CIÊNCIAS SOCIAIS

CIÊNCIAS SOCIAIS

10 de abr. de 2011

AGROECOLOGIA, RECUPERAÇÃO DO MEIO AMBIENTE, REFORMA AGRÁRIA E COMBATE À POBREZA





Entrevista: Ana Maria Primavesi "O combate à pobreza é básico e depende da recuperação ambiental e da Agroecologia"
Leandro Brixius, Jornalista da Emater/RS Entrevista: Ana Maria Primavesi
Praticar a agricultura ecológica, como vem defendendo durante décadas, e continuar espalhando o conhecimento sobre a necessidade de compatibilizar agricultura com preservação ambiental são, atualmente, as principais ocupações da professora e pesquisadora Ana Maria Primavesi. Nascida em 1920, na Áustria, Ana Maria fala, desde a década de 40, em agricultura ecológica e, principalmente, sobre solos, como evidencia seu livro Manejo Ecológico do Solo, obra de referência sobre o tema em diversas universidades latino-americanas e européias. Hoje, além de pequena agricultora em Itaí, no interior de São Paulo, é pesquisadora da Fundação Mokiti Okada e realiza palestras em diversos países. "Estou plantando minha terrinha, trabalho no conselho científico da fundação e, de resto, estou andando por toda a América Latina dando cursos", contou Ana Maria Primavesi nesta entrevista à Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável, realizada durante sua participação como palestrante no III Seminário Internacional sobre Agroecologia, realizado em setembro, em Porto Alegre. Além disso, fala sobre a diferença entre agricultura ecológica e orgânica, transgênicos, reforma agrária e, é claro, manejo do solo.

Revista - A Sra. começou a falar em agricultura ecológica já na década de 40, numa época em que não se falava em cuidados com a preservação do meio ambiente. Como foi esse início?

Ana Maria - Eu ainda vivia numa época em que a agricultura química praticamente não existia. A gente sabia que existiam os adubos químicos, pois as pessoas, em 1942, 1943, já reclamavam dos efeitos, não queriam mais comer os produtos com adubos químicos porque não tinham gosto. Os alimentos eram muito bonitos, mas não tinham sabor. As firmas, nessa época, diziam que era imaginação das pessoas. Quem queria botava, quem não queria, não botava. Nos anos 60, começou a campanha da Revolução Verde, que aconteceu quando as firmas americanas estavam indo à falência e precisaram procurar desesperadamente uma solução. Então o mister Borlaug (Norman Borlaug, um dos precursores da Revolução Verde), disse que a solução era justamente abrir a agricultura para a indústria química e mecânica. Então, eles obrigaram as pessoas a fazer monocultura. No Brasil, não existia monocultura, a não ser de cana-de-açúcar. Com a monocultura, começaram os problemas das doenças e era preciso colocar veneno. Uma avalanche em que um arrastava o outro. O adubo químico, basicamente, é formado por três elementos e a planta necessita de 45. Aí está o grande problema. Com esses três elementos, a planta está mal nutrida, subalimentada. Com isso, começaram todas as doenças e o decorrente uso dos pesticidas. Como cada pesticida está baseado em algum mineral, induzia a uma deficiência de minerais que estavam em proporção com esse e então foi uma avalanche cada vez pior.

Revista - O que é o manejo ecológico do solo?

Ana Maria - No manejo ecológico do solo, você tem que ter duas coisas: não virar a terra mais profundamente do que ela suporta (15 centímetros) e colocar a matéria orgânica sempre na parte superficial para ter uma decomposição aeróbica. Com isso, você melhora o solo incrivelmente. Na Argentina, há dez anos trabalha-se com agricultura orgânica. Eles enterram a matéria orgânica até 40 centímetros e a terra está dura. Por quê? Porque esse negócio não dá certo. Primeiro, eles destroem a estrutura do solo, a terra se assenta, não tem poros, não cria nada, nem fixa nitrogênio. Então, é um fracasso total. E ainda custa caro!

Revista - Como a Sra. vê, atualmente, o manejo dos solos?

Ana Maria - No momento, está completamente errado, pois pega-se o manejo utilizado pelos americanos e aplica-se aqui no Brasil. Por exemplo, o potássio. Abaixo de 15ºC, o potássio não é absorvido. Cálcio, com terra fria, é cinco vezes menos absorvido que em terra quente. Então, eles (os agricultores americanos) necessitam um solo super rico para a planta absorver alguma coisa. Para nós, não. Então, eles mantêm o solo limpo com herbicida e capina para captar calor, porque o máximo que o solo consegue captar é 14ºC. Aqui não, aqui vai mais. Eu medi 74ºC, e um professor que trabalha na África mediu 83ºC. Então, há uma diferencinha. E, a partir de 32ºC, a planta já não absorve mais. Água quente ela não absorve. E nosso problema é que a matéria orgânica que é colocada tem que servir à planta e não à máquina que estão importando.

Revista - Por que as remoções profundas não são indicadas para os solos tropicais? Ana Maria - Nos trópicos, 80% dos microorganismos encontrados no solo são fungos, que produzem enorme quantidade de antibióticos e têm sua vida inibida abaixo de 15 centímetros. Antigamente, quando trabalhavam com aradinho de boi ou de burro, a lavração não ia abaixo de 12 ou 15 centímetros e a terra se mantinha mais ou menos na parte superficial. Agora, com arado de tração mecânica, pode-se entrar de 30 a 40 centímetros, virar a parte morta para cima, que é desmanchada pela chuva, entra solo e entope os poros. E aí a terra fica dura, compactada. Todos me perguntam o que fazer contra a compactação. No trópico não se pode fazer aração profunda de jeito nenhum. Tem que ser rasa porque a terra abaixo está morta. Na América do Norte não, lá a terra está viva até abaixo de 30 centímetros. Nos Estados Unidos ainda há agregação por congelação, que não existe aqui.

Revista - O plantio direto é colocado, muitas vezes, como uma solução para o manejo dos solos. Qual a sua opinião?

Ana Maria - Plantio direto tem vantagens e desvantagens. E a grande vantagem, que vi na única região que conheço onde o plantio direto é 100% certo, os campos gerais do Paraná, os produtores conseguem uma camada de seis ou sete centímetros de palha acima do solo. Nas outras regiões, onde plantam monoculturas de soja, eles têm no máximo 1,5 centímetros, o suficiente para proteger o solo contra a erosão. É uma grande vantagem. Do outro lado, a pressão da máquina é horrível. No plantio direto, a máquina é até cinco vezes mais pesada que a de plantio normal e, então, a compactação é violenta. O segundo problema é que, no plantio direto, a rotação de culturas é necessária, pois do contrário aumentam as pragas. E não só aumentam, mas elas mudam também. Praga das folhas passa a ser praga da raiz. Então há uma enorme quantidade de pragas que agora atacam a raiz. Se eu sei a deficiência que há não tem problema, eu vou colocar nutriente e a praga desaparece. Se eu não sei, o combate é muito complicado, porque com veneno não se atinge. Então, o que fazem? Colocam o veneno já na linha de plantio. Então, a planta está muito mais venenosa que com o cultivo normal.


Revista - Lutzenberger falava em agricultura regenerativa. Outros falam em agricultura orgânica. A Sra. refere-se a agricultura ecológica. A Sra. poderia abordar essa escolha e relacionar as diferenças entre agricultura ecológica e orgânica?

Ana Maria - É completamente diferente. Na orgânica, você trabalha pelas normas e as normas não fazem nada mais do que trocar um agente químico por um orgânico. Em lugar de, por exemplo, pegar adubo químico, você usa agora composto e, obrigatoriamente, faz composto. Em lugar de algum defensivo químico você usa um caldinho. Mas os caldinhos também podem ser tóxicos, também podem ter efeitos colaterais. Sempre há minerais dentro. Eu não posso usar todos os dias. Então, o grande erro da agricultura orgânica é que, primeiro, continua com toda a visão factorial, fator por fator, continua combatendo em lugar de evitar. No final, a melhora que se consegue é muito pouca. Se produz mal porque não se sabe onde colocar a matéria orgânica, a produção, normalmente, é miserável. Então, eu não vejo muita vantagem com esse tipo de agricultura. A não ser que é muito mais trabalhoso e o agricultor é muito mais sacrificado. Agora, na ecológica, eu vejo o inteiro. Então, eu vejo porque apareceu o sintoma. Eu não digo só “ah, tem um sintoma aqui, vamos combater”. Não, pergunto primeiro o por quê? Em minha propriedade, eu plantei milho e houve infestação da lagarta-do-cartucho. A lagarta-do-cartucho é muito difícil de combater porque, se não tem aviação agrícola, não é possível pulverizar com bomba normal, já que o defensivo tem que entrar por cima. Mas eu não pergunto como combater essa lagarta, mas por que apareceu essa lagarta. E a lagarta só ataca porque o milho está deficiente em boro, então eu coloco cinco, no máximo oito quilos de bórax por hectare e pronto. Não tem lagarta-docartucho porque quando tem boro, não aparece mais, não consegue comer o broto.

Revista - Quais são os desafios que se enfrenta hoje para alcançar uma agricultura socialmente justa e ecologicamente correta?

Ana Maria - Primeiro, nós precisamos de fato uma reforma agrária, mas não uma reforma agrária como está sendo feita hoje. Por exemplo, no Paraguai, é dada a melhor terra para o assentado e não a pior. Aqui no Brasil, é só terra marginal. E segundo, eu não posso simplesmente assentar qualquer pessoa. Reforma agrária no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina funciona, porque são assentados ex-agricultores. Mas, se eles já perderam uma vez sua terra, vão perder outra vez, porque a tecnologia que eles têm não presta. Então, eu teria que ter uma assistência técnica muito boa para mostrar como fazer para não perder novamente a terra. O terceiro ponto é que eu não posso simplesmente assentar como eles fizeram na Bolívia, onde retalharam a terra e cada um recebe meio hectare. Meio hectare não dá para uma família viver normalmente. Então, já não é reforma agrária, é criação de miséria. No Nordeste, por exemplo, o governo dá um pedaço de terra e uma cabra. É muito bom, não?! Mas a cabra acaba com tudo, não deixa mais nada e forma deserto. Não é uma solução! O que ocorre com o homem que tem uma cabra? Ele pega sua terra e planta. Mas ele já tem um nível de pobreza em que não produz mais, só quer comer. Está tão faminto que não pensa mais em produzir, só em comer. Além disso, o agricultor realiza queimadas cinco vezes por ano. A terra, depois de cada queimada, está pior, mais dura, menos produtiva. No fim, crescem só umas coisinhas duras, que nem sustentam a cabra. Então, pela miséria aumenta a pobreza e pela pobreza aumenta a miséria. Por exemplo, o governo dá uma cesta básica de alimentos para os pobres. Mas isso não é solução, porque o homem, com isso, fica degradado de pobre para mendigo. Ele não era mendigo antes, ele quer trabalhar. O governo não sabe o que fazer porque não quer contrariar os ricos que tem lá na região. Por isso, acha mais fácil dar uma cesta básica para cada um e não entrar mais profundamente no problema. Tem que ver que a pobreza não se combate com esmola! Eu tenho que ensinar o povo a trabalhar sua terra, mas ele tem que ter a possibilidade de fazer isso. Não posso simplesmente comprar cinco mil cabras e soltar pelo Nordeste.

Revista - É possível obter maior produtividade e também preservar o meio ambiente?

Ana Maria - Se você não preserva o meio ambiente, a produção sempre vai ser baixa. Nós temos uma série de dados que mostram que, em uma região descampada, mas com suficiente chuva ou irrigação, a colheita baixa até a metade do que poderia ser normalmente somente pela ação do vento. Em uma época de seca, a colheita pode ser reduzida em até cinco vezes. Isso quer dizer que, se há metade da área florestada é possível colher idêntica quantidade que é colhida hoje no dobro da área que sofre com a ação dos ventos. Então, quando dizem que não pode ter Agroecologia, não pode fazer recuperação do ambiente, porque precisam de toda a área para plantar, tudo bem, mas colhem tanto menos que não resolve o caso. E afora isso, pode-se implantar, nesse mato, árvores que produzam. Por exemplo, se tiram toda a Mata Amazônica para plantar soja e depois colher uma miséria, poderiam enriquecer o mato com cajueiro, castanheiro e outras plantas. Um estudo do governo do Acre constatou que enriquecer a mata dá 13 vezes mais lucro do que transformar em pastagens ou lavouras de soja. Então, por que não fazem? Porque os americanos querem vender as porcarias deles.

Revista - Qual sua opinião sobre a concessão de subsídios públicos para a agricultura?

Ana Maria - Antigamente, a agricultura financiava a indústria e mantinha o Estado. Ela funcionava. Hoje, a agricultura depende de créditos e está sempre endividada e quase quebrando. Então, talvez a agricultura precise do recurso público para se recuperar, porque ela está completamente estragada pela tão famosa Revolução Verde. Mas, através da Agroecologia pode-se produzir tanto que a agricultura pode ser forte de novo. Eu não quero explorar, eu quero colocar a agricultura saudável de novo na região! Sem a recuperação do meio ambiente a agricultura não funciona bem. Sem recuperar o meio ambiente e sem agricultura você não vai combater a pobreza e outra vez a pobreza destrói. Você não pode dizer: “para mim não interessa, porque eu vou ter o suficiente para comer”. Se não tem água, ninguém come. Você não pode comer seu dinheiro. Sem água não tem o que beber e nada para plantar e então acaba tudo. Então o combate à pobreza é básico e tem que ser feito ao mesmo tempo que você faz a recuperação do ambiente e uma agricultura baseada na Agroecologia.

Fonte: Agroecol. e Desenvol. Rur. Sustent. Porto Alegre, v.3, n.4, out/dez 2010.

18 de mar. de 2011

RETIRANDO DO BAÚ-4: RACHEL CARSON E O INÍCIO DA CONSCIÊNCIA E DO MOVIMENTO AMBIENTALISTA EM ESCALA GLOBAL


Bióloga marinha do U.S. Bureau of Fisheries (E.U.A), autora do livro “Primavera Silenciosa”, obra que teria marcado, na opinião de alguns historiadores, o início do movimento ambientalista. O livro denunciou em 1962 as mazelas do DDT, pesticida que vinha sendo pulverizado em doses maciças nas lavouras americanas, provocando grandes impactos sobre o meio ambiente. Primavera Silenciosa recebeu este nome pelo desaparecimento das aves migratórias envenenadas com DDT. Com clareza e objetividade, Rachel conseguiu denunciar um problema que incomodou o poderoso lobby da indústria química americana. Apesar das campanhas de difamação organizadas contra ela, Rachel resistiu e foi apoiada por movimentos sociais que se articularam em defesa do banimento do DDT e de medidas regulatórias para o uso de pesticidas. Esta com os seus movimentos ambientalistas que inspirou levou a criação da Environmental Protection Agency foi lhe oferecida a Medalha Presidencial da Liberdade.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Rachel_Carson

9 de mar. de 2011

PARA REFLETIR: AS VERDADES SOBRE O CARNAVAL...

É só clicar abaixo para ver as verdades sobre o carnaval que pouco são faladas. Ainda bem que outras pessoas também conseguem ver a verdade sobre o carnaval...


http://www.youtube.com/watch?v=oLmFQxsMbN4


Parabéns à jornalista Rachel Sheherazade pela sua ousadia e coragem de falar a verdade na mídia, algo muito raro, pois isto muitas vezes contraria muitos interesses...

HILLARY: EUA PRESSIONARÃO PARA QUE AS MULHERES INTEGREM TRANSIÇÃO ÁRABE


Hillary Clinton ri durante cerimônia no Departamento de Estado, em Washington, neste Dia Internacional da Mulher A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou nesta terça-feira que os Estados Unidos farão pressão para que as mulheres sejam incluídas na transição democrática que se anuncia nos países árabes. "Nos próximos meses e anos, as mulheres do Egito e da Tunísia e outras nações terão os mesmos direitos que os homens para refazer seus governos e transformá-los em sensíveis, responsáveis, transparentes", afirmou. A chefe da diplomacia americana, que discursou durante a entrega do Prêmio Internacional Mulher de Coragem do Departamento de Estado, disse que o governo apoiará uma campanha em prol dos direitos das mulheres no Oriente Médio. "Os Estados Unidos respaldarão firmemente a proposta de que as mulheres devem ser incluídas em qualquer processo que seja iniciado. Nenhum governo pode triunfar se excluir metade de seus cidadãos das decisões importantes". Além disso, ela afirmou que as mulheres que participaram das manifestações no centro do Cairo (Egito), que culminaram com a renúncia do então presidente Hosni Mubarak, "estavam dizendo claramente que esperam ter uma voz e um voto no futuro". Por fim, a ex-primeira-dama lembrou a observação feita pelas mulheres egípcias, que lamentam que nenhuma especialista mulher tenha sido convidada a participar do comitê encarregado de redigir a nova constituição do país. "Naturalmente estaremos vigiando e o mundo vigiará", afirmou. Duas das dez mulheres homenageadas pelo prêmio do Departamento de Estado atuam na América Latina: a blogueira cubana Yoani Sánchez, que desafia a repressão do regime comunista com seus escritos de oposição, e a subprocuradora mexicana Marisela Morales Ibáñez, responsável por um programa de proteção a testemunhas. Como já aconteceu em outras ocasiões em que foi homenageada em premiações, Yoani não pôde viajar a Washington. A primeira-dama Michelle Obama, que estava presente à cerimônia, descreveu a ativista cubana como "uma jornalista e uma blogueira que conta histórias que ninguém mais escreve". "Quando foi censurada pelo Estado, ela continuou com o que chama de rede cidadã, uma rede de pessoas que moram fora de Cuba que a ajudam a publicar suas notas. Seus escritos são atualmente traduzidos para 15 idiomas", disse Michelle. Yoani que começou a publicar seus textos na internet em 2007, já foi ameaçada e até espancada pelo regime castrista, "deu voz às preocupações e aspirações de seus compatriotas" e elogiou Hillary Clinton. Já Ibáñez, recebeu pessoalmente seu prêmio, concedido por "sua incansável dedicação ao combate ao crime organizado e à corrupção", destacou a secretária de Estado. A presidente do Quirguistão, Rosa Otunbayeva, e a procuradora da província afegã de Herat, Maria Bashir, também foram premiadas.


Fonte: Terra Notícias.

8 de mar. de 2011

ONU EXIGE FIM DE DISCRIMINAÇÃO DA MULHER NA EDUCAÇÃO.

A ONU reivindicou nesta terça-feira o direito da mulher ao acesso à educação e à ciência em condições de igualdade em relação ao homem, como um passo imprescindível para aumentar sua participação e avanço no mercado de trabalho. "Investir na mulher não é o correto, é o inteligente", afirmou o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, em um ato na sede do organismo por ocasião da celebração do centenário do Dia Internacional da Mulher. O principal responsável pela ONU lembrou que nos 100 anos em que se comemora esta jornada foram feitos avanços enormes, mas, ao mesmo tempo, em muitas sociedades a mulher ainda é um cidadão de segundo plano que tem seus direitos fundamentais negados. "Apesar da brecha entre gêneros em matéria de educação diminuir, ainda há muitas meninas com acesso à escola negado, que têm que abandonar prematuramente ou concluem os estudos sem as ferramentas e os conhecimentos necessários", indicou. Ban lembrou que uma recente pesquisa revelou que as grandes empresas da lista "Fortune 500" com maior presença feminina em seu conselho de administração são 53% mais rentáveis que as demais. "Vocês sabem, e eu sei, que a mulher tem que desfrutar de uma participação completa e igualitária em todas as áreas da vida pública e particular, só assim poderemos ter a sociedade justa, sustentável e pacífica prometida pela Carta das Nações Unidas", indicou. Além disso, denunciou que na família, na escola, no local de trabalho e na comunidade ser uma mulher, "frequentemente, significa ser vulnerável"• "As mulheres e as meninas são vítimas de discriminação e violência, em muitas ocasiões pelas mãos de seus companheiros ou parentes", ressaltou. Também lembrou que ainda falta avançar muito na integração da mulher na vida pública e política, apesar dos avanços em relação a presença feminina nos Parlamentos. Menos de 10% dos países contam com uma mulher como chefe de Estado ou de Governo, segundo dados da ONU. Nesse contexto, assinalou que a diretora da ONU Mulheres, a ex-governante chilena Michelle Bachelet, celebrou precisamente seu primeiro Dia Internacional da Mulher à frente da nova agência em Monróvia, junto à presidente da Libéria, Ellen Johnson-Sirleaf, a única chefe de Estado mulher da África. Ban assinalou que nas conversas mantidas nas últimas semanas com líderes do Oriente Médio, em relação aos protestos populares no mundo árabe, sempre lembra que devem "fazer mais" em matéria de igualdade de gêneros. Essa será um das mensagens que transmitirá na semana que vem em sua visita à região, onde "os direitos da mulher foram ignorados e oprimidos por muito tempo", acrescentou. A atriz e ativista americana Geena Davis, que também tomou a palavra no ato presidido pelo secretário-geral da ONU, exigiu uma maior presença de personagens femininos nos produtos audiovisuais para menores. Além disso, criticou que estes ainda reflitam uma imagem muito sensual e estereotipada da mulher. A ganhadora do Oscar como melhor atriz coadjuvante por seu papel em "O Turista Acidental" (1988) assegurou que a discriminação da mulher nas séries e filmes infantis é "um problema no qual foram registrados poucos avanços nos últimos 20 anos". "Como as crianças assistem aos mesmos programas e vídeos várias vezes, desde novas ficam com uma imagem estereotipada na cabeça", advertiu Geena, que fundou e dirige um instituto dedicado ao estudo do gênero na imprensa. Em sua opinião, corre-se o risco de que nas novas gerações persista a percepção de que o homem está de alguma maneira acima da mulher. Por sua parte, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) advertiu nesta terça-feira que a desigualdade é um dos grandes obstáculos que impedem o avanço econômico e social de muitos países. Segundo dados dessa agência da ONU, os países com maior desigualdade são Iêmen, República Democrática do Congo (RDC), Níger, Afeganistão e Mali, e os mais igualitários são Holanda, Dinamarca, Suécia, Suíça e Cingapura.


Fonte: Terra Notícias.

7 de mar. de 2011

MULHERES SÃO AS GRANDES PROTAGONISTAS DAS REVOLUÇÕES ÁRABES


Estudantes protestam durante uma manifestação em frente ao edifício da principal da universidade no Cairo para exigir a renúncia do reitor
As mulheres se transformaram nas grandes protagonistas das mobilizações populares contra os regimes autocráticos dos países árabes, desmentindo inúmeros estereótipos.
"As mulheres foram e continuam sendo protagonistas das revoluções da região e estão física e maciçamente presentes nas ruas, o que é fundamental", avalia Nadim Hury, pesquisador da organização de defesa dos Direitos Humanos, Human Rights Watch (HRW).
"É um sinal de esperança", acrescentou, enfatizando que as mulheres também "deverão ser protagonistas nas novas instituições que nascerem dessas revoluções".
Usando camisetas, calças jeans ou os tradicionais trajes negros, milhares de mulheres participaram nas manifestações na Tunísia, Egito, Iêmen e Bahrein contra os regimes desses países.
Em Bahrein, onde milhares de manifestantes, majoritariamente xiitas, reclamam a queda da dinastia sunita dos Al Khalifa, as mulheres se manifestaram com suas tradicionais abayas, formando uma massa negra em meio à multidão, já que homens e mulheres desfilam separadamente.
Em países como a Líbia ou Iêmen, as mulheres romperam com certas normas sociais ao manifestar-se ou falar abertamente diante das câmeras.
"As mulheres tiveram um importante papel no início da revolução", afirmou Tawakul Karman, uma militante iemenita contrária ao presidente Ali Abddullah Saleh.
"A revolução procura derrubar o regime, mas também permitiu superar tradições arcaicas, como o fato de que as mulheres tenham que permanecer em suas casas sem participar na política", acrescentou.
"A revolução também é social. O papel que têm as mulheres permite criar uma nova sociedade", enfatizou.
Muitas mulheres também usaram da palavra na internet. Dessa forma, que Asma Mahfuz, uma jovem egípcia cujo vídeo pedindo que as pessoas se manifestem foi um grande êxito online, teve um papel importante no início da mobilização contra o ex-presidente Hosni Mubarak.
"Quem acha que as mulheres não têm que se manifestar, que se porte como um homem e se atreva a sair à rua comigo em 25 de janeiro", lançou a militante usando um véu no vídeo.
Na Arábia Saudita, onde, por ora, não houve uma manifestação em massa, começam a aparecer na internet expressões femininas contra o regime.
"Peço às sauditas que atuem agora mesmo. Nossos irmãos sauditas nos traíram porque são uns covardes", afirma a SaudiWomenRevolution.
Apesar de não se saber como ficarão configurados os futuros sistemas políticos na região, os levantes revelam um descontentamento político, mas também social, enfatizam os analistas.
Fonte: Terra Notícias.

FAO DEFENDE IGUALDADE ENTRE HOMENS E MULHERES NA AGRICULTURA.

ROMA, 7 Mar 2011 (AFP) -Na véspera do dia internacional da Mulher, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) lançou um apelo pelo fim da distância entre homens e mulheres no setor agrícola, sobretudo na América Latina, onde elas representam 20% da força de trabalho.
"Se as mulheres nas zonas rurais tiverem o mesmo acesso que os homens à terra, à tecnologia, aos serviços financeiros, à educação e aos mercados, será possível aumentar a produção agrícola e reduzir entre 100 e 150 milhões o número de pessoas famintas no mundo", indicou a FAO nesta segunda-feira, ao publicar seu relatório anual sobre "O estado mundial da agricultura e da alimentação".
O documento, cujo foco é o papel da mulher na agricultura, revela como o setor agrícola trabalha abaixo de sua capacidade em muitos países em desenvolvimento devido a uma profunda desigualdade de gênero.
"O relatório defende sólidas razões econômicas para promover a igualdade de gênero na agricultura", admitiu o diretor geral da FAO, Jacques Diouf, ao apresentar o documento para a imprensa.
"A igualdade de gênero não é apenas um ideal nobre, é também crucial para o desenvolvimento agrícola e a segurança alimentar. Devemos eliminar todas as formas de discriminação contra as mulheres", destacou.
Um dos maiores problemas é que as mulheres "não têm o mesmo acesso aos insumos: terra, gado, trabalho, educação, serviços de extensão, crédito, fertilizantes e equipes mecânicas.
"Se tivessem, seus rendimentos seriam iguais aos dos homens, elas produziriam mais e a produção agrícola como um todo aumentaria", argumenta a FAO.
Segundo os cálculos da entidade, se as mulheres tivessem o mesmo acesso que os homens aos recursos agrícolas, seria possível aumentar entre 20 e 30% a produção das lavouras geridas por mulheres nos países em desenvolvimento.
Fonte: Terra Notícias.

26 de fev. de 2011

NAÇÕES UNIDAS CELEBRAM INÍCIO DAS ATIVIDADES DA ONU MULHERES

As Nações Unidas celebraram nesta quinta-feira com uma grande cerimônia o início oficial de sua nova agência, a ONU Mulheres, com a qual se compromete a combater a discriminação e derrubar as barreiras que ainda impedem o desenvolvimento pleno da mulher em todos os aspectos.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e a diretora-executiva da nova agência, Michelle Bachelet, lideraram a cerimônia na Assembleia Geral do organismo, que contou ainda com as participações da atriz Nicole Kidman e da cantora colombiana Shakira, entre outras personalidades.
"A ONU aposta na mulher porque é o correto e porque é inteligente, talvez uma das coisas mais inteligentes que podemos fazer. Apoiarei a ONU Mulheres de todas as formas que puder, com minha energia e compromisso", prometeu Ban em seu discurso.
De acordo com Ban, os esforços diplomáticos para estabelecer a ONU Mulheres fazem parte de um movimento global que procura pôr um fim definitivo na desigualdade, dar poder à mulher e erradicar a violência sexual.
Essas são as metas estabelecidas por Bachelet para a agência, cuja criação atribuiu ao descontentamento com o "ritmo lento" das mudanças na luta pela igualdade de gêneros e a erradicação dos obstáculos impostos ao desenvolvimento socioeconômico da mulher.
"Minha própria experiência me demonstrou que não há limites para o que pode conseguir uma mulher", assegurou a ex-presidente do Chile, que arrancou entusiasmados aplausos do público com esta frase.
Bachelet lembrou que os indicadores internacionais demonstram que os países com maior igualdade entre gêneros são os mais prósperos, enquanto as empresas privadas que contam com mais mulheres em postos de responsabilidade alcançam melhores resultados econômicos.
Em sua opinião, a nova agência tem início "em um momento histórico", de grande potencial e oportunidades para a mulher, o que deve ser aproveitado.
A Assembleia Geral das Nações Unidas autorizou a criação da ONU Mulheres no fim de 2009, após longos anos de debates sobre a necessidade da agência.

FONTE: Terra Notícias.

25 de fev. de 2011

Marta Suplicy Condena Abuso Policial Contra Ex-Escrivã em São Paulo -



Claro constrangimento e abuso de autoridade. Não publiquei o vídeo por que achei de uma violência angustiante, como mulher me senti extremamente constrangida.

22 de fev. de 2011

ORIENTE MÉDIO CONTINUA EM EBULIÇÃO...

CONHEÇA OS NEGÓCIOS DE MUAMAR KADAFI NA ITÁLIA:
Do UniCredit a Finmeccanica, passando pela ENI e a Juventus de Turim, o regime de Muamar Kadhafi investiu os "petrodólares" nas empresas da Itália, que obteve em troca petróleo líbio e contratos valiosos no país do norte da África.
Os laços entre os dois países foram reforçados após a assinatura, em agosto de 2008, de um acordo histórico para indenizar as consequências do colonialismo italiano (1911-1942) com cinco bilhões de dólares em 25 anos.
O chamado "pacto de amizade" incluiu um pedido de desculpas solene da Itália pelo período da colonização, que matou 100.000 pessoas de uma população de 800.000 neste país rico em petróleo.
Graças ao acordo, a Líbia, que já investia em empresas italianas e chegou a possuir 10% da Fiat, que depois cedeu, reforçou a presença em grandes grupos italianos.
Segundo o jornal econômico Il Sole 24 Ore, o valor das ações que a Líbia possui na Itália alcança 3,6 bilhões de euros (4,9 bilhões de dólares).
Um sintoma da relação estreita é a preocupação que a violência na Líbia gera, com a queda de 3,9% da Bolsa de Milão na segunda-feira.
O maior investimento da Líbia na Itália é o UniCredit. No fim de 2008, em plena crise financeira mundial, o Banco Central líbio adquiriu 4% do maior banco italiano, que passava por problemas graves.
Com a entrada da Libyan Investment Authority (LIA) ano passado, a Líbia se tornou o maior acionista do UniCredit (com 7,582%), atualmente um dos maiores bancos da Europa.
A LIA controla desde janeiro 2,01% do grupo aeronáutico e de defesa Finmeccanica, controlado pelo Estado italiano.
A Líbia tem quase 0,5% da empresa de petróleo ENI. A autoridade que controla a Bolsa não foi informada sobre a participação porque é inferior a 2%.
O governo do coronel Khadafi informou em 2008 que estava interessado em adquirir de 5 a 10% da ENI, mas o negócio não foi concretizado.
Através do Libyan Arab Foreign Investment Company, Trípoli é proprietária de 7,5% do clube de futebol Juventus de Turim, um dos maiores da Itália.
A Líbia já anunciou interesse no grupo de energia Enel e na gigante das comunicações Telecom Italia, mas nenhum acordo foi concretizado.
Em troca de tudo isso, a Itália recebe um terço do petróleo da Líbia, onde a ENI é a maior produtora estrangeira.
Muitas empresas italianas assinaram contratos de valores altos para a construção de estradas, universidades, ferrovias e hotéis, o que tem beneficiado a Itália com uma chuva de "petrodólares".
A antiga potência colonial é o maior parceiro comercial da Líbia: em 2009 a Itália ocupava o primeiro lugar no destino das exportações líbias (20%) e era, ao mesmo tempo, o principal exportador para o país do Norte da África (17,5%).
Um total de 180 empresas italianas atuam na Líbia, onde moram 1.500 italianos.

KADAFI MANDOU SABOTAR PETRÓLEO NA LÍBIA, DIZ COLUNISTA:
Um colunista da revista Time disse na terça-feira, citando uma fonte próxima ao governo líbio, que o líder Muammar Gaddafi ordenou que suas forças de segurança sabotassem instalações petrolíferas do país, tomado por uma onda de protestos populares na última semana. Em artigo publicado no site da Time, Robert Baer disse que a sabotagem começará pela explosão de oleodutos que chegam ao Mediterrâneo. Mas ele acrescentou que a mesma fonte havia lhe dito há duas semanas que os distúrbios nos países vizinhos jamais chegariam à Líbia, previsão que se revelou errada.
"Entre outras coisas, Gaddafi ordenou aos serviços de segurança que comecem a sabotar as instalações petrolíferas", escreveu Baer. "A sabotagem, segundo o informante, se destina a servir como mensagem às tribos rebeladas da Líbia: sou eu ou o caos." Várias empresas petrolíferas já interromperam suas atividades na Líbia devido à tensão política. As forças de segurança têm reprimido violentamente os protestos em todo o país, e alguns membros do governo já abandonaram Gaddafi.
Baer, ex-agente da Agência Central de Inteligência (CIA) no Oriente Médio, disse que a fonte lhe informou que até segunda-feira Gaddafi contava com a lealdade de apenas cerca de 5.000 membros do Exército, que tem um total de 45 mil soldados. Parafraseando essa fonte, ele disse que Gaddafi também ordenou a libertação de militantes islâmicos, na expectativa de que eles também contribuam para semear o caos.
Mundo árabe em convulsão :
A onda de protestos que desbancou em poucas semanas os longevos governos da Tunísia e do Egito segue se irradiando por diversos Estados do mundo árabe. Depois da queda do tunisiano Ben Ali e do egípcio Hosni Mubarak, os protestos mantêm-se quase que diariamente e começam a delinear um momento histórico para a região. Há elementos comuns em todos os conflitos: em maior ou menor medida, a insatisfação com a situação político-econômica e o clamor por liberdade e democracia; no entanto, a onda contestatória vai, aos poucos, ganhando contornos próprios em cada país e ressaltando suas diferenças políticas, culturais e sociais.
No norte da África, a Argélia vive - desde o começo do ano - protestos contra o presidente Abdelaziz Bouteflika, que ocupa o cargo desde que venceu as eleições, pela primeira vez, em 1999; mais recentemente, a população do Marrocos também aderiu aos protestos, questionando o reinado de Mohammed VI. A onda também chegou à península arábica: na Jordânia, foi rápida a erupção de protestos contra o rei Abdullah, no posto desde 1999; já ao sul da península, massas têm saído às ruas para pedir mudanças no Iêmen, presidido por Ali Abdullah Saleh desde 1978, bem como em Omã, no qual o sultão Al Said reina desde 1970.
Além destes, os protestos vêm sendo particularmente intensos em dois países. Na Líbia, país fortemente controlado pelo revolucionário líder Muamar Kadafi, a população entra em sangrento confronto com as forças de segurança; em meio à onda de violência, um filho de Kadafi foi à TV estatal do país para tirar a legitimidade dos protestos, acusando um "complô" para dividir o país e suas riquezas. Na península arábica, o pequeno reino do Bahrein - estratégico aliado dos Estados Unidos - vem sendo contestado pela população, que quer mudanças no governo do rei Hamad Bin Isa Al Khalifa, no poder desde 1999.
Além destes países árabes, um foco latente de tensão é a república islâmica do Irã. O país persa (não árabe, embora falante desta língua) é o protagonista contemporâneo da tensão entre Islã/Ocidente e também tem registrado protestos populares que contestam a presidência de Mahmoud Ahmadinejad, no cargo desde 2005. Enquanto isso, a Tunísia e o Egito vivem os lento e trabalhoso processo pós-revolucionário, no qual novos governos vão sendo formados para tentar dar resposta aos anseios da população.
FONTE: Terra Notícias.