CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS

CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS

30 de nov de 2011

AUMENTA O NÚMERO DE "MULHERES TALIBÃS" ISRAELENSES...

Cresce o número de mulheres judias israelenses que seguem os preceitos de uma seita radical e andam cobertas da cabeça aos pés "para preservar a decência". A maneira de se vestir das mulheres da seita cobertas da cabeça aos pés, lembra a burqa usada no Afganistão, e daí vem o apelido de "mulheres-talibã", pelo qual ficaram conhecidas na imprensa israelense.
No entanto, para elas a burqa não é "decente" o suficiente, pois com apenas uma camada de roupa, deixa entrever as curvas do corpo da mulher. Segundo a seita, também conhecida como "mulheres dos xales", para evitar tornar-se uma "tentação para os homens", a mulher deve vestir-se com dezenas de camadas de xales, de modo a tornar-se uma montanha de panos disforme para que as curvas de seu corpo não transpareçam.
A seita foi fundada há cerca de 5 anos pela rabina Bruria Keren, na cidade de Beit Shemesh, perto de Jerusalém. Há 3 anos, Keren foi presa por abusar de seus 12 filhos e condenada a 4 anos e meio de prisão. A rabina, que foi acusada de maltratos às crianças, alegou que "queria educá-las segundo os preceitos da modéstia".
Na liderança da seita ela foi substituída por outras mulheres que a consideram "santa" e seguem seus ensinamentos.
Desafio
O número de mulheres que aderiram à seita está crescendo e, segundo as avaliações, já chega a mais de mil. Elas próprias afirmam que já são mais de 10 mil. Elas vivem principalmente nas cidades de Jerusalém, Beit Shemesh e Elad, onde há grandes concentrações de judeus ultraortodoxos.
No entanto os próprios ultraortodoxos veem o fenômeno como um desafio aos preceitos da religião judaica, afirmando que essas mulheres "foram longe demais". Segundo os preceitos da seita, as meninas também devem andar totalmente encobertas desde pequenas.
Para o rabino reformista Arik Asherman, os preceitos da seita "não fazem parte do judaísmo". "Não conheço tradição alguma dentro do judaísmo que defenda tal ocultação da mulher e considero problemática a imposição desses preceitos às crianças", disse Asherman à BBC Brasil.
De acordo com o rabino, o preceito da modéstia faz parte da tradição do judaismo, mas uma interpretação tão radical "não tem precedentes".
O crescente número de comunidades de mulheres adeptas da seita também preocupa o Ministério da Educação de Israel, pois elas não concordam em matricular os filhos nas escolas públicas e os educam dentro das comunidades, sem qualquer controle do Estado.
Para a seita, a ocultação total da mulher é o preceito principal e deverá acelerar a "salvação do povo de Israel". Elas se reúnem e estudam maneiras de ocultar o corpo, inclusive os olhos e os cabelos, para evitar que "até as paredes os vejam".
"Aprimorando" a ocultação
Em um vídeo filmado clandestinamente por uma jornalista que se infiltrou na seita disfarçando-se de simpatizante, se pode ver diversas maneiras como as integrantes "aprimoram" a ocultação de si mesmas.
Elas costumam se pentear embaixo dos panos, mesmo quando estão sozinhas, e raramente tomam banho, pois a operação acaba sendo extremamente complicada com todas as camadas de panos que as encobrem. De acordo com a diretora da prisão onde se encontra a rabina Keren, o hábito de tomar poucos banhos é a razão principal pela qual ela é mantida em uma cela individual.
A cobertura total dos olhos faz com que as mulheres da seita não enxerguem por onde andam e, para poder se locomover, geralmente utilizam seus filhos como guias.
Para o rabino Uri Regev, presidente da ONG Hidush, em prol da liberdade religiosa e da igualdade, "o crescimento de um grupo fundamentalista como a seita das mulheres de xale, faz parte do processo geral de radicalização do público religioso em Israel".
Fonte: Terra Notícias

Comentário: Como os seres humanos complicam as coisas! O Evangelho é tão simples! É incrível pensar que mesmo após 2.000 anos de DEUS ter enviado Seu Filho para ensinar o caminho para a humanidade se re-ligar a ELE ainda existam pessoas e religiões que em pleno século XXI continuam a complicar as coisas, etc. E isto acontece com seres humanos que inicialmente viviam nus num lindo Jardim(Éden). Imaginem só se DEUS tivesse criado as pessoas com roupas! Cada pessoa deve desenvolver o domínio próprio! A maldade está nos olhos, no coração e na mente de quem olha, logo, tanto faz alguém estar nú ou vestido, pois como o próprio Evangelho nos ensina, para quem é impuro de olhos, mente e coração tudo é impuro e existe maldade em tudo...

29 de nov de 2011

MULHERES DE JERUSALÉM LUTAM CONTRA EXCLUSÃO SOCIAL...

29 de novembro de 2011 • 10h02 • Notícia

As mulheres de Jerusalém se esforçam para recuperar sua presença no espaço público da cidade, do qual foram expulsas pouco a pouco pela pressão ultrarreligiosa dos judeus.
Nesta cidade dividida pela religião, as linhas de ônibus são segregadas, obrigando as mulheres a viajar na parte traseira dos carros e, em determinados bairros ortodoxos, sua presença é limitada a calçadas diferentes. Também quase não há publicidade que exiba rostos ou corpos femininos e, além disso, cartazes as orientam a se vestir "com modéstia".
Esta exclusão do convívio público, bem como a proibição do uso de calças e a imposição do véu que cobre cabeça e ombros, cresce no lado ocidental de Jerusalém em paralelo com o aumento do poder dos partidos religiosos judeus na esfera política.
Recentemente, a mídia local denunciou a existência de supermercados e clínicas com horários diferentes para homens e mulheres, a fim de evitar qualquer tipo de contato que possa levar a tentações pecaminosas.
"Os haredi (ultraortodoxos) exercem muita pressão para que as mulheres não sejam mais vistas e exigem a segregação em todos os lugares. São muito extremistas, mas por enquanto, a Polícia não deixa que se imponham", explica à Agência Efe Peggy Cidor, membro da organização feminista judaica religiosa Mulheres do Muro.
"Os religiosos modernos são muitos e são integrados na sociedade: nos tribunais, Governo, Exército, mundo acadêmico e cultural... Não vivem em bairros e cidades separadas, como os ultraortodoxos. Têm muita influência e são radicais com as mulheres, teremos um problema muito sério", acrescenta Peggy.
Para a estudante do Talmude, livro que reúne leis e costumes judaicos, esta segregação "não está baseada em nenhum preceito ou lei judaica, mas no extremismo machista e no ódio às mulheres". Na luta contra esta tendência, as mulheres começaram a se reunir em organizações para reafirmar seus direitos de igualdade com os homens. "Não queremos viver como em Teerã", disse.
Como parte do protesto, realizaram manifestações nas quais cantaram nas ruas e colaram cartazes com fotos de mulheres comuns por toda a cidade, alguns dos quais foram arrancados pelos religiosos, que os consideraram uma provocação.
Rachel Azaria, membro do Conselho da Prefeitura de Jerusalém que se opôs na Corte Suprema contra a segregação de gênero nas ruas do bairro central Mea Shearim, comemora que "as mulheres finalmente estejam se unindo" e exigindo solução para este fenômeno que afeta as comunidades religiosas.
"Faz um ano que vigiamos os cartazes publicitários da cidade. As mulheres praticamente desapareceram: não estão em 99% (dos cartazes) e cada vez aparecem menos cantando nos eventos da Prefeitura", explica o rabino de ideias liberais, Uri Ayalon.
Ayalon é fundador do movimento Yerushalmi, que lidera os protestos contra a exclusão feminina em Jerusalém, reunindo duas mil pessoas na página do Facebook "Não censuradas", com o objetivo de devolver as mulheres à paisagem urbana de Jerusalém.
"Os anunciantes preferem não utilizar mulheres porque temem ofender os religiosos, e que eles danifiquem os cartazes. Chegamos a um ponto em que nem mesmo as cantoras saem nos cartazes que divulgam seus discos", acrescenta.
Em outubro, a organização afixou cartazes com fotos de mulheres em diversos pontos da cidade, como arma para que "não sejam os extremistas que definam se imagens que podem estar na via pública". Para reivindicar seu espaço, bailarinas da companhia de dança Kolben, atuarão na tarde desta segunda-feira em uma rua do centro da cidade.
A companhia anunciou que manterá abertas as cortinas de seu salão de ensaios, até agora fechadas para impedir que suas alunas fossem vistas no "pouco decoroso" ato de dançar e ofendessem os mais religiosos.
Fonte: Terra Notícias.
Comentário: Em qualquer lugar do mundo o extremismo e a ortodoxia religiosa são tão perigosos quanto o extremismo e a ortodoxia política, pois ambos são regidos pelo mesmo espírito e ideologia do autoritarismo, intolerância, preconceito, orgulho, pretensa idéia de superioridade, manipulação de mentes, conceitos e idéias pre-concebidas e opressoras, etc...

15 de nov de 2011

RETIRANDO DO BAÚ-9: ANO DE 2011, 122 ANOS DE PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA NO BRASIL...

Hoje, 15 de novembro de 2011, comemora-se 122 anos da Proclamação da República Federativa do Brasil. Que tal fazermos um breve balanço deste nosso período republicano?

A Proclamação da República Brasileira foi um levante político-militar ocorrido em 15 de novembro de 1889 que instaurou a forma republicana federativa presidencialista de governo no Brasil, derrubando a monarquia constitucional parlamentarista do Império do Brasil e, por conseguinte, pondo fim à soberania do imperador Pedro II. Foi, então, proclamada a República dos Estados Unidos do Brasil.
A proclamação ocorreu na Praça da Aclamação (atual Praça da República), na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Império do Brasil, quando um grupo de militares do exército brasileiro, liderados pelo marechal Deodoro da Fonseca, destituiu o imperador e assumiu o poder no país.
Foi instituído, naquele mesmo dia 15, um governo provisório republicano. Faziam parte, desse governo, organizado na noite de 15 de novembro de 1889, o marechal Deodoro da Fonseca como presidente da república e chefe do Governo Provisório; o marechal Floriano Peixoto como vice-presidente; como ministros, Benjamin Constant Botelho de Magalhães, Quintino Bocaiuva, Rui Barbosa, Campos Sales, Aristides Lobo, Demétrio Ribeiro e o almirante Eduardo Wandenkolk, todos membros regulares da maçonaria brasileira.
A Situação Política do Brasil em 1889
O governo imperial, através do 37º e último gabinete ministerial, empossado em 7 de junho de 1889, sob o comando do presidente do Conselho de Ministros do Império, Afonso Celso de Assis Figueiredo, o Visconde de Ouro Preto, do Partido Liberal, percebendo a difícil situação política em que se encontrava, apresentou, em uma última e desesperada tentativa de salvar o império, à Câmara-Geral, atual câmara dos deputados, um programa de reformas políticas do qual constavam, entre outras, as medidas seguintes: maior autonomia administrativa para as províncias, liberdade de voto, liberdade de ensino, redução das prerrogativas do Conselho de Estado e mandatos não vitalícios para o Senado Federal. As propostas do Visconde de Ouro Preto visavam a preservar o regime monárquico no país, mas foram vetadas pela maioria dos deputados de tendência conservadora que controlava a Câmara Geral. No dia 15 de novembro de 1889, a república era proclamada.
A Perda de Prestígio da Monarquia Brasileira
Muitos foram os fatores que levaram o Império a perder o apoio de suas bases econômicas, militares e sociais. Da parte dos grupos conservadores pelos sérios atritos com a Igreja Católica (na "Questão Religiosa"); pela perda do apoio político dos grandes fazendeiros em virtude da abolição da escravatura, ocorrida em 1888, sem a indenização dos proprietários de escravos.
Da parte dos grupos progressistas, havia a crítica que a monarquia mantivera, até muito tarde, a escravidão no país. Os progressistas criticavam, também, a ausência de iniciativas com vistas ao desenvolvimento do país (fosse econômico, político ou social), a manutenção de um regime político de castas e o voto censitário, isto é, com base na renda anual das pessoas, a ausência de um sistema de ensino universal, os altos índices de analfabetismo e de miséria e o afastamento político do Brasil em relação a todos demais países do continente, que eram republicanos.
Assim, ao mesmo tempo em que a legitimidade imperial decaía, a proposta republicana - percebida como significando o progresso social - ganhava espaço. Entretanto, é importante notar que a legitimidade do Imperador era distinta da do regime imperial: Enquanto, por um lado, a população, de modo geral, respeitava e gostava de dom Pedro II, por outro lado, tinha cada vez em menor conta o próprio império. Nesse sentido, era voz corrente, na época, que não haveria um terceiro reinado, ou seja, a monarquia não continuaria a existir após o falecimento de dom Pedro II, seja devido à falta de legitimidade do próprio regime monárquico, seja devido ao repúdio público ao príncipe consorte, marido da princesa Isabel, o francês Conde D'Eu).
Embora a frase de Aristides Lobo (jornalista e líder republicano paulista, depois feito ministro do governo provisório), "O povo assistiu bestializado" à proclamação da república, tenha entrado para a história, pesquisas históricas, mais recentes, têm dado outra versão à aceitação da república entre o povo brasileiro. É o caso da tese defendida por Maria Tereza Chaves de Mello (A República Consentida, Editora da FGV, EDUR, 2007), que indica que a república, antes e depois da proclamação, era vista popularmente como um regime político que traria o desenvolvimento, em sentido amplo, para o país.
Antecedentes da Proclamação da República
A partir da década de 1870, como consequência da Guerra do Paraguai (também chamada de Guerra da Tríplice Aliança) (1864-1870), foi tomando corpo a ideia de alguns setores da elite de alterar o regime político vigente. Fatores que influenciaram esse movimento:
• O imperador dom Pedro II não possuía filhos, apenas filhas. O trono seria ocupado, após a sua morte, por sua filha mais velha, a princesa Isabel, casada com um francês, Gastão de Orléans, Conde d'Eu, o que gerava o receio em parte da população de que o país fosse governado por um estrangeiro.
• O fato de os negros terem ajudado o exército na Guerra do Paraguai e, quando retornaram ao país, permaneceram como escravos, ou seja, não ganharam a alforria de seus donos.
A Crise Econômica
A crise econômica agravou-se em função das elevadas despesas financeiras geradas pela Guerra da Tríplice Aliança, cobertas por capitais externos. Os empréstimos brasileiros elevaram-se de 3 000 000 de libras esterlinas em 1871 para quase 20 000 000 em 1889, o que causou uma inflação da ordem de 1,75 por cento ao ano.
A Questão Abolicionista
Ver artigo principal: Abolicionismo no Brasil
A questão abolicionista impunha-se desde a abolição do tráfico negreiro em 1850, encontrando viva resistência entre as elites agrárias tradicionais do país. Diante das medidas adotadas pelo Império para a gradual extinção do regime escravista, devido a repercussão da experiência mal sucedida nos Estados Unidos de libertação geral dos escravos ter levado aquele país à guerra civil, essas elites reivindicavam do Estado indenizações proporcionais ao preço total que haviam pago pelos escravos a serem libertados por lei. Estas indenizações seriam pagas com empréstimo externo.
Com a decretação da Lei Áurea (1888), e ao deixar de indenizar esses grandes proprietários rurais, o império perdeu o seu último pilar de sustentação. Chamados de "republicanos de última hora", os ex-proprietários de escravos aderiram à causa republicana.
Na visão dos progressistas, o Império do Brasil mostrou-se bastante lento na solução da chamada "Questão Servil", o que, sem dúvida, minou sua legitimidade ao longo dos anos. Mesmo a adesão dos ex-proprietários de escravos, que não foram indenizados, à causa republicana, evidencia o quanto o regime imperial estava atrelado à escravatura.
Assim, logo após a princesa Isabel assinar a Lei Áurea, João Maurício Wanderley, Barão de Cotegipe, o único senador do império que votou contra o projeto de abolição da escravatura, profetizou:
"A senhora acabou de redimir uma raça e perder um trono!" - Barão de Cotegipe
A Questão Religiosa
Ver artigo principal: Questão religiosa
Desde o período colonial, a Igreja Católica, enquanto instituição, encontrava-se submetida ao estado. Isso se manteve após a independência e significava, entre outras coisas, que nenhuma ordem do Papa poderia vigorar no Brasil sem que fosse previamente aprovada pelo imperador (Beneplácito Régio). Ocorre que, em 1872, Vital Maria Gonçalves de Oliveira e Antônio de Macedo Costa, bispos de Olinda e Belém do Pará respectivamente, resolveram seguir, por conta própria, as ordens do Papa Pio IX, não ratificadas pelo imperador e pelos presidentes do Conselho de Ministros, punindo religiosos ligados à maçonaria.
D. Pedro II, aconselhado pelos maçons, decidiu intervir na questão, solicitando aos bispos que suspendessem as punições. Estes se recusaram a obedecer ao imperador, sendo condenados a quatro anos de trabalho braçal (quebrar pedras). Em 1875, graças à intervenção do maçom Duque de Caxias, os bispos receberam o perdão imperial e foram colocados em liberdade. Contudo, no episódio, a imagem do império desgastou-se junto à Igreja Católica.
A Questão Militar
Ver artigo principal: Questão Militar
Os militares do Exército Brasileiro estavam descontentes com a proibição, imposta pela monarquia, pela qual os seus oficiais não podiam manifestar-se na imprensa sem uma prévia autorização do Ministro da Guerra. Os militares não possuíam uma autonomia de tomada de decisão sobre a defesa do território, estando sujeitos às ordens do imperador e do Gabinete de Ministros, formado por civis, que se sobrepunham às ordens dos generais. Assim, no império, a maioria dos ministros da guerra eram civis.
Além disso, frequentemente os militares do Exército Brasileiro sentiam-se desprestigiados e desrespeitados. Por um lado, os dirigentes do império eram civis, cuja seleção era extremamente elitista e cuja formação era bacharelesca, mas que resultava em postos altamente remunerados e valorizados; por outro lado, os militares tinham uma seleção mais democrática e uma formação mais técnica, mas que não resultavam nem em valorização profissional nem em reconhecimento político, social ou econômico. As promoções na carreira militar eram difíceis de serem obtidas e eram baseadas em critérios personalistas em vez de promoções por mérito e antiguidade.
A Guerra do Paraguai, além de difundir os ideais republicanos, evidenciou aos militares essa desvalorização da carreira profissional, que se manteve e mesmo acentuou-se após o fim da guerra. O resultado foi a percepção, da parte dos militares, de que se sacrificavam por um regime que pouco os consideravam e que dava maior atenção à Marinha do Brasil.
A Atuação dos Positivistas
Durante a Guerra do Paraguai, o contato dos militares brasileiros com a realidade dos seus vizinhos sul-americanos levou-os a refletir sobre a relação existente entre regimes políticos e problemas sociais. A partir disso, começou a desenvolver-se, tanto entre os militares de carreira quanto entre os civis convocados para lutar no conflito, um interesse maior pelo ideal republicano e pelo desenvolvimento econômico e social brasileiro.
Dessa forma, não foi casual que a propaganda republicana tenha tido, por marco inicial, a publicação do manifesto Republicano em 1870 (ano em que terminou a Guerra do Paraguai), seguido pela Convenção de Itu em 1873 e pelo surgimento dos clubes republicanos, que se multiplicaram, a partir de então, pelos principais centros no país.
Além disso, vários grupos foram fortemente influenciados pela maçonaria (Deodoro da Fonseca era maçom, assim como todo seu ministério) e pelo positivismo de Auguste Comte, especialmente, após 1881, quando surgiu a igreja Positivista do Brasil. Seus diretores, Miguel Lemos e Raimundo Teixeira Mendes, iniciaram uma forte campanha abolicionista e republicana.
A propaganda republicana era realizada pelos que, depois, foram chamados de "republicanos históricos" (em oposição àqueles que se tornaram republicanos apenas após o 15 de novembro, chamados de "republicanos de 16 de novembro").
As ideias de muitos dos republicanos eram veiculadas pelo periódico A República. Segundo alguns pesquisadores, os republicanos dividiam-se em duas correntes principais:
• Os evolucionistas, que admitiam que a proclamação da república era inevitável, não justificando uma luta armada;
• Os revolucionistas, que defendiam a possibilidade de pegar em armas para conquistá-la, com mobilização popular e com reformas sociais e econômicas.
Embora houvesse diferenças entre cada um desses grupos no tocante às estratégias políticas para a implementação da república e também quanto ao conteúdo substantivo do regime a instituir, a ideia geral, comum aos dois grupos, era a de que a república deveria ser um regime progressista, contraposto à exausta monarquia. Dessa forma, a proposta do novo regime revestia-se de um caráter social revolucionário e não apenas do de uma mera troca dos governantes.
O Golpe Militar de 15 de Novembro de 1889
No Rio de Janeiro, os republicanos insistiram para o Marechal Deodoro da Fonseca, um monarquista, para que ele chefiasse o movimento revolucionário que substituiria a monarquia pela república. Depois de muita insistência dos revolucionários, Deodoro da Fonseca concordou em liderar o movimento militar.
O golpe militar, que estava previsto para 20 de novembro de 1889, teve de ser antecipado. No dia 14, os conspiradores divulgaram o boato de que o governo havia mandado prender Benjamin Constant Botelho de Magalhães e Deodoro da Fonseca. Posteriormente confirmou-se que era mesmo boato. Assim, os revolucionários anteciparam o golpe de estado, e, na madrugada do dia 15 de novembro, Deodoro iniciou o movimento de tropas do exército que pôs fim ao regime monárquico no Brasil.
Os conspiradores dirigiram-se à residência do marechal Deodoro, que estava doente com dispneia,[1] e convencem-no a liderar o movimento.
Com esse pretexto de que Deodoro seria preso, ao amanhecer do dia 15 de Novembro, o marechal Deodoro da Fonseca, saiu de sua residência, atravessou o Campo de Santana, e, do outro lado do parque, conclamou os soldados do batalhão ali aquartelado, onde hoje se localiza o Palácio Duque de Caxias, a se rebelarem contra o governo. Oferecem um cavalo ao marechal, que nele montou, e, segundo testemunhos, tirou o chapéu e proclamou "Viva a República!". Depois apeou, atravessou novamente o parque e voltou para a sua residência. A manifestação prosseguiu com um desfile de tropas pela Rua Direita, atual rua 1º de Março, até o Paço Imperial.
Os revoltosos ocuparam o quartel-general do Rio de Janeiro e depois o Ministério da Guerra. Depuseram o Gabinete ministerial e prenderam seu presidente, Afonso Celso de Assis Figueiredo, Visconde de Ouro Preto.
No Paço Imperial, o presidente do gabinete (primeiro-ministro), Visconde de Ouro Preto, havia tentando resistir pedindo ao comandante do destacamento local e responsável pela segurança do Paço Imperial, general Floriano Peixoto, que enfrentasse os amotinados, explicando ao general Floriano Peixoto que havia, no local, tropas legalistas em número suficiente para derrotar os revoltosos. O Visconde de Ouro Preto lembrou a Floriano Peixoto que este havia enfrentado tropas bem mais numerosas na Guerra do Paraguai. Porém, o general Floriano Peixoto recusou-se a obedecer às ordens dadas pelo Visconde de Ouro Preto e assim justificou sua insubordinação, respondendo ao Visconde de Ouro Preto:

Sim, mas lá (no Paraguai) tínhamos em frente inimigos e aqui somos todos brasileiros! - Floriano Peixoto[2]

Em seguida, aderindo ao movimento republicano, Floriano Peixoto deu voz de prisão ao chefe de governo Visconde de Ouro Preto.
O único ferido no episódio da proclamação da república foi o Barão de Ladário que resistiu à ordem de prisão dada pelos amotinados e levou um tiro. Consta que Deodoro não dirigiu crítica ao Imperador D. Pedro II e que vacilava em suas palavras. Relatos dizem que foi uma estratégia para evitar um derramamento de sangue. Sabia-se que Deodoro da Fonseca estava com o tenente-coronel Benjamin Constant ao seu lado e que havia alguns líderes republicanos civis naquele momento.
Na tarde do mesmo dia 15 de novembro, na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, foi solenemente proclamada a República.
À noite, na Câmara Municipal do Município Neutro, o Rio de Janeiro, José do Patrocínio redigiu a proclamação oficial da República dos Estados Unidos do Brasil, aprovada sem votação. O texto foi para as gráficas de jornais que apoiavam a causa, e, só no dia seguinte, 16 de novembro, foi anunciado ao povo a mudança do regime político do Brasil.
Dom Pedro II, que estava em Petrópolis, retornou ao Rio de Janeiro. Pensando que o objetivo dos revolucionários era apenas substituir o Gabinete de Ouro Preto, o Imperador D. Pedro II tentou ainda organizar outro gabinete ministerial, sob a presidência do conselheiro José Antônio Saraiva. O imperador, em Petrópolis, foi informado e decidiu descer para a Corte. Ao saber do golpe de estado, o Imperador reconheceu a queda do Gabinete de Ouro Preto e procurou anunciar um novo nome para substituir o Visconde de Ouro Preto. No entanto, como nada fora dito sobre República até então, os republicanos mais exaltados, tendo Benjamin Constant à frente, espalharam o boato de que o Imperador escolheria Gaspar Silveira Martins, inimigo político de Deodoro da Fonseca desde os tempos do Rio Grande do Sul, para ser o novo chefe de governo. Com este engodo, Deodoro da Fonseca foi convencido a aderir à causa republicana. O Imperador foi informado disso e, desiludido, decidiu não oferecer resistência.
No dia seguinte, o major Frederico Sólon Sampaio Ribeiro entregou a D. Pedro II uma comunicação, cientificando-o da proclamação da república e ordenando sua partida para a Europa, a fim de evitar conturbações políticas. A família imperial brasileira exilou-se na Europa, só lhes sendo permitida a sua volta ao Brasil na década de 1920. É possível considerar a legitimidade ou não da república no Brasil por diferentes ângulos.
Do ponto de vista do Código Criminal do Império do Brasil, sancionado em 16 de dezembro de 1830, o crime cometido pelos republicanos foi:
"Artigo 87: Tentar diretamente, e por fatos, destronizar o imperador; privá-lo em todo, ou em parte da sua autoridade constitucional; ou alterar a ordem legítima da sucessão. Penas de prisão com trabalho por cinco a quinze anos. Se o crime se consumar: Penas de prisão perpétua com trabalho no grau máximo; prisão com trabalho por vinte anos no médio; e por dez anos no mínimo."
O Visconde de Ouro Preto, deposto em 15 de novembro, entendia que a proclamação da república fora um erro e que o Segundo Reinado tinha sido bom, e, assim se expressou em seu livro "Advento da Ditadura Militar no Brasil":

O Império não foi a ruína. Foi a conservação e o progresso. Durante meio século, manteve íntegro, tranquilo e unido território colossal. O império converteu um país atrasado e pouco populoso em grande e forte nacionalidade, primeira potência sul-americana, considerada e respeitada em todo o mundo civilizado. Aos esforços do Império, principalmente, devem três povos vizinhos deveram o desaparecimento do despotismo mais cruel e aviltante. O Império aboliu de fato a pena de morte, extinguiu a escravidão, deu ao Brasil glórias imorredouras, paz interna, ordem, segurança e, mas que tudo, liberdade individual como não houve jamais em país algum. Quais as faltas ou crimes de dom Pedro II, que em quase cinquenta anos de reinado nunca perseguiu ninguém, nunca se lembrou de uma ingratidão, nunca vingou uma injúria, pronto sempre a perdoar, esquecer e beneficiar? Quais os erros praticados que o tornou merecedor da deposição e exílio quando, velho e enfermo, mais devia contar com o respeito e a veneração de seus concidadãos? A república brasileira, como foi proclamada, é uma obra de iniquidade. A república se levantou sobre os broqueis da soldadesca amotinada, vem de uma origem criminosa, realizou-se por meio de um atentado sem precedentes na história e terá uma existência efêmera! - Visconde de Ouro Preto
O movimento de 15 de Novembro de 1889 não foi o primeiro a buscar a república, embora tenha sido o único efetivamente bem-sucedido, e, segundo algumas versões, teria contado com apoio tanto das elites nacionais e regionais quanto da população de um modo geral:
• Em 1788-1789, a Inconfidência Mineira e Tiradentes não buscavam apenas a independência, mas também, a proclamação de uma república na Capitania das Minas Gerais, seguida de uma série de reformas políticas, econômicas e sociais;
• Em 1824, diversos estados do Nordeste criaram um movimento independentista, dentre elas a Confederação do Equador, igualmente republicana;
• Em 1839, na esteira da Revolução Farroupilha, proclamaram-se a República Rio-grandense e a República Juliana, respectivamente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.
Embora se argumente que não houve participação popular no movimento que terminou com o regime monárquico e implantou a república, o fato é que também não houve manifestações populares de apoio à monarquia, ao imperador ou de repúdio ao novo regime.
Alguns pesquisadores[quem?] argumentam que, caso a monarquia fosse popular, haveria movimentos contrários à república em seguida, além da Guerra de Canudos. Entretanto, segundo outros pesquisadores[quem?], o que teria ocorrido foi uma crescente conscientização a respeito do novo regime e sua aprovação pelos mais diferentes setores da sociedade brasileira. Versão oposta é dada pela pesquisadora, Maria de Lourdes Mônaco Janoti, no livro Os Subversivos da República, no qual relata o medo que tiveram os republicanos, nas primeiras décadas da república, em relação a uma possível restauração da monarquia no Brasil. Maria Janoti mostra também, em seu livro, a repressão forte, por parte dos republicanos, a toda tentativa de se organizar grupos políticos monárquicos naquela época.
Neste sentido, um caso notável de resistência à república foi o do líder abolicionista José do Patrocínio, que, entre a abolição da escravatura e a proclamação da república, manteve-se fiel à monarquia, não por uma compreensão das necessidades sociais e políticas do país, mas, romanticamente, apenas devido a uma dívida de gratidão com a Princesa Isabel. Aliás, nesse período de aproximadamente dezoito meses, José do Patrocínio constituiu a chamada "Guarda Negra", que eram negros alforriados organizados para causar confusões e desordem em comícios republicanos, além de espancar os participantes de tais comícios.
Em relação à ausência de participação popular no movimento de 15 de novembro, um documento que teve grande repercussão foi o artigo de Aristides Lobo, que fora testemunha ocular da proclamação da República, no Diário Popular de São Paulo, em 18 de novembro, no qual dizia:

Por ora, a cor do governo é puramente militar e deverá ser assim. O fato foi deles, deles só porque a colaboração do elemento civil foi quase nula. O povo assistiu àquilo tudo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava. Muitos acreditaram seriamente estar vendo uma parada! - Aristides Lobo
Na reunião na casa de Deodoro, na noite de 15 de novembro de 1889, foi decidido que se faria um referendo popular, para que o povo brasileiro aprovasse ou não, por meio do voto, a república. Porém esse plebiscito só ocorreu 104 anos depois, determinado pelo artigo segundo do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição de 1988.
A Proclamação da República e a Manutenção do Brasil como País Unido
Com a proclamação da República, "segundo todas as probabilidades", acabaria também o Brasil, pensava, no fim do século XIX, o escritor português Eça de Queirós. "Daqui a pouco" - acrescentava, numa das suas cartas de Fradique Mendes, publicadas depois de sua morte sob o título de Cartas Inéditas de Fradique - "o que foi o Império estará fracionado em Repúblicas independentes de maior ou menor importância. Impelem a esse resultado a divisão histórica das províncias, as rivalidades que entre elas existem, a diversidade do clima, do caráter e dos interesses, e a força das ambições locais. [...] Por outro lado, há absoluta impossibilidade de que São Paulo, a Bahia, o Pará queiram ficar sob a autoridade do general fulano ou do bacharel sicrano, presidente, com uma corte presidencial no Rio de Janeiro [...] Os Deodoros da Fonseca vão-se reproduzir por todas as províncias. [...] Cada Estado, abandonado a si desenvolverá uma história própria, sob uma bandeira própria, segundo o seu clima, a especialidade da sua zona agrícola, os seus interesses, os seus homens, a sua educação e a sua imigração. Uns prosperarão, outros deperecerão. Haverá talvez Chiles ricos e haverá certamente Nicaráguas grotescas. A América do Sul ficará toda coberta com os cacos de um grande Império".[3]
Eça de Queirós errou redondamente. "Profecia que de modo algum se realizou. E não se realizou por lhe ter faltado quase de todo consistência sociológica; ou ter se baseado apenas numa estreira parassociologia, quando muito, política; e esta quase inteiramente lógica. Lógica e de gabinete: nem sequer intuitiva no seu arrojo profético [...] O 'coração íntimo' dos brasileiros da época que se seguiu à proclamação da República, se examinado de perto [...] haveria de mostrar-lhe que existia entre a gente do Brasil, do Norte ao Sul do país, uma unidade nacional já tão forte, quanto às crenças, aos costumes, aos sentimentos, aos jogos, aos brinquedos dessa mesma gente, quase toda ela de formação patriarcal, católica e ibérica nas predominâncias dos seus característicos, que não seria com a simples e superficial mudança de regímen político, que aquele conjunto de valores e de constantes de repente se desmancharia". (Gilberto Freyre) [4]
Plebiscito de 1993
Ver artigo principal: Plebiscito sobre a forma e o sistema de governo do Brasil (1993)
No dia 21 de abril de 1993, a opção "república" obteve 86 por cento dos votos válidos, conferindo, finalmente, legitimidade popular ao regime republicano brasileiro. No mesmo plebiscito, o sistema presidencialista de governo foi legitimado pelo voto popular.
Referências
1. ↑ Proclamação da República - O fim do Império
2. ↑ OURO PRETO, Visconde de, Advento da ditadura militar no Brasil, Imprimiere F. Pichon, Paris, 1891
3. ↑ Ordem e Progresso, p. 180 e 181, Ed. Record, 5ª ed
4. ↑ Ordem e Progresso, p. 180 e 181, Ed. Record, Quinta edição
Bibliografia
• PEIXOTO, Floriano, Floriano 1839-1939, Editora Graphicos Bloch, Rio de Janeiro, 1939.
• FONSECA, Deodoro, Deodoro e a Verdade Histórica, Imprensa Nacional, Rio de Janeiro, 1939.
• BARBOSA, Rui, Ditadura e República, Editora Guanabara, Rio de Janeiro, 1932.
• CALMON, A Vida de Dom Pedro II - O Rei filósofo, Blibioteca do Exército Editora, Rio de Janeiro, 1975.
• CAMPOS SALES, Dr. Manuel Ferraz de, Da Propaganda à Presidência, Edição Fac-similar, Senado Federal, Brasília, 1998.
• CHAVES DE MELLO, Maria Tereza, A República Consentida, Editora FGV, EDUR, Rio de Janeiro, 2007.
• JANOTTI, Maria de Lourdes Mônaco, Os Subversivos da República, Editora Brasiliense, São Paulo, 1986.
• OURO PRETO, Visconde de, A Década Republicana, Editora da UNB, Brasília, 1986.
• OURO PRETO, Visconde de, Advento da Ditadura Militar no Brasil, Editora Imprimiere F. Pichon, Paris, 1891.
• PRADO, Eduardo, Fatos da Dictadura Militar no Brazil, Editora Revista de Portugal, 1890.
Fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/Proclama%C3%A7%C3%A3o_da_Rep%C3%BAblica_do_Brasil

Comentários: Embora Eçá de Queirós não estivesse completamente certo no que diz respeito às consequências da proclamação da República, também não estava completamente equivocado, pois os fatos históricos deste período republicano brasileiro demonstram isto:
- É fato que hoje, no Brasil, temos sim uma côrte presidencialista absolutista com poderes típicos de monarquias absolutistas (representada pelos privilégios dos políticos, magistrados, militares, etc) a qual entende que pode fazer tudo o que quer através de poderes absolutistas que lhes permitem manipular leis e legislar em causa própria. Ex: decretando por eles mesmos os salários e privilégios de monarcas absolutistas que só eles têm, criando e manipulando leis que os beneficiam em caso de corrupção, estabelecendo a falta de profisisonalismo na administração do Estado brasileiro onde o que prevalece nas lideranças dos cargos públicos do Executivo, em quase 100% de sua totalidade, não é a meritocracia, mas, sim, a indicação pólítica-partidária não levando em consideração a competência profisisonal, aptidão técnica, gestão por competências e resultados para o bem-comum da sociedade, e, implementando a ditadura dos partidos políticos não permitindo assim, entre muitas coisas, outras formas de acesso ao poder estatal (por isso mesmo a reforma política ainda não saiu do papel), etc;
- As rivalidades entre os Estados: A discriminação cultural, intelectual, financeira, etc, dos Estados do Sul e Sudeste para com os Estados do Nordeste e Norte, a guerra fiscal (em geral mais motivada para beneficiar grupos econômicos que depois vão devolver os benefícios patrocinando a campanha dos candidatos), a disparidade de distribuição dos benefícios financeiros para os Estados da Federação (do que são exemplos as riquezas geradas pelo petróleo, pelo sistema de energia elétrica, etc) são alguns exemplos do cenário previsto por Eça de Queirós, disparidade esta mais uma vez evidenciada recentemente pela questão da distribuição dos royalties do pré-sal onde os Estados produtores de petróleo acham que devem continuar com a maior parte dos mesmos, não levando assim em consideração que a Petrobrás foi criada e até hoje é mantida (direta e indiretamente) com dinheiro dos impostos de todos(os) os brasileiros(as) e não apenas dos cidadãos destes Estados produtores, etc;
- A multiplicação dos “Deodoro da Fonseca” com suas famílias e grupos de poder com promessas de “liberdade” e “mudanças” é outro fato marcante na política brasileira desde a sua gênese, passando pelos movimentos de independência e republicanos e estando até mesmo presentes nos “movimentos revolucionários da juventude da década de 1960” e nos ícones da redemocratização do País e seus descendentes: até hoje vemos no cenário político-partidário brasileiro o surgimento de lideranças com predominância de características carismáticas e com forte toque personalista sendo isto inclusive explorado pelo marketing e propaganda eleitoral dos(as) candidatos(as), coisas estas que se desdobram no forte toque coronelístico do estilo de governar que impõem em sua gestão administrativa pública, fenômeno este que pode ser evidenciado, apenas citando cinco exemplos, pelo fato de que acham que podem cometer crimes de corrupção e devem ficar sem punição, (por isso até hoje a lei da ficha limpa não foi de fato efetivada e praticada), pelo nepotismo (praticado também pelos gestores das empresas públicas), pelo corporativismo manifestado aos seus compadres e comadres políticos passando a mão em suas cabeças e deixando a impunidade correr solta (até mesmo porque muitas vezes os crimes cometidos por estes compadres e comadres são realizados para beneficiar os partidos, seus chefes, parentes, etc), pela criação e implementação de políticas públicas sem consultar a sociedade pelo fato de que depois que o político se elege passa 4 anos distanciado do povo fazendo o que quer e sem lhe prestar contas e nem solicitar o seu aval para aquilo que aprovam e executam seja na esfera executiva ou legislativa (o que evidencia que vivemos num regime democrático mas com práticas distorcidas de democracia) e, pela busca de alianças políticas espúrias que uma parcela significativa deles realizam tanto para se elegerem como para o exercício de seu cargo público, fazendo assim alianças com pessoas ligadas a grupos de narcotraficantes, grupos de extermínio, a grupos de outras modalidades do crime organizado, etc, pois tudo isto está na matriz ideológica de um costume cultural o qual diz que vale tudo para se chegar ao poder e manter a “governabilidade”, pelo fato de que a palavra final e as decisões do “coronel” são o que importam, valem ser obedecidas e ditam as regras do que é lícito, sendo assim uma reprodução fiel dos modelos absolutistas de governo e suas práticas que podem surgir em diferentes graus nas formas e sistemas de governo concebidos pelas civilizações, seja a nível relgioso, político, etc;
- A existência de abismos socioeconômicos entre os Estados da Federação brasileira é patente, pois basta viajar pelo Brasil para ver que estas diferenças a nível intra-regional e inter-regional existem, conforme analisado por Eça de Queiros, não apenas por fatores de clima e solo (que podem beneficiar ou prejudicar a produção e produtividade agropecuária), mas, também pelos interesses de suas lideranças, pelos seus homens, pela sua educação e pela sua imigração a qual mostra quais os valores e marcos (princípios) culturais civilizatórios (éticos, religiosos, sociais, ideológicos, políticos, econômicos, ecológicos, etc.) que determinado grupo de pessoas e seus descendentes acreditam e praticam no seu desenvolvimento como povo e sociedade local e regional, de modo que uma nação pode até mesmo ter unidade linguística e, mesmo assim, não possuir unidade ética, religiosa, social, ideológica, política, econômica, ecológica, etc, nos mostrando, portanto, que, em geral, sistemas e formas de governo não passam de meros arquétipos e matrizes de pensamentos arquitetadas geopoliticamente, implementadas, alimentadas e mantidas nas sociedades por diferentes ritos e forças (em geral quase sempre de forma violenta, alienantes e por manipulação de diversas estruturas tais como o sistema educacional, a mídia, festas e festivais culturais, etc.) como também nos mostram que a premissa de que na democracia e no sistema republicano todos são iguais e têm as mesmas oportunidades e direitos nem sempre é verdadeira. Por isso através da História ocorrem e estamos presenciando atualmente no mundo inteiro mudanças nas diferentes formas e sistemas de governo, lutas são desencadeadas para conquistas de direitos e arquétipos e matrizes de pensamento são destruídos e re-construídos, pois pela constatação da verdade dos fatos e conscientização da realidade das condições existenciais, os olhos das pessoas são abertos, o engano é desmascarado, mitos são desfeitos, o encanto, a magia e a força do ritual (sejam eles quais forem) são quebrados, perde-se a credibilidade, a legitimidade e a legalidade e, então, temos o espaço e o momento abertos para abalos de estruturas (sejam elas quais forem), para as mudanças sistêmicas e para um novo ciclo que poderá ou não, com o passar do tempo e as ações das pessoas, ter o mesmo fim do ciclo que lhe antecedeu.
Sendo assim, conforme o que tem demonstrado até hoje o período republicano brasileiro, percebo e endendo que Eça de Queirós mais acertou em suas previsões e considerações do que errou...

13 de nov de 2011

O MUNDO RUMO À GUERRA CIBERNÉTICA...

Especial conta os fatos por trás dos ataques virtuais entre países e responde se a chamada 'ciberguerra' já começou...
Ciberguerra está gerando gastos de mais de US$ 12,5 bilhões só em 2011

Guerra cibernética:
Conflito travado sem soldados, armas ou mísseis. Ao invés disso, os ataques são realizados por computadores, vírus digitais, roubo de informações e tropas compostas por hackers e criminosos muitas vezes a serviço das maiores potencias do mundo.
Embora nenhum país nunca tenha admitido oficialmente um ataque cibernético contra outra nação, é certo que ofensivas digitais já aconteceram e continuam acontecendo.
A questão é como esses ataques invisíveis afetam a estratégia militar das superpotências e até que ponto eles são o sinal de que a humanidade já está no meio de um novo tipo de conflito internacional: a guerra cibernética.
Para responder estas perguntas, analisamos os últimos acontecimentos e informações relacionados a ataques na internet contra governos e tiramos conclusões impressionantes.
A militarização da internet
No último dia 8 de novembro, o Pentágono afirmou que impulsionará todos os esforços necessários para construir braços cibernéticos ofensivos para possíveis ataques na internet.
O anuncio é mais um exemplo que reforça a nova doutrina militar norte americano que, desde maio de 2010, considera o ciberespaço como um campo de batalha estratégico para resolver conflitos, além dos quatro tradicionais: terra, mar, ar e espaço.
A China é vista pelos militares norte-americanos como a principal ameaça numa hipotética guerra cibernética. O país asiático é frequentemente acusado de realizar ataques virtuais, mas nega seu envolvimento, dizendo ainda que a atividade é ilegal no país.
Os Estados Unidos, em contrapartida, alegam não só que já sofreram ofensivas digitais vindas da China, como acreditam que o governo chinês possua uma estratégia para vencer batalhas ou guerra cibernéticas por volta de 2050. Ou seja, na metade do século.
Recentemente, uma comissão do congresso norte-americano que avalia as relações entre os Estados Unidos e a China revelou que dois satélites foram invadidos por hackers em outubro de 2007 e julho de 2008, respectivamente.
A comissão acredita que o ataque pode ter sido realizado por chineses, mas afirma que não há provas para envolvimento do governo ou do exército daquele país.
A Rússia também é acusada de usar espionagem cibernética para roubar segredos comerciais e de tecnologia norte-americanos a fim de estimular seu desenvolvimento econômico.
Segundo relatório de inteligência norte-americano, divulgado em novembro, muitas empresas e multinacionais já reportaram intrusões cibernéticas originadas da Rússia, mas a exemplo da China, os serviços de informações não conseguem confirmar quem estaria por trás delas.
Os Estados Unidos, inclusive, também são acusados de realizar ataques cibernéticos contra instalações nucleares iranianas em setembro de 2010.
E mais de 120 países do mundo, entre eles o Brasil, já admitiram estar preparando formas de se defender contra ataques cibernéticos ou efetuar ações ofensivas.
O próprio governo brasileiro foi alvo de ataques aos sites da receita federal e da presidência em junho deste ano, e embora as ações tenham sido atribuídas ao grupo de hackers Lulz Security, serviu para mostrar que o Brasil não está fora da rota de ofensivas cibernéticas.
As armas da ciberguerra
Os primeiros relatos de guerra cibernética, em que nações ou grupos terroristas usam hackers para atacar estruturas nacionais ou empresariais com fins políticos, econômicos ou ideológicos, datam do início dos anos 2000.
Em 2005, por exemplo, o governo da Coreia do Norte teria recrutado 500 hackers que teriam conseguido penetrar em redes dos governos da Coreia do Sul, Japão e outros países.
Alvos não faltam: ferrovias, metros, hospitais, refinarias, polos químicos, oficinas federais, sistemas bancários e redes elétricas. Hoje, nada funciona de maneira isolada.
Os países estão convertendo cada vez mais seus sistemas de controle em sistemas controlados por redes de computador. E existem portas de entradas digitais em todas elas. Isto significa que, se alguém conseguir infectá-las, poderá causar muitos danos.
O próprio presidente dos Estados Unidos Barak Obama admitiu que, há dois anos, a rede elétrica americana foi invadida por hackers na Rússia. Felizmente, os ataques eram intencionais e foram realizados para testar a capacidade de segurança norte-americana.
Entretanto, se a invasão fosse real, poderia se transformar em ataques que afetariam milhões de pessoas e negócios nos Estados Unidos.
E as armas para realizar esses ataques estão cada vez mais sofisticadas. O vírus que atacou o programa nuclear iraniano, chamado Stuxnet, em 2010, foi projetado para infectar sistemas industriais, no caso, as centrifugas nucleares iranianas.
A sofisticação do código utilizado pelo Stuxnet era tão grande que levaram muitos especialistas a acreditar que algum governo estivesse ligado à criação do vírus.
O código é considerado complexo porque utiliza quatro formas inéditas de ataque, ao contrário de um único método como se vê normalmente.
Uma vez dentro do sistema, o vírus modifica os códigos da rede de gerenciamento industriais para permitir que os atacantes tomem o controle sem que os operadores percebam.
Em outras palavras, o vírus pode dar a ordem que quiser, como, por exemplo, fazer as máquinas funcionarem a um nível tão excessivo que poderiam se autodestruir.
O Stuxnet é apenas um exemplo, mas existem muitos outros vírus com capacidade para infectar e causar danos em qualquer rede de computadores do planeta.
A questão é: será que o Stuxnet pode ser o sinal de que estamos no começo de uma nova era: a era da guerra cibernética?
A verdade dos fatos
Os militares tratam a internet como um campo de batalha e ataques digitais entre nações já aconteceram e continuam acontecendo. No entanto, isso não necessariamente significa que já estamos vivenciando uma guerra cibernética.
Na opinião do Consultor de Segurança da Casa Branca, Richard Clarke, autor do livro "Cyber War: The Next Threat to National Security and What to Do About It", o que estamos presenciando são os preparativos para a guerra virtual.
"A guerra virtual ainda não aconteceu. E só vai acontecer quando houver uma guerra de verdade entre países. Se um país declarar guerra a outro, agora ou no futuro, vai se valer de ataques cibernéticos, além dos ataques comuns", disse em entrevista ao canal Globo News.
De acordo com o especialista, para realizar um ataque cibernético e conseguir efetivamente fazer com que trens parem, que água deixe de ser bombeada, que oleodutos explodam, entre outras investidas, é preciso já ter invadido as redes de computadores do inimigo.
Portanto, os países estão, neste momento, se infiltrando nas redes um dos outros e instalando "portas dos fundos" para ter acesso rápido a essas redes quando precisarem. "Portas dos fundos" são atalhos secretos criados pelo invasor para conseguir entrar no sistema no caso dele precisar retornar depois.
Trata-se de uma atividade comum, mas muito difícil de ser identificada. Um estudo da consultoria ASDReports concluiu que todo esse conflito cibernético está gerando gastos de mais de US$ 12,5 bilhões só este ano, e mesmo com os cortes de despesas na Europa, por conta da crise econômica, o orçamento destinado às defesas para a ciberguerra cresceu significativamente na região.
O Brasil ainda engatinha nessa área e apenas recentemente informou ter começado a pôr em prática medidas para proteger o País de ataques cibernéticos. A questão aparece agora como prioridade na Estratégia Nacional de Defesa e, no final de 2010, o Gabinete de Segurança Institucional lançou livro que estabelece parâmetros de proteção das redes governamentais.
A verdade é que a guerra cibernética só vai acontecer com a frequência que acontece uma guerra comum, e será consequência de um ato de guerra no sentido tradicional, com tropas ou mísseis, por exemplo.
No entanto, trata-se de um tema de alta prioridade e urgência que de forma alguma pode ser negligenciado por afetar a segurança de milhões de pessoas em todo o planeta.

Fonte: http://tecnologia.br.msn.com/especiais/o-mundo-rumo-%c3%a0-guerra-cibern%c3%a9tica?page=0, in 13/11/2011

8 de nov de 2011

ITEP SELECIONA PROFESSOR(A) DE CIÊNCIAS SOCIAIS E OUTRAS CATEGORIAS PROFISSIONAIS

Está aberto o processo seletivo simplificado (até o próximo dia 10/11/2011) para contratação de professores em Ciências Sociais e outras categorias profissionais pelo Instituto Tecnológico de PE (ITEP). O Edital pode ser consultado gratuitamente pelo site pciconcursos.com.br