CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS

CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS

21 de fev de 2012

ESTUDO BUSCA TRAÇAR PERFIL E ORIGENS DO BRASIL MISCIGENADO

Um estudo que procura apontar características dos povos latino-americanos, apresentando dados que podem revelar detalhes sobre nossa ancestralidade, demografia e história. Esse é o projeto Candela (Consórcio para Análise da Diversidade e Evolução na América Latina), que tem o objetivo de investigar aspectos genéticos e morfológicos da população na América Latina, como características faciais, cor da pele, olhos e cabelo. Os resultados devem contribuir para uma compreensão única sobre a dinâmica de miscigenação, a percepção social de ancestralidade e a genética da aparência física humana.

Capitaneado pelas pesquisadoras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Tábita Hünemeier, Maria Cátira Bortolini e Lavínia Schüler-Faccini, o projeto é uma parceria entre grupos do Brasil, Argentina, Colômbia, Chile, Peru, México e Inglaterra. Segundo Tábita, as ações começaram a tomar forma durante o tempo em que esteve na Inglaterra por conta de seu doutorado. "Foi quando conversamos com o professor Andrés Ruiz-Linares sobre como poderíamos transformar o que já vínhamos fazendo em um grande estudo populacional", conta.

As respostas para as questões dos pesquisadores do Candela devem surgir a partir de uma varredura genômica que deve alcançar 1,5 mil pessoas em cada um dos países parceiros da iniciativa. A coleta de dados reúne informações acerca de pigmentação (quantificação da cor da pele), estatura, peso, circunferência da cintura, quadril e cabeça, além da digitalização em 3D da imagem da face e da quantificação digital da cor dos olhos.

O voluntário também é submetido a um questionário de autoavaliação. "Fazemos perguntas sobre percepção e autopercepção de ancestralidade. Queremos saber como a pessoa se percebe, o que ela sente em relação a isso, se tem vergonha, orgulho. A gente responde ao mesmo questionário em relação a ela. Temos três níveis de análise: o real, que é baseado em termos técnicos, o que a pessoa está dizendo e como o pesquisador vê o avaliado", detalha.

Além de determinar características da população latino-americana, Tábita explica que um dos objetivos é compreender a população brasileira. "Ela tem um aporte negro muito forte, um aporte indígena relativamente forte e um aporte de vários lugares da Europa, além de outras ancestralidades, como da Ásia e do Oriente Médio. O Brasil é um país muito miscigenado, mas também multiétnico. Não necessariamente todas as pessoas são miscigenadas, mas há vários contextos populacionais dentro de um país só, que é uma coisa que não se vê em outros lugares", explica. Por conta dessa variação, a coleta é feita em diversos lugares, justamente com o objetivo de atingir a maior variabilidade possível.

Outro objetivo do Candela é compreender como os genes estão relacionados à forma física das pessoas. A pesquisa também propõe uma medição da quantidade de melanina, pela qual é possível saber com precisão a cor do voluntário. A partir desses dados, os participantes recebem um relatório com resultados individuais. "Mandamos o resultado genético com a porcentagem de ancestralidade genética e a aparência física dela posicionada dentro da amostra geral", diz.

Tábita acredita que esse seja um trabalho sem precedentes em termos de estudos com populações humanas miscigenadas. "É um projeto de enorme valor social. Um valor de determinação do que é o brasileiro", avalia. As amostras devem ser coletadas até maio, e a previsão é de que os resultados sejam finalizados ainda em 2012.
Fonte: Terra Notícias (Ciência)

APÓS PROTAGONISMO NA PRIMAVERA ÁRABE, MULHERES LUTAM POR DIREITOS...

O outro lado: soldados líbias apoiadoras de Muammar Kadadi se reúnem em um fórum de mulheres em Trípoli


Mais de um ano após o início dos movimentos por mais democracia nos países árabes, os homens parecem continuar dominando, pelo menos na política: é o que indicam os novos governos da Tunísia ou do recém-votado parlamento egípcio.

No Egito, apenas 2% dos representantes do povo são mulheres, embora o país tenha ratificado em 1981 a Convenção das Nações Unidas para Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres e concordado em aumentar a cota de mulheres no setor político, de acordo com o proposto nas metas do milênio.

Neste contexto, não devemos esquecer que a responsável pelo começo da revolução no Egito foi uma mulher. Em 2011, a blogueira Asma Mahfouz usou o Facebook para convocar a população a transformar o feriado egípcio de 25 de janeiro em dia de manifestações contra a ditadura no país.

Protestos femininos fazem parte da história
Na história recente dos países árabes, as mulheres sempre foram às ruas protestar quando o assunto é de interesse nacional. Na Tunísia, organizações de mulheres se manifestaram nos anos 1940 contra o poder colonial francês. No Egito, Hoda Shaarawi arrancou em público seu véu da cabeça, em 1923, em sua luta pela emancipação das mulheres e contra a ocupação britânica.

Do ponto de vista árabe, a participação feminina nas manifestações públicas em 2011 não foi novidade. Também não é novidade o aumento de jovens e mulheres árabes na internet. Nos países árabes, moças "decentes" não saem de casa quando têm tempo livre, mas ficam em casa com suas famílias. Twitter, blogs e afins oferecem, então, a chance de elas se comunicarem com o mundo exterior. O número de mulheres jovens que fazem uso destas ferramentas virtuais nos países árabes está aumentando.

O novo poder das mulheres
O que surpreendeu nos últimos anos foi a determinação e a eficiência com que muitas mulheres organizaram as manifestações. Não usaram somente da internet, mas também foram às ruas, de porta em porta buscar apoio.

No Cairo e em Túnis, mulheres de pé, nas ruas, com suas bolsas debaixo dos braços, gritaram palavras de ordem contra o regime, até os vizinhos saírem de suas casas e aderirem à manifestação. Estas mulheres não somente trabalharam nos bastidores das manifestações, cuidando da logística das atividades de protesto, como também marcharam à frente dos grupos, incitando a grande massa.

Impressionante foi também a forma como homens e mulheres integrantes da revolução no Egito se respeitaram e lidaram uns com os outros. Os tabus e as proibições de costume não receberam importância naquela altura, até porque todos lutavam pela mesma causa: a transparência no país e o tratamento das vítimas da repressão contra os manifestantes.

Luta em vez da vergonha
Outra surpresa no que se refere à participação das mulheres nas revoluções árabes foi a firmeza com que elas se opuseram à violência sexual, sozinhas ou em grupo. Tanto na Tunísia quanto no Egito, homens integrantes das forças de segurança tentaram humilhar as manifestantes, ao passar a mão entre suas pernas ou seios, para forçá-las a abandonar o protesto.

No Egito, mulheres manifestantes detidas pela polícia foram obrigadas a passar por uma espécie de "teste de virgindade". As consultas ginecológicas obrigatórias aconteceram, em parte, na presença de policiais, o que foi percebido pelas vítimas como estupro. Muitas dessas mulheres não tiveram coragem de se opor às autoridades por vergonha ou por medo de suas famílias.

Porém uma delas recorreu à Justiça e venceu. Samira Ibrahim, 25 anos, conseguiu em dezembro de 2011 que os "testes de virgindade" à força fossem proibidos. Fato que fez com que milhares de mulheres fossem às ruas do Cairo protestar contra o conselho militar.

Mudanças visíveis
A autoconfiança das jovens mulheres árabes é um indício para as profundas mudanças que ocorrem nas sociedades do Norte da África e do Oriente Médio. Também estruturas familiares estão mudando. Nos países do noroeste da África, a taxa de fecundidade caiu pela metade nos últimos 20 anos. No Oriente Médio, o ritmo é mais lento, mesmo registrando menos nascimentos. Em diversas cidades grandes, se tornou comum as famílias terem em média apenas dois filhos.

Com estas mudanças, as mulheres vêm exigindo também outros tipos de liberdade, como, por exemplo, as relacionadas à vida pública. Porém neste quesito ainda esbarram em uma sociedade patriarcal, uma tendência intensificada com o avanço dos partidos islâmicos e dos movimentos islâmicos conservadores.

Os defensores deste tipo de ideologia pregam, por um lado, a superioridade moral do islamismo e, por outro, a obrigatoriedade das mulheres de obedecer. Defendem, por exemplo, que mulheres não devem desempenhar certos cargos públicos porque seriam emotivas demais.

A reforma da lei
Outro problema são as discriminatórias leis contra as mulheres vigentes em quase todos os países árabes, sobretudo referentes aos direitos relacionados ao casamento, divórcio e herança. Na maioria dos países árabes, estas leis são extremamente conservadoras, baseadas no islã.

Além destes, também o direito penal é carente de reformulação. Com exceção da Tunísia, os países árabes proíbem veementemente o aborto. O que resulta anualmente na morte de muitas mulheres que buscam o aborto ilegal.

A Tunísia e o Marrocos já mostraram, porém, que no âmbito do direito islâmico é possível reformular algumas leis que antes desfavoreciam as mulheres. Mas, ainda assim, muitas mulheres continuam com problemas nestes países porque juízes conservadores se negam a fazer valer as leis reformuladas. Somente no Cairo, centenas de milhares de mulheres não têm certidão de nascimento ou carteira de identidade.
Fonte: Terra Notícias

8 de fev de 2012

OS(AS) PSICOPATAS CORPORATIVOS...CUIDADO COM ELES(AS)

Débora Rubin

Ambiciosos e egoístas, fazem tudo para crescer nas empresas, gerando consequências como assédio moral e até desfalques...
Cerca de 10% da população adulta que trabalha apresentam traços de psicopatia
Num dado momento de sua vida, a radialista carioca Elisa Silva, 22 anos, chegou a achar que o normal era ter chefe louco. Afinal, logo nos primeiros empregos, ela teve experiências traumatizantes. O primeiro superior, um tipo elogiado pelo “sangue-frio” e por ter feito o corte necessário de pessoal que a rádio precisava, recusava sistematicamente suas ideias. Quando Elisa não conseguia cumprir determinada tarefa, ele questionava se ela queria ser demitida. O segundo era mais incisivo. Craque em fazer piadinhas de cunho sexual, perguntou-lhe certa vez: “Por que você não vem de minissaia para conquistar seus colegas?” A radialista reclamou à diretoria e o chefe tomou uma advertência, mas continua até hoje no emprego por ser amigo do patrão. Quem saiu foi Elisa, que, antes de desistir da profissão, finalmente arranjou um trabalho livre de psicopatas.
Se você nunca viveu uma situação semelhante às de Elisa, certamente conhece alguém que já passou por isso. Estima-se que 1% da população adulta que trabalha é formada pelos chamados psicopatas corporativos, profissionais que não medem esforços para crescer e são capazes de ferir psicologicamente (quando não fisicamente) colegas de trabalho para conseguir o que almejam. Um estudo feito pelos pesquisadores americanos Paul Babiak e Robert Hare, dois experts no tema, afirma que cerca de 10% da população apresenta traços de psicopatia suficientes para ter impacto negativo em seus companheiros. Como o psicopata social, que se deleita com o sofrimento de suas vítimas, o corporativo não é louco, mas é essencialmente mau. “Ele está ciente dos efeitos que seu comportamento tem nas pessoas ao seu redor, mas simplesmente não se importa”, diz o psicólogo australiano John Clarke, autor do livro “Trabalhando com Monstros – Como Identificar Psicopatas no Trabalho e se Proteger Deles” (Editora Fundamento).

OMISSÃO-Segundo o coach Robson Castro, muitas empresas fecham os olhos para esses tiranos
Segundo Clarke, não é tão simples assim identificá-los de imediato. Isso porque eles são muito hábeis em conquistar e manipular colegas e chefes. “Ele faz o outro pensar que é muito eficiente, mas é craque em responder sem responder e passar, de forma inteligente, as tarefas para os outros”, complementa a psicóloga Marisa de Abreu. As consequências nas vítimas vão desde o desânimo de ir trabalhar até casos mais sérios, como a síndrome do pânico e a depressão. Para as corporações, o psicopata pode gerar desfalques milionários.
As empresas, embora cientes de tais profissionais e preocupadas com os casos de assédio moral e bullying, ainda são campos férteis para os psicopatas. De acordo com o coach Robson Castro, diretor da Agnis Recursos Humanos, isso acontece porque muitas caem na tentação de incentivar qualquer comportamento para atingir seu fim maior: o lucro. Outra razão apontada por Castro é o fato de as corporações não comunicarem a razão da saída do profissional psicopata para não manchar sua imagem, facilitando, assim, sua reinserção no mercado. Por fim, muitos ainda querem contratar o que o coach chama de “high-potentials”, donos de currículos impecáveis, formados nas melhores universidades e com promessas de uma carreira meteórica. “As que buscam os profissionais perfeitos devem ter cuidado redobrado para não ter um batalhão de psicopatas corporativos roendo as paredes da organização”, aconselha. Evitar a contratação do psicopata do trabalho é, no final das contas, a forma mais eficiente de evitá-lo.

Fonte: http://www.istoe.com.br/reportagens/189396_OS+PSICOPATAS+CORPORATIVOS?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage