a morte ou sérios danos a civis ou não combatentes, com o propósito de intimidar a população ou compelir um governo ou uma organização internacional a fazer ou deixar de fazer tais atos". Vaga, a proposta de conceituação de Annan pode ser facilmente aceita em seu conteúdo, mas dificilmente ajuda na resolução de casos reais. "Esta definição de caráter excessivamente geral possui a vantagem de permitir um rápido enquadramento jurídico do ato terrorista, mas não avança na compreensão profunda do fenômeno em questão", avalia Leis.

O efetivo entendimento do terrorismo passa pela sua descrição concreta, alcançada por Annan, mas invade a zona das suas motivações e, sobretudo, das suas legitimidades, o que, é fácil entender, implicaria a inclusão daqueles estados que combatem o terror na complexa equação. Até agora, como mostram os resultados obtidos pela ONU, a sociedade internacional tem se mostrado incapaz de agir como um agente que fizesse valer uma lei entre as nações, e o resultado são Estados nacionais optando por, no vácuo jurídico, agir por conta própria e, no mais das vezes, gerando conflitos com outras nações.

Violência como consequencia do vácuo legal
"Na esfera nacional, os estados são livres para estabelecer seus marcos jurídicos; contudo, como o terrorismo contemporâneo possui características extraterritoriais, isto é, não são necessariamente praticados nos países nos quais os perpetradores possuem a cidadania, isto gera, um imbróglio jurídico, dificultando a questão", avalia Marcial Alécio Garcia Suarez, do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense (UFF). "A dificuldade de se encontrar uma definição comum e universalmente válida, esbarra na capacidade dos Estados em possuírem interesses próprios, os quais em muitas situações não convergem, logo, para atores centrais no sistema internacional pode não ser interessante uma definição de direito internacional."

Angelo Corlett, professor de Filosofia da Universidade de San Diego, compartilha desta opinião: "o principal obstáculo para estabelecer uma lei internacional sobre o terrorismo são os países como os Estados Unidos que usem seu poder para influenciar exageradamente ou ignorar tentativas da lei internacional, e isso é uma das causas do terrorismo." Para ele, um ácido crítico do governo americano, uma lei internacional sobre terrorismo seria benéfica "contanto que incorpore a ideia de que governos envolvidos com o terrorismo também terão de responder a essas novas regras".

Na ausência de uma lei internacional, os Estados nacionais atuam no espaço internacional e nacional que lhes resta e se lhes apresenta. Um recorrente caso, além do envolvendo Estados Unidos e Islã, abarca a Rússia e os chechenos, os quais há décadas concentram movimentos de independência. A inconsistência da definição de terrorismo permite que tanto Moscou acuse os separatistas de terrorismo, como eles próprio acusem o Kremlin de praticar terrorismo contra a Chechênia. Ou seja: temos duas entidadades acusando-se mutuamente de terrorismo, acusando o fracasso operacional do conceito.

E, a nível nacional, diversos casos, como o francês, mostram como o governo decide adaptar leis para, no afã de minar qualquer chance de terror, invadir a privacidade dos cidadãos. Estados Unidos e Inglaterra, alvos dos atentados de 2001 e 2005, também editaram uma série de documentos (os Terrorism Acts e os Patriot Acts, como são chamados) para tentar dar conta internamente dos riscos do terrorismo. "Nestes documentos diversos direitos constitucionais são relativizados em função da defesa nacional, tendo como ponto tangente a ameaça terrorista", lembra Suarez.

A amplitude e a complexidade das variáveis envolvidas no neoterrorismo representam um dos maiores desafios possíveis à comunidade internacional almejada pela e na ONU após a Segunda Guerra Mundial. Enquanto a lei não chegar e não for escrita e respeitada por todos, o risco é que prevaleça o reino da força, afinal o terrorismo representa, como define Rosenfield, "um tipo de violência que só pode ser eliminado com atos de violência". Ou, como resume Corlett, "até haver um entendimento devido do terrorismo, será impossível formular boas leis internacionais".

SEM LEI ANTITERRORISMO, BRASIL PRECISA "MAQUIAR" ACUSAÇÕES
Laryssa Borges
Criticado pela comunidade internacional por recorrentemente não conseguir aprovar uma legislação que tipifica o crime de terrorismo, o Brasil trata com cautela e sem alarde as suspeitas de que células terroristas poderiam estar atuando no país há pelo menos seis anos. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) monitora a presença de suspeitos de terrorismo, mas, ainda que tenha evidências do envolvimento de pessoas com atividades extremistas, a falta de tipificação do crime impede de ver os suspeitos condenados por esse tipo de ilícito.

A Constituição Federal traz apenas duas referências expressas ao terrorismo - a de que as relações internacionais do Brasil se baseiam no repúdio ao terrorismo e a que classifica prática terrorista como crime inafiançável - mas nem na Carta Magna nem em legislações infraconstitucionais está definido o que constitui o terrorismo. No Congresso Nacional, diversos projetos de lei tentaram viabilizar uma definição de terrorismo para, só assim, poder superar o impasse de se condenar um suspeito sem violar o princípio da legalidade. Previsto na Constituição, ele estabelece que "não há crime sem lei anterior que o defina". Nenhum dos textos propostos por deputados e senadores para a definição de terrorismo chegou a ser aprovado.

Nos projetos que buscam definir a prática terrorista e estabelecer penas para os atos extremistas, o terrorismo é definido ora como um ato de violência praticado apenas "com ações que envolvam explosivos ou armas de fogo", ora como práticas somente "com vistas a desestabilizar instituições estatais". Outro projeto, também nunca votado, fixa a prática de terrorismo como "crime por motivo de faccionismo político, religioso, filosófico ou étnico".

A falta de uma lei brasileira definindo o crime de terrorismo e estabelecendo punições para a prática já acarretou, por exemplo, na avaliação do ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Jorge Félix - conforme documentos enviados de Brasília a Washington e divulgados pelo WikiLeaks - de que seria importante que as operações de contra-terrorismo em território nacional fossem "maquiadas" para, sem uma acusação formal de extremismo, não afetarem a "bem-sucedida" comunidade árabe no Brasil.

"A Polícia Federal frequentemente prende indivíduos ligados ao terrorismo, mas os acusa de uma variedade de crimes não relacionados a terrorismo para não chamar a atenção da imprensa e dos altos escalões do governo. (...) A Polícia Federal prendeu vários indivíduos envolvidos em atividades suspeitas de financiamento de terrorismo, mas baseou essas prisões em acusações de tráfico de drogas ou evasão fiscal", diz telegrama secreto do ex-embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Clifford Sobel, obtido pelo WikiLeaks.

As críticas ao vácuo legal do Brasil no que diz respeito ao terrorismo foram tornadas públicas também no mais recente volume dos Relatórios sobre Terrorismo por País elaborado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos. "O compromisso total do Brasil com o combate ao terrorismo e às atividades ilícitas que poderiam ser exploradas para facilitar o terrorismo foi enfraquecido devido à falha do governo em fortalecer sua estrutura legal de contra-terrorismo de modo significativo. Embora a lei brasileira criminalize o financiamento de terroristas quando ligado ao crime de lavagem de dinheiro, ela não criminaliza o financiamento de terroristas em si como crime independente", aponta o documento.

Fonte: Terra Notícias.

25 de ago. de 2011

DCE DA UNICAP PROMOVE MINICURSO SOBRE "TEORIA MARXISTA"

O DCE da UNICAP estará promovendo um minicurso sobre "Teoria Marxista" na última semana de Agosto.
Eis aí uma boa oportunidade para quem quiser conhecer um pouco mais sobre o paradigma materialista-dialético de interpretação da realidade social, econômica e política das civilizações humanas...